'vive do passado' 14.01.2019 | 08h15
Chico Ferreira
"O Dom Bosco é um time que vive de passado", sentenciou o torcedor Carlos Ivan Garcia Junior, 30, considerado um dos mais jovens a manter a paixão pelo clube. Com 94 anos de fundação, completados no dia 4 de janeiro deste ano, o Clube Esportivo Dom Bosco, o mais velho de Mato Grosso, tem sua história escorada por alguns torcedores mais antigos, que lutam para dar continuidade à tradição.
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A sede do Dom Bosco, localizada na região central de Cuiabá, é um exemplo do declínio do time. O espaço que entre a década de 60 até a década de 90 foi considerado o ponto de encontro da cuiabania mais tradicional, agora vive em ruínas.
Na tarde desta segunda-feira (7), a reportagem foi até o local, no bairro Bandeirantes, para registro do abandono. Na rua pacata, em que quase não se vê pedestres e os carros passam vez ou outra, o letreiro branco que diz "Clube Dom Bosco" é o único sinal de que o espaço foi um dia um local recreativo.
A fachada em azul vivo contrastava com o verde do mato que não foi podado e tomou conta do terreno. Por cima do muro, o que se podia ver é uma piscina abandonada, além do esqueleto do que um dia foi um parquinho. No terreno vizinho, por trás de um vidro escuro, um senhor sem camisa observava a movimentação da equipe e, por telefone, anunciou a nossa presença.
Cinco minutos depois, um homem em aparente situação de rua, que se identificou como Flávio, de 30 anos, sai de dentro do clube. Ele é responsável por cuidar do ambiente em troca de moradia. A equipe, contudo, não é autorizada a entrar por ordens superiores.
"Eu vivo aqui, tem luz, tem água. Precisei mandar colocar luz de novo porque tinham roubado todos os fios. Eu mesmo não conheço o dono, presidente do clube, quem me colocou aqui foi o segurança. Mas eu passo o dia aqui todo, não saio por um minuto e sou responsável por cuidar", explicou.
História
No mesmo local, há alguns anos, crianças, jovens e adultos se divertiam nas matinês de carnaval e passavam suas tardes de final de semana à beira da piscina.
O local foi adquirido em 1957 pelo coronel Caracíolo Azevedo de Oliveira, então presidente do clube. O Dom Bosco, com isto, passou a ser o primeiro time mato-grossense a ter sede própria.
A história do presidente da Associação dos Torcedores Leões da Colina (Aleco), Armando Cândia, 41, se entrelaça com a história do espaço. Ele diz ser filho do Clube Dom Bosco.
"Meus pais começaram a namorar lá. Se conheceram no local e se encontravam sempre lá. Frequentavam na juventude deles. Foi lá inclusive que minha mãe fez o baile de debutante dela. Ela jogava vôlei, meu pai jogava tênis, futebol. Era o local onde todo mundo podia praticar esportes", explicou Cândia.
Além da história do romance dos pais, a família do presidente é tradicionalmente dom-bosquina. Seu avó era torcedor e transferiu os aprendizados e o costume para seu pai, que fez o mesmo com ele. Agora, mesmo com a falta de popularidade do clube, ele é responsável por manter a tradição viva e passar os ensinamentos para o filho.
"Vamos assistir aos jovens sempre juntos, eu, meu pai e meu filho. A gente adora e colocamos sempre para tocar o hino do Dom Bosco, todo mundo fica emocionado. Se não colocar para tocar a gente não entra embalado e não vai para frente, então precisa".
Quanto ao clube, no começo dos anos 2000, a avó já falecida de Cândia ainda costumava frequentar um grupo de terceira idade que funcionava no local. O evento foi um dos últimos registros que aconteceram no espaço, que está abandonado há pelo menos 15 anos.
"Seria interessante retomar o espaço, porque além de ser um patrimônio particular, do clube, era uma coisa de toda cuiabania que poderia ser resgatada. Há muita conversa e a gente propõe, mas por algum motivo não caminha", disse.
Futebol
A Aleco, inclusive, surgiu em 2014 por iniciativa de torcedores com o intuito de resgatar a história do time. Agora, conta cerca de 100 pessoas que se encontram durante os jogos e contribuem com valores simbólicos para a manutenção da associação e do clube.
Economista Carlos Ivan Junior é considerado um dos mais jovens a torcer pelo Dom Bosco. Quando seu pai chegou à Cuiabá, no início da década de 70, conheceu um jogador do time que fez com que ele se apaixonasse. O gosto, então, passou para o filho, que perdura até hoje.
"Hoje ele não acompanha do jeito que eu acompanho. Acho que a minha paixão acabou sendo mais doentia do que a dele. Na primeira metade da década de 90 foi quando comecei a acompanhar mesmo. A gente ia ver os jogos no Dutrinha, a torcida tinha um clima diferente das dos outros times. Era um clima mais amigável, familiar e para mim aquilo era legal", explicou.
De lá para cá, contudo, segundo ele, a equipe foi perdendo torcedores para os outros times que foram sendo criados. Além do Cuiabá e do Mixto, times também tradicionais, surgiram equipes do interior. O licenciamento do clube, que durou de 2008 até 2014, para ele, foi o que afetou a diminuição dos torcedores.
"A gente não vê muito torcedor jovem do Dom Bosco justamente por este fato. Muitos jovens preferem torcer para outros times como o Cuiabá que tem um bom destaque no cenário nacional enquanto o Dom Bosco vive mais de passado", disse.
"Eu sou um fora da curva. Sou muito apaixonado pelo Dom Bosco e me sinto muito mal quando cogitam a possibilidade do time se licenciar novamente. A gente sabe da realidade financeira. O Dom Bosco é o único time que se mantém graças aos torcedores e o aporte financeiro dos torcedores", lamentou.
Procurado pela reportagem, o presidente do clube, Paulo Emílio, não respondeu aos telefonemas.
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Emersom rocha - 14/01/2019
Eu trabalho com restauracao de piscina deck ...faco toda a mao de graca e nao e pouco ...so oreciso do material..65 996244275 wat...bao vamos deixar morrer esse patrimonio ...vamos nos juntar ...
1 comentários