04.04.2004 | 03h00
A Transportes Arara-Azul, cujo prazo de concessão por uma década vence em 29 de maio deste ano, está sendo investigada pelo Ministério Público, desde janeiro deste ano, após A Gazeta, com base em documentos, revelar que a empresa é suspeita de ter matriz e filial em paraísos fiscais (Panamá e Portugal).
Até agora nem o Ministério Público do Trabalho conseguiu identificar o verdadeiro dono da Arara-Azul, que realizou uma série de alterações de contratos sociais. Com sede em Várzea Grande, a empresa é uma das quatro detentoras da concessão do transporte intermunicipal na Capital. Opera com cerca de 70 ônibus, transporta diariamente em torno de 30 mil passageiros e fatura pelo menos R$ 1 milhão por mês.
A Gazeta apurou que, com a transferência da concessão para Arara-Azul, a Estrela D"Alva ficou com todo o passivo, que chega a aproximadamente R$ 30 milhões, entre ações trabalhistas, dívidas com bancos e com o INSS.
Conselheiro do projeto do aglomerado urbano, Renê Alves Pinto participou, na noite de terça-feira (30) do programa Terceiro Mundo, da TV Record Canal 10, e foi questionado, ao vivo, sobre a denúncia do MPF na qual aparece como um dos 12 acusados de falsificar DCTF"s para sonegar R$ 1,7 milhão entre 95 e 97. O empresário desconversou. Limitou-se a dizer apenas que não tinha conhecimento do fato, mesmo já intimado pela Justiça Federal para depor no próximo dia 19.
O advogado contratado por Renê, Itamar Dervalhe, disse que seu cliente já havia recebido a intimação e que estava fundamentando a defesa. "Posso adiantar que não houve má fé". Na avaliação do assessor jurídico, "independente do carimbo das DCTF"s estar em desuso, o fato é que a empresa (Nova Era) se antecipou e entregou a declaração".
Ex-diretor-superintendente do extinto Grupo Nova Era, João Campos Palma, atual presidente da Federação das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, culpa Renê por supostas falsificação de documentos. Ele diz já ter sido interrogado num inquérito policial, inclusive na condição de indiciado e será ouvido no próximo dia 19 pela Justiça Federal.
"Não se trata de documento de quitação. São cerca de 30 guias assinadas pelo Renê. Não sei se falsificaram (as guias) antes ou depois que eu deixei a empresa (em 15 de agosto de 98)". João Palma afirma que se desligou da Nova Era porque, mesmo como diretor-superintendente, Renê "tomava decisões isoladas e à revelia e escondia informações. Houve má fé sim e este foi um dos motivos para eu deixar a empresa", afirma Campos Palma, que também preside o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos e de Passageiros de Mato Grosso.
Para o empresário, Sirlei Oliozi, outra pessoa citada na denúncia do MPF, "era uma auxiliar de contabilidade" e não deveria ser responsabilizada no processo. "Ela (Sirlei) entrou de gaiato nessa história".
Júlio Pacheco, ex-diretor operacional da extinta Nova Era, afirma que, apesar de figurar entre os denunciados por falsificação de DCTF"s, não assume responsabilidade sobre os documentos.
"Eu não tinha envolvimento nenhum. Era diretor de Tráfego e, da parte financeira, não tinha nada a ver", defende-se.
A Gazeta tentou, sem êxito, contato com Cláudio José da Silva e com os irmãos Renato, Ricardo, Lázara, Marlene e Eva. Nenhum deles foi localizado nem na empresa Arara-Azul ou no escritório financeiro da família. Também não houve retorno aos recados para comentar a denúncia oficializada pelo Ministério Público. Na residência da contadora Sirlei Oliozi foi deixado recado em sua secretária eletrônica, mas também não houve retorno.
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