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Quebrando o Silêncio 2026 13.08.2026 | 14h43

Campanha conscientiza populaçãos sobre o combate à violência contra a pessoa idosa

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Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

No Brasil, a violência contra pessoas idosas tem crescido e despertado preocupação diante do aumento das denúncias de agressões, negligência e abandono. Mato Grosso registrou um aumento de 194,9% no número de notificações de violência contra idosos em uma década, segundo o Atlas da Violência 2026. O salto chama a atenção na comparação de longo prazo.

 

Em 2014, a taxa era de 20,2 casos por 100 mil idosos. Em 2024, chegou a 44,1, um crescimento de 118,3% na taxa em dez anos. Os dados indicam que, além do aumento absoluto de notificações, a violência contra idosos também passou a atingir proporcionalmente mais pessoas dentro dessa faixa etária.

 

Com o intuito de ampliar a conscientização sobre essa realidade, a Igreja Adventista do Sétimo Dia escolheu a proteção da pessoa idosa como tema da campanha Quebrando o Silêncio 2026. A iniciativa acontece todos os anos em oito países da América do Sul, com ações concentradas principalmente no quarto sábado de agosto, neste ano, no dia 22.

 

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Soraya Kassaoka, responsável pelo projeto no leste de Mato Grosso, explica que a escolha do tema surgiu da percepção do aumento acelerado do número de pessoas idosas e do crescimento dos casos de violência, negligência e abandono contra esse público.

 

“Nós queremos uma população mais consciente das necessidades desse idoso, destacando suas potencialidades, porque essas pessoas carregam experiências, sabedoria e resiliência, e podem nos ensinar muito”, complementa Soraya. “O que realmente importa é ter um olhar atento às pessoas que fazem parte da terceira idade, dispensar tempo, carinho e cuidado a elas.”

 

Dados alarmantes

Somente entre os meses de janeiro e maio deste ano, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) registrou mais de 92 mil denúncias e 536 mil violações de direitos contra pessoas idosas. Os dados apontam um aumento de cerca de 25% em denúncias e quase 30% em violações, em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Só Cuiabá registrou 250 denúncias de violência contra pessoas idosas entre janeiro e maio deste ano, segundo dados da Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa (DEDCPI). A Polícia Civil alerta que, mantido o ritmo, o total pode quase dobrar em relação a 2025, quando foram contabilizados 380 casos ao longo de todo o ano.

 

Outro dado diz respeito ao perfil dos agressores. Das mais de 180 mil denúncias registradas em 2025, 55% apontam filhos e filhas como os principais responsáveis pela violência contra pessoas idosas. Os dados são da Universidade Federal Fluminense (UFF), que também ressalta que os mais afetados têm 80 anos ou mais e são mulheres. A pesquisa acende um alerta: muitas vezes, o ambiente familiar é o local em que o idoso está mais vulnerável.

 

O crescimento desses registros acompanha o envelhecimento da população. Estima-se que, em 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos, o que reforça a necessidade de uma proteção integral e intencional.

 

Quebrando o Silêncio

Há 24 anos, o projeto Quebrando o Silêncio, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, promove ações de conscientização, prevenção e enfrentamento da violência em oito países da América do Sul. Em Mato Grosso, o projeto é reconhecido oficialmente pela Lei Estadual nº 11.454/2021, que instituiu o Dia Estadual do Quebrando o Silêncio, comemorado anualmente no quarto sábado de agosto. A iniciativa incentiva famílias, escolas, igrejas e comunidades a reconhecer sinais de abuso, orientar a vítima e denunciar os possíveis crimes.

 

Revistas temáticas são produzidas todos os anos e distribuídas gratuitamente em igrejas, escolas e ações comunitárias. O material reúne orientações práticas, pesquisas, entrevistas com especialistas e conteúdos educativos adaptados a diferentes públicos: crianças, adolescentes e adultos.

 

A iniciativa mobiliza pessoas para ações sociais e de conscientização realizadas na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.

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