cenário de abandono 31.01.2026 | 15h50

yuri@gazetadigital.com.br
Mel Rodrigues / GD
A tradicional praça da República, localizada no coração do Centro de Cuiabá, enfrenta um cenário de degradação e descuido. O local, tombado como patrimônio público, traz consigo a história da capital mato-grossense que hoje se perde no meio das pedras soltas no chão, bancos quebrados, lixo espalhado e luminárias danificadas.
A reportagem do
esteve no local e constatou a falta de acessibilidade adequada para pessoas com deficiência, cadeirantes, por exemplo, enfrentam grandes dificuldades para circular devido ao piso instável e aos obstáculos pelo caminho.
Outro problema identificado é o estacionamento irregular de veículos, especialmente no trecho entre o Museu de História de Mato Grosso e a agência dos Correios. Durante todo o período em que a reportagem ficou no local, nenhum fiscal apareceu e os motoristas eram auxiliados por flanelinhas.
O espaço se tornou ponto de concentração de pessoas em situação de rua, que, sem ter para onde ir, fazem da área seu abrigo. Eles dormem e até cozinham por lá.
A realidade da praça é bem diferente da sua vizinha, a Alencastro, que fica na frente da sede do Executivo municipal. Durante a visita, o
conversou com Leonildo Batista, 70, e Flávio Alves, 45, turistas de Aragarças (GO).
Leonildo contou que estava na capital pela primeira vez e se impressionou com o estado do local. “Está nítido que precisa de reforma, de cuidado. É uma praça grande, ampla e bem centralizada. Mas está com cara de abandonada. Tem arte, tem história, tudo isso poderia atrair mais turistas”, comentou.
Flávio, que visita Cuiabá pela terceira vez, também lamentou a situação. “É a primeira vez que venho até a praça da República. Tentei visitar o Museu de História, mas está fechado há mais de 9 anos. A praça é bonita, mas está desorganizada. Tem muito ambulante, lixo espalhado, bancos quebrados e o piso todo estragado”, disse.
Só maquiagem
A praça, inaugurada em 1922, recebeu sua última revitalização há anos, que começou em 2019 e só foi finalizada em 2021. Na época, a promessa era de luzes de LED, reconstrução da calçada, mais acessibilidade e, claro, jardinagem. Cinco anos depois, o cenário é caótico.
Para Joice Pereira, 39, que mora em Cuiabá há 15 anos, não adianta a revitalização se não há cuidados regulares e pequenos reparos, para que o local não fique todo degradado. “É só maquiagem. Acredito que o poder público tinha que ter uma atenção maior para esse espaço, está no Centro da cidade”, disse.
Sentada em um dos bancos, ela observou em volta e destacou especialmente a precaridade da calçada, as pedras soltas e a falta de acessibilidade. O grande fluxo de ambulantes, com barracas espalhadas, também chamou atenção.
Juliana Maria, que trabalha há 10 anos na região, pontua que a praça da República está presente na vida dela durante todo esse período e é um ponto de encontro dos colegas trabalhadores e também para descansar após o almoço. Ela ressaltou que, para além da manutenção, falta consciência da população.
“Não há mais o sentimento de pertencimento. Praças são locais de lazer, de passeio, para descansar, bater um papo. Mas, a população não quer estar aqui, qual o motivo? Falta conscientização de que esse espaço é nosso e merece ser cuidado”, disse.
Cartão Postal
A vereadora Dra. Mara anunciou, nesta semana, a destinação de uma emenda parlamentar para a reforma da praça do município. Em entrevista à Gazeta Digital, ela destacou que o espaço é considerado um cartão-postal da cidade e que o atual estado de conservação não condiz com a sua importância.
Segundo a parlamentar, a iniciativa de revitalizar a praça surgiu antes mesmo de assumir o mandato. “É uma vontade que eu já tinha como cidadã. Trata-se de um cartão-postal importante da nossa cidade e, por isso, é inaceitável que continue dessa forma”, afirmou.
Dra. Mara explicou ainda que tem buscado apoio tanto no Poder Legislativo quanto no Executivo municipal para viabilizar a obra. De acordo com ela, articulações estão em andamento com o objetivo de garantir os recursos necessários para a reforma.
Caso não consiga o apoio do poder público, a vereadora afirmou que pretende recorrer à iniciativa privada como alternativa para tirar o projeto do papel. “É uma forma de devolver à sociedade um espaço saudável, com grande potencial turístico e social para a nossa cidade”, concluiu.
Outro lado
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Obras para saber se há algum projeto de revitalização e reparos na área, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno.
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