1º de maio 01.05.2020 | 08h24

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Reprodução / Montagem
A pandemia da covid-19 chegou ao Mato Grosso e colocou em risco não só a saúde da população, mas também o sustento de muitas famílias. Com o comércio fechado, a economia esfriou e muitas pessoas perderam o emprego ou tiveram a renda familiar reduzida. O dinheiro não entra, mas os boletos chegam e precisam ser pagos. Como alternativa para driblar a situação, trabalhadores se agarraram ao que tinham ao alcance para garantir renda nesses dias de incerteza.
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Como exemplo de alternativas, neste Dia do Trabalhador, o
entrevistou 3 pessoas que criaram negócios em casa para obter renda. O setor da alimentação é o mais buscado pelos empreendedores.
O comerciante Willian Cesar Moreno tem um box de eletrônicos no Shopping Popular. Com o fechamento do comércio, desde 23 de março, ficou sem renda. Ele conta que até tentou vender os produtos via delivery, mas não deu muito certo. Antes de investir no ramo de eletrônicos, já tinha trabalhado com venda de macarrão e decidiu apostas na área de novo. Assim criou o Spazzo Gastronômico.
“É uma coisa que eu já tinha experiência e decidi fazer de novo. Há muitas pessoas no condomínio em que moro e sempre anunciam produtos a venda. As pessoas não vão parar de comer”, conta.
Há cerca de uma semana, ele começou a anunciar o macarrão no grupo do condomínio em que mora e logo a propaganda se espalhou. Pessoas de outros bairros começaram a também pedir a refeição que é oferecida no almoço e no jantar. O comerciante é quem prepara o macarrão de acordo com o pedido do cliente, que pode escolher entre 5 tipos de massa, 4 molhos e 20 outros ingredientes.
O prato é vendido a R$ 14,90. Willian vende cerca de 20 refeições por dia e do macarrão que ele tira o sustento da casa. O autônomo se cadastrou para receber o auxilio emergencial de R$ 600, mas seu pedido ainda está em análise. Encomendas do macarrão podem ser feitas pelo telefone (65) 99803-3584.
A costureira Rita Pereira não mudou de ramo, mas passou a atender um nicho dentro do seu mercado de atuação: pessoas que procuram máscaras artesanais temáticas. Com a pandemia e o isolamento social muitos clientes sumiram. Tirar medidas e provar as peças exigem contato físico, que não é recomendado no momento, por isso as encomendas caíram drasticamente.
“Eu estava sem encomenda aí vi que as pessoas estavam procurando muito pelas máscaras. Eu procurei um molde na internet, comprei o tecido adequado e comecei a costurar. Logo que divulguei, as encomendas começaram a aumentar rápido”, conta.
A costureira conseguiu receber os auxilio emergencial e o valor tem ajudado muito nas despesas em tempos de clientes ausentes.
Rita faz máscaras de tamanhos diferentes e modelos alternativos. Ela relata que as pessoas têm buscado a proteção que amarra na cabeça, em vez das de elásticos. “O elástico machuca, quando usado por muito tempo. Tem gente preferindo a amarrada”, conta.
A costureira conta que há grande variedade de estampas, mas as preferidas pelas crianças são as com desenhos e super-heróis, os adultos preferem as máscaras lisas com cores escuras. As encomendas podem ser feitas pelo telefone (65) 99200-7919.
O casal Anna Lopes e Marcelo Lopes também apostou no ramo alimentício para garantir renda em época de crise. Eles vendem pão caseiro salgado e doce. Ele é funcionário público de Várzea Grande e ela fisioterapeuta concursada. No entanto, ela não chegou a assumir as aulas que ministraria na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), para qual foi aprovada no certame. As aulas foram suspensas devido à pandemia e a profissional não recebe enquanto não atua.
Há cerca um mês, o casal transformou a cozinha na padaria “Pão Caseiro do Amor”. O marido fazia os pães para consumo da família, no entanto, sem o salário da esposa, precisaram tornar a produção maior para vender aos vizinhos e garantir mais dinheiro para a manutenção da casa.
“Eu sempre vi potencial aqui no condomínio. São centenas de moradores e havia mercado para os pães. No começo, ele foi resistente, mas depois cedeu porque a gente precisava de mais renda, visto que as nossas despesas contavam com o salário dos dois e agora só tinha o dele”, conta.
Os pães são feitos na folga de Marcelo e vendidos no condomínio em que o casal vive. Antes as entregas eram feitas aos clientes, mas com o aumento da demanda, os consumidores buscam a encomenda no apartamento do casal.
“Deu muito certo. Temos muitas encomendas e não vendemos mais porque nossa cozinha é bem pequena e não dá fazer mais”, conta Anna.
O casal vende, em média, 15 unidades por dia. O pão doce custa R$ 7 e o doce R$ 8. Encomendas podem ser feitas pelo telefone (65) 98461-7749.
A fisioterapeuta não recebeu auxílio, mas cogita requerer a ajuda do governo.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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