Dia do Idoso 01.10.2018 | 17h21
Chico Ferreira
O relógio da avenida Mato Grosso apontava 34°C quando o aposentado Ademar Dourado Alcântara, de 74 anos, passava por ele, prestes a entrar na avenida Tenente Coronel Duarte, conhecida como Prainha, carregando em suas mãos um carrinho de picolé. Com o corpo banhado em suor e uma tosse incessante que o acompanha ao final de cada frase, ele vende picolés pelos bairros centrais das 9h às 17h há 12 anos.
Ademar faz parte de uma parcela da população cuiabana que mesmo depois da aposentadoria continua trabalhando para conseguir o sustento. No dia do idoso, celebrado em 1º de outubro, o
foi às ruas do centro de Cuiabá para tentar encontrar ambulantes que vivem nessa situação. No caso do picolezeiro, o salário mínimo que recebe do benefício paga o aluguel de uma quitinete no bairro Bandeirantes, onde mora sozinho, mas não é suficiente para custear outras despesas básicas.
"Eu sou baiano, já trabalhei pelo Brasil inteiro. Trabalhei em posto de gasolina, trabalhei como montador de bombas. Hoje em dia eu recebo o benefício pela minha idade, mas não é o suficiente", explicou.
Pai de 3 filhos e viúvo, o vendedor utiliza o que recebe com os picolés para suas necessidades básicas, como alimentação, água e luz. Seus produtos são revendidos e no final de cada dia ele ainda repassa um valor para fábrica. Com Ademar, ficam R$ 40 por dia.
Lourivaldo Martins da Rocha, 70, vende seus doces, queijos e petas há 20 anos na Barraca do Periquito. Apelidado de Louro, ele divide o estande com seu filho, que foi o responsável pelo nome da barraca. "Filho de louro, periquito é", explicou.
O ambulante costumava trabalhar na praça Alencastro, mas foi remanejado pela prefeitura para o calçadão depois da reforma. Esbanjando saúde, Louro exibe seus produtos vestido com uma camisa social, chapéu e calça jeans. À reportagem, ele assegura que gosta de trabalhar, mesmo sabendo que já deveria estar parado.
"Eu trabalhava de pedreiro, carpinteiro, mas há 20 anos vendo doces. O que recebo é variado, mas costuma ser uma mixaria, geralmente é um salário mínimo, que junta com o que recebo de benefício. Eu trabalho por diversão e para complementar a renda", disse.
No caso de Eudilza Lopes, 66, o dinheiro que ganha com a venda de deus panos de prato é utilizado para comprar os 11 remédios que toma durante o dia. Das 9h às 17h, ela monta seu estande no beco de artesanatos ao lado da igreja Matriz, há 30 anos.
"Com essas vagas magras é difícil falar quanto eu ganho, porque não tem dinheiro na praça, ninguém compra. Eu faço meus paninhos, trabalho dependendo da necessidade, mas também trabalho em casa. Costuro e bordo no domingo, sábado à tarde, feriado. Sou hipertensa, operada do coração, tenho problemas nos rins, já tive avc [acidente vascular cerebral], mas nada disso eles consideram", lamentou a idosa.
Apesar de ter trabalhado como balconista antes de vender os panos, ela não recebe aposentadoria, já que não contribuiu por tempo de serviço. As necessidades básicas como alimentação e despesas domésticas ficam por conta do marido. Eudilza não quis ser registrada, pois não gosta de tirar fotos.
Aposentadoria
No Brasil, atualmente, é possível aposentar por tempo de contribuição, idade, invalidez ou modalidade especial. No caso de tempo de contribuição, homens se aposentam se tiverem contribuído por 35 anos ou mais e as mulheres têm direito depois de 30 anos. Por idade, homens se aposentam aos 65 e mulheres aos 60.
No caso de invalidez, a aposentadoria é assegurada àqueles que não podem mais trabalhar por doença adquirida ou acidente de trabalho. A modalidade especial é configurada a trabalhadores que ficam em condições arriscadas a saúde.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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