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SURTO DE GRIPE 29.12.2021 | 09h59

Doentes relatam dor e drama na espera em UPAs e unidades de saúde

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

“Cheguei aqui às 9h. Sendo de graça, o que é demorado?”, avalia o mecânico Renato de Jesus Gonçalves, que torceu o pé e estava sentado em frente à Policlínica do Verdão, com um par de muletas. Ele aguardava há 20 minutos por uma ambulância, que pudesse levá-lo para outra unidade de saúde, nesta tarde de terça-feira (28).


Na véspera do fim de ano, as policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Cuiabá e Várzea Grande estão lotadas, especialmente por pacientes com sintomas gripais. Na última segunda-feira (27), um vídeo da policlínica do Verdão viralizou, mostrando pessoas deitadas no chão aguardando atendimento.

 

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A auxiliar de atendimento Maria Aparecida da Silva não escondeu a frustração de passar mais de 4 horas sem consulta, na UPA da Morada do Ouro. Chorando em meio à dor e decepção, ela já se preparava para ir embora, sem sequer ter visto o rosto do médico.

 

Otmar de Oliveira

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Com febre, dor muscular e garganta inflamada, ela apresentou os sintomas gripais ainda no dia anterior. “Chegamos aqui meio-dia, esperamos muito tempo para passar pelo pronto-atendimento, a classificação. Estou com muita dor de cabeça, muita febre, dor no corpo, e eles não estão chamando para a consulta, estão só fazendo a classificação”, pontua.


Tinha gente esperando há mais tempo que Maria, e que também não chamados para a consulta. “Já teve muitas chamadas para classificação, mas você não vê chamando para a consulta. Então estou indo embora”, diz, com lágrimas nos olhos.


Moradora do Serra Dourada, ela vai ter que procurar uma unidade de saúde mais longe de casa, já que a UPA que deveria atendê-la está sobrecarregada. “Tem gente reclamando que está ai desde às 8h e não consegue nem passar pela triagem”.
A empregada doméstica Ednalva Jorge Pereira precisou faltar o trabalho para socorrer o neto, André Henrique, de apenas 9 meses. O bebê está com gripe e febre há pelo menos duas semanas.

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“Essa noite nem dormi por causa dele, só chorando, com febre e febre. Dá remédio e não passa”, conta.


Ela foi até a UPA da Morada do Ouro, pois a policlínica do Planalto não tem pediatra. Segundo conta, sua filha tinha procurado o local na segunda-feira, que estava mais lotado ainda. “Ontem minha menina veio 10h e chegou em casa 17h”.


Já o problema de Argeu Bispo é outro: medicamentos. Também com sintomas gripais, o senhor conta que já tomou as duas doses contra a covid-19. Agora, está com dor de cabeça e tosse. Ele ainda não sabe se está com covid-19 ou gripe.

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De acordo com Argeu, ele não consegue encontrar os medicamentos que o médico indicou por um preço razoável, e teve que recorrer a remédios caseiros. “Não tem dipirona, xarope, os principais remédios pra gripe. Aqui é regional, você vai caçar remédio e não tem nem no posto, tem que abastecer a cidade, porque ainda estamos em uma pandemia”, disse.


Em meio às pessoas com sintomas gripais, tem também os pacientes de outras enfermidades ou acidentes, como é o caso do ajudante de pedreiro Hélio de Oliveira. Ele se envolveu em uma briga com o vizinho e está com diversos machucados.

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Ainda no sábado (25), noite de Natal, ele recorreu a UPA para fazer exames. O médico orientou que ele retornasse caso sentisse dor.


Ele chegou à unidade às 7h e está de pé há 8 horas, já que não consegue se sentar por conta dos machucados.


Hélio mora no bairro Três Barras, portanto, pra não perder viagem, vai continuar no local. “Vou ficar até ser atendido, não consigo dormir com dor, a gente fica aqui porque é obrigado, não é porque a gente quer”, lamenta.


Procura de 200%
Conforme o supervisor da policlínica do Verdão, Rodrigo Salles, a procura pelos postos ou policlínicas cresceu pelo menos 200% na última semana. Dos pacientes, 98% são pessoas com sintomas gripais.

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Na segunda-feira, com a superlotação e gente esperando no chão, a unidade de saúde procurou orientar a demanda e fazer um controle de fluxo. Contudo, ele adverte que a população deve procurar se vacinar contra a gripe, para evitar justamente a lotação nas unidades de saúde.


A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também reforça a informação para que a população procure as unidades básicas de saúde em casos leves de gripe, e não as unidades de pronto atendimento, para evitar aglomeração, visto que esse é um dos fatores de contágio pelo vírus.


Outro lado


Nota à imprensa
A Secretaria Municipal de Saúde informa:


Diante do aumento dos casos de Influenza e atendendo às ações do Plano de Enfrentamento à Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave, elaborado a pedido do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, pelos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, todas as unidades básicas de saúde estão atendendo as pessoas que procuram atendimentos por síndrome gripal, sem necessitar agendamento. O planejamento foi divulgado pelo prefeito no dia 24 de dezembro. Mesmo com todos os esforços, a quantidade de atendimentos é grande e demanda tempo para que todo o público seja atendido, situação que se verifica em diversas cidades de todo país.


Com o plano de contingência, a quantidade de consultas agendadas diariamente será menor. A orientação é para que, em caso de sintomas leves, a população procure as UBSs, que atendem de segunda a sexta, das 7h às 11h e das 13h às 17h. As unidades Centro de Saúde do Tijucal, UBS Parque Ohara, Clínica da Família e UBS Ilza Terezinha Picolli atendem das 7h às 21h. O Centro de Saúde Ana Poupina atende exclusivamente pessoas com síndromes gripais.


Em casos de sintomas moderados a graves, como dificuldade respiratória, deve-se procurar as UPAs ou Policlínicas.
Vale salientar que, apesar do aumento de casos de síndrome gripal, a maioria trata-se de casos leves. Até esta segunda-feira (27), 22 casos foram notificados, ou seja, foram considerados graves.

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