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'não precisam apenas sobreviver' 24.05.2026 | 12h00

Entre desafios e superação; corredor PCD luta por mais inclusão em competições

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Nicolly Costa - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

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O esporte mudou completamente a vida do corredor Antônio Alves Domingues, 51. Pessoa com Deficiência (PCD), ele encontrou nas corridas de rua muito mais do que uma atividade física, uma forma de transformar a própria realidade e inspirar outras pessoas.


A paixão pela corrida surgiu a partir do desejo de incentivar os quatro filhos a praticarem esportes, fortalecendo os momentos de união em família e mostrando a eles um caminho distante das drogas e da criminalidade. O que começou como um programa familiar, se tornou realidade de disciplina e foco em competições.


Com o tempo, os treinos se tornaram parte da rotina e o atleta passou a participar de diversas corridas em Mato Grosso. Hoje, ele utiliza a própria trajetória para motivar outras pessoas, principalmente as com deficiência, a acreditarem em novas possibilidades de vida.


“Eu quero incentivar as pessoas com deficiência a saírem da cama e socializarem. Mostrar que elas não precisam apenas sobreviver, porque a vida não acabou”, afirma o corredor.


Atualmente, Antônio participa de diversas competições ao longo do ano. Entre elas estão a Corrida dos Reis de 2024, a Primavera do Leste: Homens de Fogo, TOP VG e Corrida Pela Vida.


Dificuldades no esporte
Apesar da paixão pelo esporte, o atleta relata que ainda enfrenta inúmeros desafios para continuar competindo. Segundo ele, a prática esportiva para pessoas com deficiência é marcada pela falta de acessibilidade e alto custo dos equipamentos necessários.


Antônio explica que itens fundamentais para os treinos e competições, como bicicletas adaptadas, conhecidas como hand bike, que são semelhantes ao triciclo, mas movidas pela força dos braços, e itens de segurança, têm alto custo.  Alguns deles passam dos R$ 20 mil. O alto valor é um dos pontos que dificultam a permanência de muitos atletas no esporte.


Além das dificuldades financeiras, ele também destaca a escassez de projetos e incentivos voltados ao paradesporto. Programas como o Bolsa Atleta, do governo federal, gerido pelo Ministério do Esporte, oferecem auxílio mensal de R$ 1.025 para competidores nacionais e R$ 410 para esportistas de base.


Embora o programa ajude alguns competidores, Antônio afirma que o benefício ainda é insuficiente para atender toda a demanda de atletas para participar de competições.


“Existe pouco incentivo. Um deles é o Bolsa Atleta, mas é um valor muito baixo, que praticamente não consegue custear nada. Nem todas as pessoas com deficiência conseguem comprar uma hand bike profissional, pagar locomoção ou estadia no local da corrida. Isso desmotiva muito os atletas”, argumenta.


O corredor ainda destaca que muitas competições ainda não são totalmente inclusivas, o que representa desigualdade nas premiações entre atletas PCD e não PCD.


“A gente não paga inscrição em muitas corridas de rua, mas várias delas não possuem nem troféu para os atletas com deficiência. Algumas não disponibilizam camisetas. As premiações focam em quem não tem deficiência, oferecendo prêmios de até R$ 5 mil. Enquanto isso, para nós, muitas vezes o primeiro lugar recebe apenas R$ 500, e o segundo, entre R$ 100 e R$ 250. Para quem vem de longe, o valor não paga nem a gasolina”, alega.


O corredor também critica a falta de planejamento em relação aos percursos das provas. Segundo ele, ruas com muitas subidas dificultam ainda mais a participação dos atletas PCD.


“O percurso influencia em tudo. Na Corrida dos Reis, nos 10 quilômetros que participei, foi muito difícil. As ruas eram muito inclinadas. Teve momentos em que achei que não conseguiria terminar. Se não fosse pelo apoio dos meus filhos, eu teria desistido”, relembra.


Associação Antônio Alves
Com o objetivo de incentivar e oferecer melhores oportunidades para atletas, Antônio criou uma associação sem fins lucrativos voltada aos esportistas com e sem deficiência no atletismo.


A associação nasceu em 2022 e atualmente reúne adultos, crianças, atletas amadores e competidores de elite.


“O instituto é para todos. Queremos incentivar as pessoas e trazer oportunidades para elas, mostrando que é possível praticar esporte. Promovemos campeonatos interclubes e paralímpicos para incentivar cada vez mais atletas”, destaca Antônio.


Apesar das dificuldades, Antônio afirma que o esporte transformou sua vida, fortalecendo a relação com os filhos e se tornando uma motivação diária para continuar seguindo em frente. Hoje, além de competir, ele busca inspirar outras pessoas, mostrando que o esporte pode ser um caminho de superação e inclusão.

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