24 ANOS SEM TAÇA 27.06.2026 | 13h00

redacao@gazetadigital
Acervo pessoal/ Montagem GD
O Brasil é o maior campeão da história das Copas do Mundo, com 5 títulos conquistados em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Mas, apesar das cinco estrelas na camisa, uma parte inteira da população brasileira nunca viu a Seleção levantar a taça. Em 2026, o último título mundial completa 24 anos, mesmo intervalo que separou o tricampeonato de 1970 do tetra de 1994.
Esse jejum criou um contraste entre duas gerações: a de quem viu o Brasil ser campeão mais de uma vez e a de quem cresceu apenas ouvindo histórias sobre o pentacampeonato. De um lado, a memória viva das ruas em festa, dos jogadores consagrados e da confiança em campo. Do outro, a expectativa de transformar em lembrança própria aquilo que, até hoje, parece pertencer aos pais, avós e arquivos da televisão.
Quem já viu: a memória de duas taças
Aos 48 anos, Maximiliano Barradas faz parte da geração que viu o Brasil conquistar dois títulos mundiais. Ele acompanhou o tetracampeonato de 1994, nos Estados Unidos, quando a Seleção venceu a Itália nos pênaltis após empate sem gols, e também o pentacampeonato de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando o Brasil derrotou a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo Fenômeno.
Maximiliano lembra que, em 1994, estava em São Paulo, na casa de um amigo. Em 2002, também acompanhou a final reunido com amigos. Para ele, a força daquelas seleções estava no conjunto e na quantidade de jogadores decisivos.
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“O que mais marcou foi o time, o alto nível dos jogadores. Praticamente todos eram craques”, recorda.
Ao comparar as gerações, ele cita nomes como Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel, protagonistas do tetra, além de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, símbolos do penta. Na avaliação dele, a Seleção atual ainda não transmite a mesma segurança.
“Hoje a gente tem o Vini Jr. como craque do time, mas não dá para comparar com aquela geração. Tem muita diferença”, afirma.
Maximiliano também reconhece que sua forma de torcer mudou. Depois de ter vivido períodos em que o Brasil chegava à Copa cercado de favoritismo, ele diz que hoje acompanha a Seleção com menos expectativa. Para ele, equipes como França, Espanha e Portugal chegam mais prontas no cenário internacional.
“Eu não tenho expectativa do Brasil campeão agora. Quem sabe em 2030”, avalia.
Quem nunca viu: uma geração criada pela espera
Do outro lado dessa história está Mirella Dias de Assunção, de 20 anos. Nascida depois do último título mundial, ela representa a geração que cresceu ouvindo falar do pentacampeonato, mas sem ter vivido o momento em que o Brasil parou para comemorar uma Copa.
Para Mirella, o título de 2002 sempre apareceu como uma lembrança coletiva, mas distante.
“Eu cresci ouvindo as pessoas falarem do pentacampeonato como se tivesse sido um momento histórico inesquecível, mas eu nunca vivi isso. Parece quase uma história que todo mundo conhece, mas que eu só ouvi contar”, relata.
Desde 2002, o Brasil disputou cinco Copas sem voltar a uma final. Caiu nas quartas de final em 2006, 2010, 2018 e 2022, e foi eliminado na semifinal em 2014, quando sediou o torneio. Para Mirella, mesmo sem acompanhar futebol de forma técnica, a pressão sobre os jogadores parece ter aumentado com o tempo, principalmente por causa das redes sociais.
“Acho que hoje a cobrança é muito maior e tudo é muito mais exposto. Parece que existe mais pressão em cima dos jogadores e das decisões da seleção”, diz.
Apesar disso, ela acredita que ver o Brasil campeão pela primeira vez seria um marco para sua geração. Não apenas pelo futebol, mas pelo sentimento coletivo que uma Copa desperta no país.
“Seria muito legal ver o Brasil campeão pela primeira vez enquanto eu acompanho. Seria um momento marcante para o país inteiro”, afirma.
Para Mirella, uma nova conquista teria peso especial justamente porque muita gente da sua idade nunca viveu essa experiência. A comemoração, segundo ela, seria uma chance de criar memórias próprias, e não apenas repetir histórias contadas por outras gerações.
“Seria uma experiência nova, algo para comemorar junto e criar memórias que até hoje só ouvimos nossos pais e avós contarem”, resume.
Entre Maximiliano e Mirella, a Seleção Brasileira ocupa lugares diferentes na memória. Para ele, a Copa remete a títulos, craques e ruas tomadas pela certeza da vitória. Para ela, ainda é promessa, expectativa e desejo de viver, enfim, o grito que o Brasil não solta desde 2002.
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