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'INTERVENÇÃO IRREVERSÍVEL' 15.12.2024 | 13h15

Especialista avalia intervenção de obras no Morro de Santo Antônio

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Ana Clara Abalém - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Hamilton Batista

Hamilton Batista

A parte topográfica e de limpeza para a estruturação de uma trilha alternativa no Morro de Santo Antônio foi finalizada na semana passada, conforme a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). A próxima etapa da obra é a implantação de uma trilha de pedra, que será acrescentada às já existentes. No entanto, os moradores e turistas que frequentam o ponto turístico, localizado em Santo Antônio do Leverger (34 km ao sul de Cuiabá), contrapõem que a construção está danificando a paisagem. 

 

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O consultou o professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso, Auberto Siqueira, que é também coautor em um estudo sobre as feições morfoesculturais do Morro de Santo Antônio (MSA). 

 

Para o especialista, é evidente que a construção acarreta sérios impactos para o monumento histórico, e além das questões geológicas, deve-se considerar também os aspectos sociais e culturais. 

 

“O que entendemos por paisagem, não envolve apenas a dimensão dos atributos físicos do terreno, mas também a dimensão cultural que esses atributos representam para a comunidade. Essas obras representam uma intervenção irreversível de grande magnitude, em ambas as dimensões da paisagem”, afirma o geólogo.  

 

O Estado de Mato Grosso criou o Monumento Natural Estadual de Santo Antônio (MNEMSA), em 2006, em que os 258 hectares que compreendem o morro foram considerados como uma unidade de conservação de proteção integral. Entretanto, é possível ver uma ‘cicatriz’ que corta a extensão leste do morro, a parte que é visível para a população da capital e de Várzea Grande. 

 

Segundo a Sinfra, os serviços realizados no local obtiveram uma licença ambiental junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A obra foi realizada no período chuvoso, o que, para o pesquisador, é um fator agravante para a situação. 

 

“Mesmo que se tratasse de uma obra necessária, se não fosse em uma unidade de conservação integral criada pelo próprio governo do estado, evidentemente, que o período chuvoso é o mais inadequado possível para realizar obras em áreas de fortes declividades, portanto, altamente erodíveis”, aponta. 

 

“Os custos são muito maiores e os riscos também. Nessas circunstâncias, normalmente só se fazem obras como essa, quando se trata de situação emergencial e jamais por mero deleite voluntarioso, seja lá de quem for”, finaliza. 

 

Considerando todos os fatores, tanto naturais como sociais, na visão do especialista, o Morro de Santo Antônio e redondezas já sofrem grandes impactos. “Depende do que consideramos por degradação. Se for em relação aos atributos originais naturais, históricos e culturais, como venho expondo aqui, é evidente que o MSA já foi degradado”, conclui. 

 

Testemunho geológico

O Morro de Santo Antônio também tem grande valor científico. Ao longo de milhões de anos, esse realce topográfico está sobre um longo processo erosivo. “Ele (MSA) passou também por enormes mudanças climáticas planetárias, como desertos e glaciações. Enquanto todas as elevações ao seu redor foram arrasadas, ele resistiu.  Por isso esse morro é considerado Morro Testemunho nas geociências”, explica o pesquisador. 

 

“Essa resistência está num delicado equilíbrio entre as forças do clima e a resistência extraordinária das rochas que o compõem.  Não era de bom alvitre mexer nesse equilíbrio, pois para consertá-lo, obras cada vez mais invasivas serão necessárias para conter a inevitável erosão, descaracterizando completamente essa unidade de conservação” finaliza. 

 

O monumento também tem grande influência para a população local. “Além desses atributos, diríamos imateriais, ainda encontramos ali ervas medicinais importantes para as comunidades vizinhas, além de muitos outros atributos geológicos que ainda estão sendo estudados e grande variedade de habitats para a fauna em geral”, pontua.

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Comentários

Neto Queiroz - 15/12/2024

Parabéns ao Dr. Auberto pela explanação.

Benedito da costa - 15/12/2024

Quem foi esse otario que teve essa ideia de abrir clareira no morro de Sro Antônio. Só pode ser um jerico. Ainda está em tempo de recompor a mata derrubada. A trilha tem que ser natural e não feita pela mão do homem com maquinários. É assim que o Estado trata a natureza?

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