Deu em A Gazeta 30.07.2019 | 08h06

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Marcus Vaillant
Há aproximadamente 30 anos Cuiabá ganhava a escultura de uma das mulheres mais revolucionárias da história da Capital. Pelas mãos do artista plástico Haroldo Tenuta, em 1989, Maria Taquara era representada em bronze e fixada numa das regiões de mais movimento, o centro da cidade. Mas quem passou na segunda-feira (29) pela praça com o mesmo nome, não encontrou a mulher alta de pernas compridas. Só restou o concreto com o nome. A estátua não está mais lá e a dúvida ficou entre os cuiabanos.
A diarista Maria Lúcia Ferreira, 37, conta que todos os dias utiliza o ponto da praça como embarque. Ela diz que tomou um susto quando não viu a estátua. “É uma história e que atravessa gerações, é algo que estamos acostumados a ver diariamente. Não tem quem não notou que a estátua não está mais aí. Tirar assim sem explicar deixa a dúvida se vai ser colocada de volta”, afirma.
A universitária Larissa Martins, 19, também expôs o temor da estátua não mais retornar, como ocorreu com o coreto que existia na praça do Porto. Larissa diz que a escultura de bronze chama a atenção e instiga as pessoas a conhecerem sobre a história e, consequentemente, sobre Cuiabá. “É muito além do que estar no livro, nos artigos. Ter a escultura é reconhecer a importância que teve esta mulher naquela época”, avalia.
Maria Taquara, como foi apelidada, viveu em Cuiabá na década de 40. O apelido veio devido à altura e magreza. Vivia de lavar roupas para algumas famílias. Ela ficou famosa porque era muito corajosa e desafiava os padrões sociais da época. Tanto que foi a primeira mulher a usar uma calça comprida. A origem de Maria Taquara é desconhecida. A história da mulher que virou “lenda” vai muito além da lavadeira. Soldados do 16º Batalhão de Caçadores chegaram a ser punidos. Eles pulavam o muro do quartel para encontrar com a mulher num barracão aos fundos. “Pode ser até uma estátua, mas temos que reconhecer que ela foi muito importante e não deve deixar de ser representada. Tomara que a prefeitura não deixe Maria Taquara em um canto”, ressalta o ambulante Francisco Dias de Assis.
Restauração
Em nota a Prefeitura de Cuiabá informou que a escultura foi retirada para receber um trabalho de restauração, feito com o intuito de garantir a preservação do histórico monumento. O processo é coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, e tem prazo de 90 dias para ser finalizado.
A gestão municipal afirmou que a revitalização da estátua é um complemento das ações de melhorias realizadas na praça. O trabalho teve início com a substituição do antigo ponto de embarque e desembarque de passageiros por uma estrutura construída com contêiner. Houve ainda a troca do piso, da iluminação e instalação de um novo ponto de mototaxistas.
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