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DO ABUSO À ADULTIZAÇÃO 30.08.2026 | 15h00

Exposição de crianças nas redes desafia famílias, Estado e plataformas

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

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Com crianças cada vez mais conectadas, cresce a preocupação com os riscos das redes sociais. Violência sexual, adultização, exposição excessiva, inteligência artificial e uso indevido de imagens estão no centro de um debate que também alcança Mato Grosso.

 

No Brasil, 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos utilizam a internet, segundo a TIC Kids Online Brasil 2025. Entre eles, 71% acessam redes sociais. O contato começa cedo: 33% das crianças de 9 e 10 anos já estão nessas plataformas.

 

Para a advogada Bruna Garcia Santos, especialista em Direito de Família e Sucessões, os riscos deixaram de estar apenas fora de casa. “Uma criança não precisa mais sair de casa para estar exposta a pessoas desconhecidas, conteúdos inadequados, assédio, violência, exploração sexual, cyberbullying ou outras situações incompatíveis com sua idade”, afirma.

 

Pesquisa divulgada em 2026 pelo UNICEF Innocenti, ECPAT International e Interpol estima que 19% dos brasileiros entre 12 e 17 anos, cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes, sofreram alguma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia no período de um ano.

 

Em Mato Grosso, uma investigação da Polícia Civil encontrou, em fevereiro de 2025, mais de 2 mil arquivos de abuso sexual infantil armazenados e compartilhados pela internet por um suspeito em Guarantã do Norte. O cenário se soma ao crescimento de 21% nos processos por estupro de vulnerável no Estado, que passaram de 1.714, em 2023, para 2.082, em 2024.

 

Outro ponto de alerta é a exposição feita pelos próprios adultos. Crianças que nem sequer possuem redes sociais podem ter fotografias, vídeos, escola, localização e rotina divulgados por familiares. Segundo Bruna, após a publicação, esse material pode ser “copiado, armazenado, compartilhado, manipulado ou até mesmo retirado de seu contexto original”.

 

A inteligência artificial amplia o problema ao possibilitar a manipulação de fotografias reais e a produção de deepfakes sexualizados. Paralelamente, a discussão sobre a “adultização” de menores ganhou repercussão nacional e reforçou questionamentos sobre os limites da exposição infantil nas redes.

 

Desde março de 2026, o ECA Digital estabelece novas obrigações para redes sociais, aplicativos, jogos e plataformas de vídeos. A legislação prevê mecanismos de aferição de idade, maior proteção à privacidade, ferramentas de supervisão parental e medidas contra exploração sexual, violência, assédio e conteúdos impróprios.


Apesar do avanço da legislação, a advogada reforça que a proteção também depende do acompanhamento familiar. “Nem tudo aquilo que é permitido juridicamente é necessariamente adequado para uma criança.” Para ela, idade, maturidade, conteúdos acessados, tempo de exposição e interações mantidas na internet precisam ser observados pelos responsáveis.

Bruna defende que Estado, plataformas e famílias compartilhem essa responsabilidade. “A proteção jurídica e a prevenção familiar não devem ser tratadas como alternativas, mas como medidas complementares.”

 

Com milhões de menores conectados e casos de abuso chegando também às investigações em Mato Grosso, a discussão já não se resume ao tempo diante das telas. O desafio passa por garantir que o ambiente digital seja compatível com a segurança de crianças que ainda não possuem maturidade para compreender todos os riscos da exposição.

 

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