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3 ANOS E 5 MESES 28.08.2021 | 13h51

Filha de verdureiro atropelado reclama de demora no processo

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João Vieira

João Vieira

A morte do verdureiro Francisco Lúcio Maia completa 3 anos e 5 meses sem nenhuma audiência referente ao atropelamento que tirou sua vida. O processo na esfera cível, em que a família requer indenização, já foi adiada várias vezes e segue sem acordo entre as partes. A filha da vítima, Francy da Silva Lúcio, cobra resposta e garante que a justiça “não é igual para todos”, pois se fosse o contrário o pai estaria preso e condenado.


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O trabalhador foi atropelado pela médica Letícia Bortolini, na avenida Miguel Sutil. Além de matar o verdureiro, ela fugiu do local do acidente e negou socorro. Sendo presa horas depois em sua casa.


Três laudos periciais foram realizados, além de reconstituição do crime. As conclusões foram que ela dirigia acima da velocidade permitida na via.


“A gente está nessa espera há mais de 3 anos. O sentimento que temos é que a Justiça não é igualitária para todos. Por meu pai ser humilde, menos favorecido, se tivesse atropelado ela, acha que não estaria preso até hoje? Por que essa demora? Por que a Justiça não acontece?”, questiona a feirante.


Segundo ela, a audiência sobre o atropelamento nunca foi marcada, apesar de ter laudos e várias testemunhas. Já a ação cível tinha sessão marcada para dia 30 de junho e foi adiada sem remarcação de nova data.


“O que a gente sente é que estão enrolando, até hoje só teve uma audiência para decidir sobre conciliação. Não teve acordo e o processo continua. Só isso”, afirma.


Francy Lúcio afirma que o processo criminal está parado há dois meses. Inconformada com a demora, buscou informação e disseram que era porque alguns documentos estavam ilegíveis e precisaram ser repostos.


“Tudo isso só para reimprimir algumas páginas. São três anos de espera e nada. Não sei mais o que falta para marcar a audiência”, diz indignada.


Após a morte do pai, a mulher saiu do emprego para trabalhar na banca de verduras que era mantida pela vítima. Ela e o esposo tiram o sustento da venda de vegetais.


Em consulta processual, foi constado que o último andamento do processo foi em junho deste ano.


O caso

O verdureiro Francisco Lúcio Maia foi atropelado pela médica no dia 14 de abril de 2018, na avenida Miguel Sutil, em Cuiabá.
Imagens de câmeras de segurança da avenida mostram o momento em que o homem é arremessado contra uma árvore.


A investigação aponta que a médica estava em alta velocidade e dirigia sob efeito de álcool.


O laudo mais recente, divulgado em março desse ano, concluiu que ela dirigia a 101 km/h quando atingiu o verdureiro. O homem morreu no local.

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