Publicidade

Cuiabá, Terça-feira 15/09/2026

Colunas e artigos - A | + A

15.09.2026 | 13h05

Ecologia Integral na visão dos Papas Francisco e Leão XIV

Facebook Print google plus

Juacy da Silva

Reprodução

Reprodução

“Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das mudanças climáticas, do desmatamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade. Em várias partes do mundo, é evidente que a nossa terra está caindo na ruína. Por todo o lado, a injustiça, a violação do direito internacional e dos direitos dos povos, a desigualdade e a ganância provocam o desmatamento, a poluição, a perda de biodiversidade”. Papa Leão XIV em sua mensagem para o 10° Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação de 2025, Vatican News, 02/07/2025.


Estamos em pleno período, entre 01 de setembro e 04 de outubro, quando as Igrejas Cristãs — Católica Romana, Ortodoxa e Evangélicas — celebram o Tempo da Criação, cujo tema deste ano de 2026 é ÁGUA VIVA, que nos remete à grave crise hídrica que se abate sobre o planeta, inclusive afetando bilhões de pessoas no planeta e dezenas de milhões no Brasil, a imensa maioria famílias pobres, excluídas e oprimidas.


No mundo em torno de 2,1 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e 3,4 bilhões não têm saneamento básico. Essa situação é responsável por mais de 1,4 milhão de pessoas, a imensa maioria de pobres e excluidos.


No Brasil a situação também e muito grave. Apesar de sermos a 10ª maior economia do planeta, ainda existem em nosso país mais de 34 milhões de pessoas sem acesso `a água potável e mais de 90 milhões sem esgotamento sanitário. Esta situação é diretamente responsável por mais de 12 mil mortes anuais, além de mais de 340 mil internações, também a imensa maioria da população pobre e excluída.


Neste processo de reflexão e ação, nada melhor do que voltarmos às exortações do Papa Francisco, seguidas em grande parte pelo Papa Leão XIV, tanto na defesa da ecologia integral quanto dos pobres e oprimidos, insistindo ambos na necessidade de mudarmos radicalmente os paradigmas que alimentam “esta economia que mata”, a Economia da Morte, por outros paradigmas que embasem a Economia da Vida.


Além de vários momentos significativos que constam do CALENDÁRIO ECOLÓGICO nesses 34 dias do TEMPO DA CRIAÇÃO, seria ótimo se todas as Igrejas, a começar pela Igreja Católica, de quem o Papa Francisco foi seu pastor durante mais de uma década, pudessem refletir e agir tanto em relação a esses momentos ecológicos quando procedermos a uma re-leitura da Encíclica Laudato Si, bem como tantas outras exortações feitas pelo Papa Francisco em seus pronunciamentos, outras Encíclicas e Exortações Apostólicas.


Este é o sentido e o significado desta minha minha mensagem que seguirá por outros neste Tempo da Criação, retomando alguns aspectos de tantas exortações e recomendações do Papa Francisco `a sua Igreja, que, mesmo já tendo transcorrido mais de 11 anos da publicação da Encíclica Laudado Si, ainda continuam desconhecidas e pouco seguidas por boa parte, talvez a maior parte de nossas Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Paróquias e Comunidades Eclesiais, relembrando que para a Igreja Católica OMISSÃO É PECADO, e neste caso da ecologia integral, PECADO ECOLÓGICO.


Conceito de pecado ecológico
Este conceito é importante para compreendermos a conversão ecológica e a cidadania ecológica, bem como propostas como a Economia de Francisco e Clara, o Pacto Global pela Educação, a cultura da paz e a civilização do amor.


O portal A12 – Arquidiocese de Aparecida pontuou que “No Sínodo da Amazônia, em 2019, surgiu um tema sobre a inclusão de um novo conceito no Catecismo, o ‘pecado ecológico’”.“Propomos definir o pecado ecológico como uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. É um pecado contra as gerações futuras...”


Se o pecado ecológico vai ou não ser incluso no Catecismo isso ainda não sabemos, mas a questão levanta muitas reflexões. O missionário redentorista padre Antonio Fidalgo, acredita que a insistência e a urgência de identificar esse novo conceito tem um peso para a consciência humana, que parece não ter acordado para a situação real das riquezas naturais.“Requer colocar a questão dentro do apelo à conversão integral para ouvir os gritos da terra, os gritos dos pobres e as pessoas que sangram por todo o mundo com esta ferida ecocida”, assinala. Ref Uma compreensão sobre o “pecado ecológico” artigo de Elisangela Cavalheiro, 30/01/2024.


Vamos aproveitar o Tempo da Criação para aprofundarmos um pouco mais nessas questões que, direta ou indiretamente, dizem respeito a nossa caminhada de uma Igreja Sinodal, Samaritana e Profética que faz opção pela defesa da vida, todos os tipos de vida, pelos pobres.


Origens da crise socioambientala
“A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doenças que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos.. Por isso entre os pobres mais abandonados e maltratados , conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que está “ gemendo como em dores do parto”. 


“Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus, quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a terra de suas florestas naturais ou destruindo suas zonas úmidas, quando os seres humanos contaminam as águas e o solo, o ar tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureza é um crime contra nós e um pecado contra Deus”.


“O urgente desafio de proteger a nossa Casa Comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. “Os jovens exigem de nós uma mudança, interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.


Esta é também a mesma indagação que fazemos a milhares de candidatos e candidatas a parlamentares estaduais, federais, governadores e presidência da República, que praticamente omitem propostas relacionadas aos graves desafios socioambientais e políticas públicas para enfrentar tais desafios, nas eleições gerais de 2026.


Poluição e mudanças climáticas
“A terra, nossa Casa Comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo”. (LS, 21)
“Ainda não se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exija limitar, o mais possível, o uso dos recursos não renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando-os e reciclando-os”.


O clima como bem comum
“O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos...” 
O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. Em nível global, é um sistema complexo que tem a ver com muitas das condições essenciais para a vida humana. Há um consenso científico, muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático”.


“A humanidade e chamada a tomar consciência da necessidade de mudança de estilo de vida, de produção e de consumo, para combater esse aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam”.


“Isto é particularmente agravado pelo modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, o qual está no centro do sistema energético mundial. E inclui, também, a prática crescente de mudar a utilização do solo , principalmente pelo desmatamento para finalidade agrícola” (agropecuaria e mineração).
“A perda das florestas piora a situação, pois essas ajudam a mitigar as mudanças climáticas” LS 24 “As mudanças climáticas são um problema global, com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade”.


A questão da água.
“A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância...”.


“Outros indicadores da situação atual têm a ver com o esgotamento dos recursos naturais. É bem conhecida a impossibilidade de sustentar o nível atual de consumo dos países mais desenvolvidos e dos setores mais ricos da sociedade, em que o hábito de desperdiçar e jogar fora atinge níveis absurdos. Já ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza. A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é imprescindível para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. Grandes cidades que dependem de importantes reservas hídricas, sofrem períodos de carência do recurso que, nos momentos críticos, nem sempre se administra com uma gestão adequada e com imparcialidade”.


“Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres, são frequentes as doenças relacionadas com a qualidade da água, incluindo as causadas por micro-organismos e substâncias químicas”.


“Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-o uma mercadoria sujeita às leis de mercado.” 


“Uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem de seu uso” 


Considerações finais
A leitura dessas exortações, se refletida criticamente, poderá servir de base para análise da realidade e construção de saídas por meio de políticas públicas.Como cidadãos, devemos exigir de nossos governantes, em todos os níveis e poderes, e dos organismos de controle (MPF, MPE, Defensoria e Tribunais de Contas), um compromisso maior para que a Constituição e todo o ordenamento jurídico ambiental sejam cumpridos.


De forma semelhante, é fundamental o desenvolvimento de campanhas públicas, utilizando-se de todos os meios e veículos disponíveis, para despertar na população a consciência de que precisamos cuidar melhor do planeta Terra, a partir de nosso espaço imediato; nossas moradias, nossos bairros, comunidade, municípios, estados e o país como um todo.


A omissão diante dos desafios, pecados ecológicos e crimes ambientais contribui para o agravamento da crise socioambiental e terá grandes impactos para as atuais e, principalmente, para as futuras gerações.


Este é o sentido quando o Papa Francisco diz que “hoje não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social... para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”.


Os desafios da ecologia integral devem caminhar lado a lado com a Justiça Social, Justiça Climática, Justiça Econômica, Justiça Intergeracional, Justiça de Gênero e gestão pública transparente, eficiente, sustentável, inclusiva e ética.


Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro-Oeste. Email: profjuacy@yahoo.com.br – Instagram: @profjuacy – WhatsApp: 65 9 9272 0053

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Publicidade

Edição digital

Terça-feira, 15/09/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.