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'Cultivando Vida Sustentável' 17.10.2026 | 14h20

Florada dos ipês inspira coleta de sementes para produção de mudas nativas em Mato Grosso

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Divulgação

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A florada dos ipês-brancos e amarelos pelas avenidas de Sorriso, além de embelezar a paisagem urbana, também marcou o período de coleta de sementes das árvores, realizada em setembro deste ano. O material será utilizado na produção de mudas no Viveiro “Cultivando Vida Sustentável”, instalado no campus do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), em Sorriso, em parceria com a Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso).

 

A floração ocorre entre julho e setembro, justamente no período mais seco do ano no Cerrado mato-grossense. O estresse hídrico, associado ao calor intenso, estimula o florescimento como estratégia de reprodução e perpetuação da espécie.

 

“Acompanhamos as espécies que produzimos e observamos quando começa o período de produção de sementes. Assim que isso acontece, iniciamos a coleta”, explica a responsável técnica pelo viveiro, a engenheira florestal Bruna Estela Valério.

 

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As mudas de árvores nativas produzidas no viveiro são utilizadas na revitalização das nascentes do rio Tenente Lira. Desde o início do projeto Águas do Lira – Seja Amigo de uma Nascente, em 2020, mais de 15 mil mudas já foram plantadas ao longo da bacia hidrográfica do rio.

 

Por ano, o viveiro produz mudas de 20 a 23 espécies nativas. As sementes das árvores encontradas na região de Sorriso são coletadas pelas equipes. Além do ipê, estão entre as espécies utilizadas o jatobá, o angico, o cedro, a mirindiba e a copaíba.

 

Segundo Bruna Valério, parte das sementes também é adquirida para abastecer a produção do viveiro. A coleta local, no entanto, é importante para verificar a qualidade do material e identificar árvores saudáveis, contribuindo para a produção de mudas adequadas às condições ambientais da região.

 

Chuvas abrem caminho para recuperar mais 15 nascentes do rio Tenente Lira

 

Com a intensificação das chuvas no fim do ano, o projeto Águas do Lira prevê avançar na revitalização de mais 15 nascentes. O levantamento mais recente apontou que, das 60 que apresentavam algum nível de degradação, 14 já foram revitalizadas, estão preservadas e seguem sob monitoramento das equipes técnicas.

 

O trabalho é conduzido pelo CAT Sorriso, em parceria com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o IFMT Campus Sorriso, a Prefeitura de Sorriso e produtores rurais.

 

A recuperação de uma nascente é um processo que exige tempo e acompanhamento. Em média, são necessários de três a cinco anos para que os resultados sejam consolidados. O plantio de espécies nativas é uma das técnicas utilizadas, pois a vegetação exerce papel decisivo na proteção dos recursos hídricos, funcionando como um filtro natural que reduz a chegada de sedimentos e de possíveis poluentes à água.

 

“As raízes e a própria parte aérea das espécies vegetais acabam servindo como uma barreira física, retendo esses sedimentos e impedindo que cheguem à nascente ou ao corpo d’água, ou, pelo menos, reduzindo a quantidade que chega”, explica o engenheiro florestal e professor do IFMT Campus Sorriso, Everton José de Almeida.

 

Além de proteger os recursos hídricos, as raízes ajudam a manter o solo firme e estruturado, reduzindo os riscos de erosão. A cobertura vegetal também funciona como um escudo natural contra o impacto das chuvas, contribuindo para a conservação do solo e da água.

 

“Cada nascente recuperada representa um compromisso do campo e da cidade com a sustentabilidade e com o futuro de Sorriso, que também conta com nascentes em áreas urbanas”, afirma Cristina Delicato, CEO do CAT Sorriso.

 

Sobre o CAT Sorriso 

Fundado por produtores rurais, o CAT Sorriso é uma associação sem fins lucrativos que há 24 anos trabalha para promover a evolução sustentável do agronegócio, por meio da inovação, da difusão de conhecimento e da adoção de práticas que conciliam produtividade e conservação ambiental.

 

Sua atuação abrange projetos de agricultura regenerativa, plantio direto, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e educação ambiental. A associação preza pela transparência de suas ações, valoriza as famílias do campo e desenvolve iniciativas voltadas à preservação ambiental, com foco em resultados concretos.

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