RISCOS À SAÚDE da mãe e do bebê 22.02.2026 | 13h00

ana.frutuoso@gazetadigital.com.br
Reprodução/Freepik
Mato Grosso registrou aumento de 5,47% no número de bebês nascidos vivos de mães adolescentes em 2025. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informam o nascimento de 3.415 crianças filhos de mães entre 12 e 17 anos no ano passado, contra 3.238 em 2024.
De janeiro a 13 de fevereiro de 2026, o estado já registra 183 nascimentos de bebês de mães menores.
Segundo Giovana Fortunato, ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a gravidez na adolescência está associada a maiores riscos à saúde materna e neonatal.
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“A adolescência é um período de mudanças importantes e, quando a gravidez ocorre muito cedo, o organismo da jovem ainda não está completamente preparado para sustentar uma gestação com segurança”, afirma.
Ela ressalta que a gravidez precoce é considerada um problema de saúde pública por estar associada a complicações como anemia, hipertensão específica da gestação, parto prematuro e baixo peso ao nascer. “Essas intercorrências podem comprometer tanto a saúde da mãe quanto a do recém-nascido, exigindo acompanhamento rigoroso no pré-natal e no pós-parto. Os riscos são ainda maiores entre adolescentes com menos de 15 anos, especialmente em situações de vulnerabilidade social e com acesso limitado aos serviços de saúde”, pontua.
Giovana alerta que, entre meninas de 10 a 14 anos, as complicações mais frequentes incluem síndromes hipertensivas graves, prematuridade e recém-nascidos com baixo peso, além de maior incidência de pré-eclâmpsia e eclâmpsia nessa faixa etária, condições que podem evoluir de forma grave e até fatal.
Explica também que a anemia nesses casos é mais comum porque a adolescente está em fase de crescimento e passa a dividir nutrientes com o feto, o que aumenta a demanda do organismo. Além disso, são mais frequentes casos de hipertensão gestacional, infecções urinárias e infecções sexualmente transmissíveis.
Vale destacar que os números disponibilizados pela SES são referentes aos registros de nascidos vivos nessa faixa etária, e não ao total de gestações, que pode ser maior. A mortalidade entre os bebês de mães adolescentes é maior que em mulheres adultas, isto porque o risco de baixo peso (menor que 2,5 kg) e prematuridade é mais elevado quando a mãe tem menos de 16 anos.
“A imaturidade biológica, associada a fatores como desnutrição e pré-natal inadequado, contribui para esses desfechos. O risco de óbito no primeiro ano de vida pode ser duas a três vezes superior em comparação aos filhos de mulheres adultas”, explica a doutora.
Além da saúde, as mães adolescentes também correm outros riscos que envolvem a falta de reconhecimento ou apoio do pai, possível rejeição familiar e situações de vulnerabilidade social, como pobreza e falta de suporte. A evasão escolar também é frequente, interrompe a formação da adolescente e dificulta sua inserção no mercado de trabalho.
O enfrentamento da gravidez na adolescência exige ações integradas entre saúde, educação e assistência social, com ampliação do acesso à informação, métodos contraceptivos e acompanhamento adequado das jovens. Para a médica, prevenir a gestação precoce e garantir pré-natal de qualidade são medidas fundamentais para reduzir complicações e proteger tanto a vida das adolescentes quanto a dos recém-nascidos.
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