DEU EM A GAZETA 27.05.2026 | 06h56

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Otmar de Oliveira
Número de homicídios entre adolescentes cresceu 49,5% no período de um ano em Mato Grosso. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os dados chamam mais atenção dentro do contexto, em que os dados gerais, incluindo as vítimas de todas as idades, praticamente se mantiveram iguais, sendo 1.105 em 2023 e 1.102 em 2024. Mas as mortes com vítimas entre 15 e 19 anos passaram de 107 para 160 no mesmo período.
Em cinco anos, o crescimento foi de 52,4%. O levantamento mostra ainda que, em 10 anos, 1.399 adolescentes entre 15 a 19 anos foram assassinados no Estado, representando 11% dos homicídios registrados. A guerra entre facções e o recrutamento cada vez mais precoce de jovens pelas organizações criminosas está entre os fatores de mortes entre este público.
A taxa de homicídios nesta faixa etária ficou em 56,3 a cada 100 mil, a quinta maior do país. Promotor de Justiça, João Batista de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), destacou que o conflito entre as facções pode contribuir para os homicídios. Mas existe uma soma de fatores que contribuem para o crescimento, entre eles confronto com a polícia, violência doméstica e “penas” aplicadas pelos “disciplinas” das organizações criminosas, a mando dos líderes.
No Brasil, de 2014 a 2024, 301.825 jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados — cerca de 75 por dia. Em 2024, 19.801 jovens tiveram suas vidas interrompidas, com taxa de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes. Jovens representam 46,5% das vítimas de homicídio no país.
“A violência letal entre jovens no Brasil é, sobretudo, um fenômeno masculino, fortemente associado a fatores estruturais. Entre eles, destacam-se normas de masculinidade que incentivam a exposição de homens jovens ao risco e a naturalização da agressividade como traço masculino (...) O crime se fortalece no descontrole do sistema de execução penal, ante a superlotação, que ajuda a desorganizar o sistema, e ainda na facilidade com que crianças e jovens são arregimentados para o crime pela falta de oportunidades e de perspectivas de uma trajetória de vida satisfatória, que lhes possibilite acesso aos meios econômicos para atingir os ideais de sucesso em uma economia de mercado”, diz o estudo.
Professora de Criminologia e Direito Penal da Universidade Federal de Mato Grosso, Vladia Soares destacou que o Estado é rota estratégica do tráfico por fazer fronteira com a Bolívia. Isso aumentou o recrutamento de adolescentes pelo tráfico, assim como conflitos entre facções em bairros periféricos e cidades do interior.
“O Atlas mostra que a maioria esmagadora dos homicídios de adolescentes ocorre com arma de fogo. Entre vítimas de 15 a 19 anos, mais de 80% morreram baleadas”, enfatizou.
Outro lado
A Secretaria do Estado de Segurança Pública destacou que o Atlas traz informações de 2024. Enfatiza que, a partir de novembro de 2024, com a criação do Programa Tolerância Zero às Facções Criminosas, fortaleceu as ações de prevenção e repressão à criminalidade, instituindo novas delegacias, aumento do efetivo das forças policiais, investindo em armamento, viaturas, entre outras ações. Garante que os dados reduziram entre 2024 e 2025, com registro de 749 homicídios no último ano.
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