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25.09.2012 | 17h02

Índios fecham rodovia e cobram pedágio de até R$ 100 de condutores

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Armados com arcos e flechas os índios interditaram a rodovia estadual MT-170 e cobram pedágios dos condutores

(Atualizada às 17h45) Um grupo de índios da etnia Enawenê Nawe bloqueou a rodovia estadual MT-170 no município de Juína e cobra pedágio de todos os condutores que trafegam pela região. O bloqueio começou na manhã desta terça-feira (25) com cerca de 20 índios, mas no decorrer do dia, segundo a Polícia Militar, mais integrantes se juntaram ao movimento elevando para cerca de 60 indígenas no final da tarde. Armados com arcos e flechas eles não deixam nenhum veículo passar pelo local sem ser abordado. Segundo informações, eles estão cobrando R$ 100 para ônibus e caminhões, R$ 60 para caminhonete. Motociclistas também não escapam e precisam pagar um pedágio de R$ 30.

O bloqueio foi estrategicamente montado sobre a ponte do Rio Juruena. A região bloqueada fica a cerca de 60 Km da cidade na divisa entre Juína e Brasnorte. Há informações de que os indígenas pretendem manter a cobrança de pedágios por 15 dias.

Entre os motivos alegados pelos indígenas à Polícia Militar está a falta de estrutura nas aldeias, principalmente depois que um vendaval atingiu o local e todos os medicamentos e alimentos foram perdidos. Dessa forma, resolveram cobrar pedágio para levantar dinheiro para se deslocarem até Brasília, onde pretendem conseguir reunião com a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) para solicitarem mais recursos para o órgão regional em Juína. Alegam ainda que em 2011 realizaram outros protestos e ficou acertado com a direção nacional da instituição que recursos seriam disponibilizados para melhorias ao atendimento da saúde nas aldeias, o que não aconteceu.

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Índios apresentam carta com reivindicações explicando os motivos da cobrança de pedágio

Os indígenas alegam ainda que em acordos anteriores também ficou definido que a Funai de Brasília iria providenciar a abertura de estradas até os limites das terras indígenas para melhor interligar todas as aldeias e facilitar a locomoção entre eles, inclusive a chegada de medicamentos e alimentos. Contudo, na prática nada disso se tornou realidade. A coordenação regional da Funai em Juína foi procurada pela reportagem, mas os telefonemas não foram atendidos.

Contudo, o coronel PM Manuel Santos, chefe do Comando Regional 8 informou que a instituição já tem conhecimento dos fatos. De acordo com Santos, o bloqueio acontece de forma pacífica e está sendo monitorado pelo serviço reservado da Polícia Militar. Garante que uma equipe da Força Tática está pronta para agir em caso de algum conflito e apta para interceder em qualquer situação caso saia do controle. Uma associação que reúne índios de várias etnias da região, segundo o coronel Santos, também está intermediando a situação e conversando com os indígenas que participam do bloqueio. “Motoristas que passam pela região estão colaborando com eles (índios), não sabemos se é porque estão de acordo com as reivindicações deles, ou se é por medo de algum conflito”, disse o policial.

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