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Paixão entre os brasileiros 09.06.2026 | 15h19

Moradores resgatam tradição e ruas de Cuiabá ganham verde e amarelo para torcer pelo Brasil

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Nicolly Costa - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

Isabele Nery

Isabele Nery

Às vésperas do início da Copa do Mundo, a empolgação toma conta de Cuiabá, com casas decoradas, bandeirolas e ruas pintadas. O clima de festa verde e amarela reforça a paixão dos brasileiros pela Seleção e pelo futebol.

 

Tradição antiga, a pintura de ruas durante o período da Copa é um símbolo da cultura brasileira que atravessa gerações. Com o objetivo de unir vizinhos, amigos e familiares, moradores do bairro CPA I se mobilizaram para decorar as vias com bandeiras, símbolos regionais e homenagens à Seleção Brasileira, transformando os espaços urbanos em cenários de celebração.

 

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A tradição reúne moradores de diferentes idades em um esforço coletivo para decorar as ruas e fortalecer o espírito comunitário. Além de embelezar o bairro, as artes reforçam o entusiasmo que a competição desperta no país.

 

Incentivadora das pinturas, uma antiga moradora conhecida como Vó Maria era quem mobilizava a vizinhança para a decoração. No entanto, após sua morte, há pouco mais de dez anos, a celebração começou a perder força e quase desapareceu.

 

A aposentada Leonice dos Anjos Santana, 71, moradora do CPA I há 47 anos, foi uma das responsáveis por reunir novamente a comunidade para reacender a tradição. Mesmo sem ser uma grande fã do esporte, ela afirma que o que mais a encanta é o sentimento de união proporcionado pelo futebol.

 

“Eu não gosto muito de futebol, mas amo a união que ele traz. É uma época em que todo brasileiro se junta, e isso me atrai muito. Por isso, mesmo não sendo fã, vou assistir aos jogos. É a alegria dele que realmente nos faz vibrar”, relata.

 

Para Leonice, manter a tradição também é uma forma de preservar a memória de Vó Maria e o sentimento de coletividade que ela ajudou a construir no bairro. Graças ao esforço dos moradores, as ruas do CPA I voltaram a ganhar cores, fortalecendo os laços entre os vizinhos e mantendo viva uma das manifestações mais marcantes da cultura popular durante a Copa do Mundo.

 

“Todos os moradores sempre foram unidos. Nunca houve desentendimentos ou brigas entre nós. A Copa veio para animar ainda mais esse sentimento e trazer de volta algo que já existia”, afirma a moradora.

 

Para as pinturas, Leonice e os demais moradores organizaram uma vaquinha para custear os materiais. Alguns vizinhos também confeccionaram as próprias bandeirinhas para decorar as ruas.

 

Além disso, eles planejam instalar telões para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira, marcada para sábado (13). A ideia é reunir toda a comunidade para assistir à partida e fazer um grande churrasco.

 

“Eu fui de casa em casa convidando todo mundo. Todos quiseram participar e contribuir. Até as crianças ajudaram a pintar a rua. Foram dias lindos”, relembra.

 

As pinturas foram realizadas pelo pintor e artista plástico Ademir de Melo Carvalho, responsável por criar os desenhos que estampam as vias do bairro. Segundo ele, o objetivo foi representar o espírito brasileiro em cada detalhe.

 

“Eu sou o artista que fez os desenhos, mas foram todos os moradores que pensaram em realizar as pinturas. Esse trabalho é coletivo. Desde 2014, essa tradição não acontecia, somente agora os moradores voltaram a se unir para trazê-la de volta”, explica.

 

 

Tradição antiga

As pinturas nas ruas já são esperadas a cada copa, mas estavam tímidas nas últimas edições. Segundo a aposentada Dalva Neves, 71, a animação para a Copa do Mundo faz parte da história do bairro desde que ela chegou ao local.

 

“Antigamente a gente também fazia isso. Pintávamos e decorávamos as ruas e, depois, nos reuníamos na minha casa para comer bolo. Todos os vizinhos participavam”, recorda.

 

Dalva afirma que a Prefeitura de Cuiabá determinou que as pinturas sejam removidas das vias após o término da Copa do Mundo, o que preocupa os moradores.

 

“Recebemos um prazo de 30 dias para retirar tudo, mas não sabemos como fazer isso. A tinta é nossa, fomos nós que pintamos. Ainda estamos vendo o que faremos, mas gostaríamos de deixar as pinturas aqui”, lamenta.

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