o sonho das colinas douradas 14.12.2020 | 14h45

jessica@gazetadigital.com.br
“Meu sonho é ter minha casa”, afirma entre lágrimas Irani Aparecida da Silva, 67. Ela é uma das moradores do residencial Colinas Douradas, em Várzea Grande, e será despejada no local na próxima quarta-feira (16). Desesperada, ela não tem para onde ir com a neta de 11 anos. A energia elétrica foi cortada na manhã desta segunda-feira (14) e a presença da polícia é constante a fim de pressionar os ocupantes a deixarem o espaço.
Leia também - Semana será de calor com alerta de temporais em 14 cidades
O residencial ainda não foi concluído e há uma decisão judicial que determina a reintegração de posse para a construtora. A obra foi lançada em agosto de 2017 com previsão de conclusão em maio de 2018, mas até hoje não foram entregues, apesar de sorteio. Financiada com dinheiro do programa federal Minha Casa Minha Vida, R$ 17,4 milhões foram investidos nas moradias.
Diante das casas praticamente prontas e demora na entrega, várias famílias ocuparam o local em 9 de setembro de 2019. Eles haviam providenciadofornecimento de energia e água, assim como a coleta de lixo.
Desde a ocupação, atritos com a polícia são constantes. Em um dos confrontos um homem foi morto e a comunidade local fez vários protestos por conta de truculência policial.
Irani Aparecia morava em casa alugada no bairro Santa Izabel, em Cuiabá, quando soube do local e decidiu se mudar para lá. Ela já solicitou aposentadoria junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas ainda não teve resposta. Ela e a neta sobrevivem com dinheiro do auxílio emergencial fornecido pelo governo, Bolsa Família e renda obtida da venda de material reciclável. Ao todo, o “salário” soma R$ 280 para o sustento de ambas durante todo o mês.
“É muito difícil. Às vezes, as pessoas me dão comida. Meu sonho é uma casa. Eu cato latinha e coloco comida dentro de casa”, relata.
A moradora Maria Luciana Sales vivi no local com 4 filhos, o esposo e avó. O marido vendia artesanatos, mas está sem conseguir comercializar a produção. Não há renda e eles vivem com ajuda dos vizinhos, assim como a maioria das pessoas que estão no local.
“A gente morava de aluguel no Coxipó, antes de vir para cá. Não queremos de graça, queremos um acordo para pagar pela casa”, relata Maria Lúcia.
A idosa Maria Eva, 77, avó de Maria Luciana, está a espera de operação de hérnia. Ele tem boa saúde e passou a vida pagando aluguel. Seu sonho é ter um canto para chamar de seu. Aposentada, ela conta que já se inscreveu 3 vezes para receber casas populares, mas nunca foi contemplada.
“Achei que dessa vez eu ia conseguir. Não me importo de esperar, porque depois que legalizar a gente vai ter paz. Quero um canto para viver em paz com minha família. Eu amo e não me separo deles”, conta a aposentada.
Por conta da pandemia, as crianças do residencial estão estudando por meio de cartilhas fornecidas pela prefeitura. Já que não tem internet no local.
A maioria das casas não tem mais fechadura. Os imóveis são trancados com correntes. Cada uma é identificada com o nome do morador e, sem energia, os vizinhos se aglomeram na frente das casas. O lixo também se acumula na entrada no residencial.
Outro lado
A Prefeitura de Várzea Grande foi procurada e informou que a Secretaria Municipal de Assistência Social busca alternativas para amparar as famílias que ficarem desalojadas. A Caixa Econômica Federal (CEF) não encaminhou resposta.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.