CAMPANHA DE VACINAÇÃO 26.10.2026 | 16h45

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Francinei Marans
Uma criança de oito meses de idade morreu, no mês de setembro deste ano, em decorrência de meningite na cidade de Cuiabá. Ao todo, já foram seis vítimas da doença na capital ao longo deste ano. As informações são da Secretaria Municipal de Saúde e foram divulgadas nesta segunda-feira (26).
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Cuiabá contabilizava 27 casos confirmados de meningite até setembro de 2026. A doença já havia sido controlada, mas devido a disseminação de informações falsas sobre imunização, houve prejuízo na prevenção e consequentemente queda na cobertura vacinal.
A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, bactérias, fungos e outros agentes. As formas bacterianas estão entre as mais graves, especialmente em crianças pequenas, e podem evoluir rapidamente. Ela pode provocar sequelas graves e levar à morte.
Em 2024, Mato Grosso havia registrado 25 óbitos pela doença, já em 2025 foram 18. Já no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 6.169 casos de meningite e 781 mortes no primeiro semestre de 2025, dos quais 2.643 casos foram classificados como meningites bacterianas.
A cobertura vacinal também apresenta um histórico preocupante. Dados do Ministério da Saúde mostram que a vacinação contra a meningite meningocócica caiu de 98%, em 2015, para 73%, em 2022, período marcado por dificuldades para manter os índices de imunização infantil.
Nos últimos anos, entretanto, Mato Grosso apresentou recuperação. Segundo a SES-MT, a cobertura da meningocócica C passou de 76,2%, em 2021, para 91,4% em outubro de 2025. A pneumocócica 10-valente, que protege contra infecções por determinados tipos de pneumococo, inclusive algumas formas de meningite, avançou de 76,2% para 95,9%. A pentavalente também cresceu, passando de 76,2% para 87,7%.
Apesar da recuperação estadual, Cuiabá ainda apresenta índices que exigem atenção. Em abril de 2026, a cobertura da meningocócica C estava em 85,24%, enquanto a meningocócica ACWY alcançava apenas 50,72%, conforme dados divulgados pela Prefeitura.
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Negacionismo vacinal
Uma pesquisa do Ipec, divulgada em 2023, revelou que 67% dos pais e responsáveis entrevistados haviam recebido notícias falsas sobre vacinas, enquanto 35% afirmaram que essas informações provocaram hesitação em vacinar os filhos.
Uma investigação realizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pelo Instituto Questão de Ciência, com aproximadamente mil pediatras, também identificou a circulação de informações não confiáveis como um dos fatores associados à insegurança das famílias em relação à vacinação infantil.
A desinformação, no entanto, não explica sozinha as baixas coberturas. Dificuldades de acesso aos serviços de saúde, problemas na disponibilidade de doses e outros obstáculos também podem comprometer a imunização.
Embora a redução da vacinação aumente o risco de circulação de agentes infecciosos preveníveis, não há comprovação de que as mortes recentes por meningite em Mato Grosso tenham sido causadas diretamente pelo negacionismo ou pela falta de imunização.
O que a Prefeitura orienta
A Prefeitura de Cuiabá reforça que a vacinação é a principal estratégia de prevenção contra formas da meningite contempladas pelo calendário nacional. Os imunizantes estão disponíveis gratuitamente nas 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) da capital.
Pelo calendário do Sistema Único de Saúde (SUS), a meningocócica C é aplicada aos três e cinco meses de vida. Aos 12 meses, as crianças recebem o reforço com a meningocócica ACWY, também destinada a adolescentes de 11 a 14 anos. Outras vacinas, como a pentavalente e as pneumocócicas, protegem contra diferentes bactérias capazes de provocar meningite.
Entre os principais sintomas da doença estão febre alta, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez na nuca, sensibilidade à luz e manchas na pele. Em bebês, os sinais podem incluir irritabilidade persistente, sonolência excessiva, dificuldade para mamar e alterações no comportamento.
A orientação é procurar atendimento médico imediatamente diante de sinais suspeitos, principalmente em crianças pequenas. Além da vacinação, manter ambientes ventilados, higienizar as mãos e evitar contato próximo com pessoas doentes são medidas que ajudam a reduzir o risco de algumas infecções.
A Secretaria Municipal de Saúde também orienta pais e responsáveis a conferir a caderneta de vacinação e procurar a unidade de saúde mais próxima para atualizar eventuais doses em atraso.
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