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racismo 06.04.2023 | 12h40

Movimentos negros repudiam nome de operação ‘Março Negro’ que apura morte de onças

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Jolismar Bruno - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

Reprodução

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Movimentos negros de Mato Grosso emitiram nota de repúdio contra a operação da Polícia Civil denominada “Março Negro” onde 4 mandatos de prisão foram cumpridos contra suspeitos de decapitar duas onças-pintadas no estado.  Ao total, 23 entidades assinaram o manifesto.

 

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Na carta, os movimentos afirmam que a utilização do termo negro, associa mais da metade da população brasileira, que é negra e que se declara preta ou parda, à criminalidade, constituindo-se mais um contributo à dificuldade de superação do racismo e suas consequências em nossa sociedade.

 

A operação deflagrada pela Polícia Civil cumpriu, no dia 02, a prisão de envolvidos na decapitação de duas onças. O vídeo circulou nas redes sociais e causou revolta da população.

 

Entidades de defesa dos animais silvestres também emitiram nota contra o vídeo pedindo apuração por parte das autoridades e que os envolvidos fossem punidos severamente.

 

Até o momento a Polícia Civil não se manifestou.

 

Confira a nota completa

Nota em repúdio à denominação “Março Negro” para a operação deflagrada pela Polícia Civil do estado de Mato Grosso

 

Nós, representantes dos Movimentos Sociais Negros brasileiros repudiamos, veementemente a utilização da nomenclatura "Março Negro" para denominar a operação, por inúmeras razões, dentre as quais:

 

● com a utilização do termo negro, associa mais da metade da população brasileira, que é negra e que se declara preta ou parda, à criminalidade, constituindo-se mais um contributo à dificuldade de superação do racismo e de suas consequências em nossa sociedade;

 

● no dia 21 de março é considerado o “Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial”, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), por intermédio da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial em memória ao Massacre de Sharpeville, que ocorreu na África do Sul em 1966.

 

Vale lembrar que que o Estado Brasileiro promulgou a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial por intermédio do Decreto nº 65.810, de 8 de dezembro de 1969. Não se pode desconsiderar que, ao longo da história, a sociedade brasileira tem sido estruturada pelo racismo, transformando a população negra em alvo de violações de direitos, discriminação racial, violência e genocídio.

 

Portanto, o mês de março, assim como todos os meses do ano, não podem ser marcos de constrangimentos à dignidade humana dessa população. As organizações signatárias deste documento se congregaram para promover ações políticas em seu próprio nome, com base em valores que privilegiam a colaboração, a ancestralidade, a transparência, o autocuidado, a solidariedade, o coletivismo, a memória, o reconhecimento e o respeito pelas diferenças, a horizontalidade e o amor ao próximo e à natureza.

 

Em defesa da vida e da dignidade humana, exigimos a retratação e a Ilè retirada denominação "Março Negro" pelas razões expostas e nos colocamo-nos à disposição para construir uma agenda efetiva de combate ao racismo, começando pela formação continuada dos servidores/as da segurança pública de Mato Grosso, a fim de que fatos como este não voltem a ocorrer.

 

Parabenizamos a Polícia Civil do estado de Mato Grosso pela importante ação em defesa do meio ambiente e visando coibir crimes contra as onças pintadas.

 

Assinam:  

AIABA - Associação Interdisciplinar Afro-Brasileira e Africana

Centro Cultural Casa das Pretas - MT

Centro Espírita Nossa Senhora da Glória Coletivo Negro Universitário UFMT

Comissão de Defesa da Igualdade Racial - OAB/MT

Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Várzea Grande

Conselho de Políticas de Ação Afirmativa PRAE-UFMT

Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial

Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos –CONAQ

Favela Ativa

Fórum Matogrossense de Pesquisadoras e Pesquisadores em Relações Étnico-raciais Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Quilombola/PPGE/UFMT

Grupo de União e Consciência Negra-GRUCON

Ilé Àse Ti Tóbi Ìyá Àfin Òsùn Alákétu

Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso - IMUNE/MT  

Instituto de Formação Estudos e Pesquisas de Mato Grosso-IFEP-MT

Instituto Quariterê Ilè Okowoo Aşè Iyà Lomim'Osa

Mandato Coletivo pela Vida e por Direitos/Vereadora Edna Sampaio

Movimento Negro Unificado (MNU) -MT

Núcleo de Estudos Afro-brasileiro, Indígena e de Fronteira Maria Dimpina Lobo Duarte – NUMDI

Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre)

RENAFRO Núcleo Arapongas-PR União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro Pantanal-MT)

Rede MT Ubuntu/Polo Sinop 

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