17.04.2017 | 08h45
![]() Incra, em Cuiabá, amanheceu interditado por famílias do MST |
Cerca de 360 sem-terra ocuparam, no início da manhã desta segunda-feira (17), o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Centro Político Administrativo (CPA), em Cuiabá, para cobrar o assentamento imediato de 1 mil famílias que estão acampadas em vários pontos do Estado, em barracos de lona preta, à beira de estradas ou dentro de fazendas, sujeitas a despejo, vivendo em clima de insegurança.
Joao Vieira![]() |
Algumas dessas famílias já estão nessa situação há mais de 6 anos, de acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), ao qual são ligadas.
Manifestantes cobram ainda uma posição do Incra com relação à estruturação básica dos novos assentamentos, que ainda estão sem estrada, energia elétrica e água encanada. Famílias assentadas se sentem "abandonadas" pelo Estado nos locais, sem condições de construir casa ou qualquer financiamento para começar a lavoura.
Os acampados
No acampamento Cássio Ramos, em Cáceres, por exemplo, 40 famílias estão vivendo lá há uma década, na Fazenda Rancho Verde, e há pelo menos seis anos o caso está embargado no Judiciário. "Não anda", reclama Lucinéia Freitas, da direção do MST.
Esse acampamento remonta ao ano de 2007, quando o menino Cássio Henrique Ramos, filho de sem-terra, morreu atropelado aos 8 anos de idade. Estava havendo manifestação do MST no Centro de cidade e uma pessoa insatisfeita com o movimento jogou o carro para cima do menino.
Outras 600 famílias estão vivendo no acampamento Padre Ten Cate, em Jaciara, também sem saber onde serão assentadas e nem quando. "Neste caso, o local onde estão é insuficiente para todos", explica Lucinéia.
Já em Glória D´Oeste, são 70 famílias. Em Tangará da Serra mais 70, instaladas no acampanhamento Rosa Luxemburgo, e 60, no Che Guevara. Outras 180 famílias são do acampamento Padre Ezequiel, em Alto Paraguai.
O MST avalia que a reforma agrária está praticamente parada no país há anos, mas que a MP-759, de dezembro de 2016, proposta pelo governo do presidente Michel Temes (PMDB), é "uma pá de cal", encima dos sem-terra, como comenta a liderança do MST Lucinéia Freitas. "Já estava tudo parado, agora é para fechar questão, mas não vamos desanimar, embora o momento seja difícil" - assegura.
No Incra
No Incra de Cuiabá, o movimento chegou colocando suas faixas e impedindo que os funcionários entrem para trabalhar.
Até o fechamento desta matéria, o Incra ainda não havia se manifestado sobre a ocupação.
A ocupação está prevista para durar uma semana.
Confira o vídeo que mostra movimentação no Incra. Imagens de João Vieira.
A ocupação do Incra de Cuiabá faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.
José Vieira, da direção do MST, explica o motivo da mobilização. Imagens de João Vieira.
Massacre
A data de hoje foi escolhida pelo MST para iniciar uma série de protestos no país porque lembra o massacre de Eldorado dos Carajás, em que morreram 19 sem-terra, em uma emboscada feita pela Polícia Militar contra 1.500 homens, mulheres e crianças que estavam acampados na região da Fazenda Macaxeira e protestavam na rodovia BR-155, que liga Belém, capital, ao sul do Estado. O massacre completa 21 anos hoje.
Reprodução![]() Enterro dos sem-terra mortos marcado por lágrimas |
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