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VETERINÁRIA FAZ ALERTA 10.05.2026 | 10h05

Casos de leishmaniose em cães crescem 78% em Cuiabá

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Acervo Pessoal / Fotoarena / Chico Ferreira

Acervo Pessoal / Fotoarena / Chico Ferreira

O aumento dos casos de leishmaniose visceral canina em Cuiabá acendeu o alerta das autoridades de saúde e também de especialistas da área veterinária. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apontam que, entre janeiro e março de 2026, foram registrados 118 casos confirmados da doença em cães, um crescimento de 78,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Além do avanço da doença entre os animais, a preocupação também envolve os riscos à saúde humana, já que a leishmaniose pode ser transmitida às pessoas por meio da picada do mosquito-palha infectado.

 

Em entrevista ao , a médica veterinária Karol Anne Mendes explicou que diversos fatores podem estar contribuindo para o aumento recente dos casos na Capital.

 

“Os mosquitos procuram locais com matéria orgânica em decomposição, como quintais com folhas, frutas e fezes de animais. Outro ponto importante é a migração de cães infectados para regiões onde antes não havia registros da doença”, afirmou.

 

Segundo a médica veterinária, animais silvestres como gambás e raposas também podem atuar como reservatórios da leishmaniose. O avanço do desmatamento e a aproximação desses animais das áreas urbanas favorecem a circulação do parasita.

 

Entre os principais sinais da doença nos cães estão emagrecimento, feridas na pele, principalmente nas orelhas e no focinho, queda de pelos, crescimento anormal das unhas e problemas oculares.

 

O diagnóstico pode ser realizado por meio de testes rápidos imunocromatográficos, exames laboratoriais como ELISA e RIFI, além de exames parasitológicos. A orientação é que os tutores procurem um médico veterinário ao perceberem qualquer alteração no animal.

 

Apesar da preocupação, Karol Anne reforça que a doença não é transmitida diretamente entre cães e humanos. “Tanto a leishmaniose visceral quanto a tegumentar não são contagiosas. A transmissão acontece por meio do mosquito-palha, que pica um animal infectado e depois pode transmitir o parasita para outros animais e também para pessoas”, explicou.

 

Em humanos, Cuiabá já notificou dois casos da doença neste ano, sendo um confirmado e outro ainda em investigação. A veterinária alerta que a ausência de medidas preventivas também contribui para o aumento dos casos.

 

“A utilização de coleiras inseticidas, repelentes e antiparasitários ajuda bastante na prevenção. Além disso, é fundamental manter os quintais limpos e evitar o acúmulo de matéria orgânica”, orientou.

 

A SMS reforça que a principal forma de prevenção é eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor, mantendo quintais limpos e sem lixo acumulado. A Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) também disponibiliza testagem gratuita para cães em Cuiabá.

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