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VEJA DADOS 15.07.2026 | 10h00

Mulheres enfrentam sobrecarga crescente e desafio passa pela saúde emocional, alerta especialista

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Reprodução/Montagem GD

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As mulheres nunca ocuparam tantos espaços na sociedade quanto nas últimas décadas. Estão à frente de empresas, conquistam maior escolaridade, ampliam sua participação no mercado de trabalho e assumem posições de liderança. No entanto, esse avanço não significou uma redução das responsabilidades dentro de casa. Pelo contrário, estudos apontam que elas continuam acumulando jornadas de trabalho remunerado e não remunerado, cenário que tem refletido diretamente na saúde física e emocional.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens aos afazeres domésticos e aos cuidados com pessoas. Mesmo quando possuem emprego formal, seguem sendo as principais responsáveis pela organização da casa, cuidado com filhos, idosos e familiares.


Essa sobreposição de funções tem contribuído para o aumento do estresse, da ansiedade e do esgotamento emocional. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mulheres apresentam índices mais elevados de ansiedade e depressão quando comparadas aos homens. A própria OMS estima que os transtornos de ansiedade atingem, proporcionalmente, mais mulheres em praticamente todas as regiões do mundo.

 

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Para a terapeuta criativa, mentora de mulheres 40+, palestrante e idealizadora do Espaço 8, Isolda Risso, o problema está menos na quantidade de papéis desempenhados e mais na crença de que a mulher precisa executá-los com perfeição.
"A mulher conquistou autonomia e ampliou sua participação na sociedade, mas ainda carrega uma cobrança histórica de ser impecável em todas as áreas da vida. Esse modelo é insustentável e produz culpa, exaustão e um sentimento permanente de insuficiência", afirma.


Segundo ela, muitas mulheres chegam aos processos terapêuticos acreditando que o problema está na falta de competência, quando, na realidade, vivem sob uma pressão social que naturaliza a sobrecarga.


"A sociedade ainda associa o valor feminino ao quanto ela consegue suportar. Mas ninguém consegue sustentar tantas responsabilidades sem que isso tenha impacto na saúde emocional."


Outro ponto que merece atenção, segundo Isolda, é a realidade das mulheres acima dos 40 e 50 anos. Além das mudanças hormonais e emocionais provocadas pelo climatério e pela menopausa, muitas enfrentam uma sensação de invisibilidade social justamente em uma fase marcada por experiência, maturidade e novas possibilidades.


"A maturidade deveria ser vista como potência, e não como perda. É nesse momento que muitas mulheres começam a olhar para si mesmas, revisitam sonhos antigos e descobrem que ainda há tempo para construir uma vida mais alinhada com quem realmente são."


Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que cerca de 30 milhões de brasileiras vivem atualmente o período do climatério, fase que antecede e sucede a menopausa. Apesar disso, o tema ainda é cercado por desinformação, preconceitos e pouco espaço para o debate público.


Para Isolda, discutir desenvolvimento emocional feminino tornou-se uma necessidade, especialmente em um contexto em que o adoecimento mental cresce de forma silenciosa.


Ela desenvolveu o método AMA — Amor, Maturidade e Autonomia — justamente para incentivar mulheres a reconstruírem sua relação consigo mesmas, abandonando padrões de perfeição e fortalecendo a autoestima de forma saudável.


"Não precisamos ensinar as mulheres a serem mais fortes. Elas já demonstram força diariamente. Precisamos ajudá-las a compreender que também podem descansar, estabelecer limites, pedir ajuda e reconhecer que seu valor não depende da capacidade de dar conta de tudo."


A especialista defende que a transformação começa quando a mulher deixa de buscar uma versão idealizada de si mesma e passa a reconhecer sua própria humanidade.


"A verdadeira liberdade não está em ser perfeita. Está em aceitar que existe uma mulher possível dentro de cada uma de nós, capaz de viver com autenticidade, dignidade e equilíbrio."


O tema será aprofundado por Isolda Risso na palestra "A Mulher Possível", que propõe uma reflexão sobre os desafios da mulher contemporânea, a sobrecarga emocional, a maturidade feminina e a construção de uma vida baseada em amor-próprio, autonomia e acolhimento. A proposta é provocar uma mudança de olhar: substituir a cobrança constante pela compreensão de que ser extraordinária não exige perfeição, mas autenticidade.

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