FEMINICIDA NÃO 23.01.2020 | 11h04

jessica@gazetadigital.com.br
João Vieira
“Nós, mulheres mato-grossenses, não ficaremos caladas”, afirma a procuradora Glaucia Amaral, presidente do Conselho Estadual da Mulher. A afirmativa vem após o Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense desistir da contração do goleiro Bruno Fernandes, pressionado por um protesto de mulheres na abertura do Campeonato Mato-grossense de Futebol, na terça-feira (21).
Leia também - Após repercussão, Operário VG desiste de contratar Bruno
Para a procuradora, a desistência é uma vitória e mostra que as mulheres têm voz. Que há possibilidade de serem ouvidas e atendidas. “Essa luta é uma preocupação muito grande com os altos índices de feminicídio em Mato Grosso. Temos estudos que demonstram o comportamento de agressores que, quando a mulher diz que vai denunciar, eles afirmam que elas podem ir à vontade, pois com eles não vai acontecer nada”, afirma a procuradora.
Desde o início do mês havia especulações sobre a contratação do goleiro. Depois, o time de Várzea Grande confirmou a negociação e esperava a autorização da Justiça de Minas Gerais, onde o atleta cumpre pena em regime semiaberto pelo assassinado da ex-namorada Eliza Samudio. A mudança para Mato Grosso foi autorizada e desde então mulheres do estado começaram a se organizar para protesto.
Na terça-feira, dezenas de pessoas que reprovavam a vinda do goleiro fizeram protesto em frente ao Estádio Dito Souza, onde o time fez sua estreia no Campeonato Mato-Grossenses. Oportunidade em que Bruno Fernandes jogaria, mas ele nem embarcou para o estado, pois a decisão que autorizava a mudança não tinha sido publicada.
Nesse meio tempo, o time perdeu patrocínios e logo anunciou a desistência da contratação do passe do goleiro. O caso ganhou repercussão nacional e várias entidades de combate à violência doméstica se manifestaram contra o retorno do atleta ao futebol.
Mesmo após a queixa, as mulheres precisam de proteção e as delegacias têm que estar em locais públicos, de fácil acesso ao transporte coletivo. Pois, quando saem da unidade policial, as mulheres estão em situação de risco.
“Nosso objetivo era não reforçar essa mensagem de que nada acontece com o agressor. Nossa preocupação era com a imagem e acredito que o time também acabou sentindo isso, de uma forma ou de outra. Ficamos felizes de saber que, na sociedade mato-grossense, podemos expor nossas ideias e pode existir até a ponderação do outro lado e o recuo em relação a proposta inicial”, declara.
A procuradora reforma que o Conselho está atuante na luta pelos direitos da mulher, não só no combate à violência doméstica. “As mulheres correspondem a 51% do eleitorado e seremos ouvidas”, finaliza.
Bruno foi condenado a 20 anos e 9 meses de prisão, porém, está solto desde julho de 2019, pelo sequestro e morte de sua ex-namorada, Eliza Samúdio, em 2010. Até hoje ele e os comparsas de crime não confessaram onde o corpo de Eliza foi escondido. Na época, eles tinham um filho pequeno.
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cidão - 23/01/2020
falta do que fazer com tantas coisas mais importantes para resolver desemprego dinheiro VTL o ministério publico preocupar com bruno.
1 comentários