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Cuiabá, Quarta-feira 27/05/2026

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PREFEITURA AUTORIZOU 27.05.2026 | 10h11

Obra do governo 'arranca' 6 grandes árvores e deixa rua de Cuiabá 'pelada'

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Yuri Ramires e Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Google/João Vieira

Google/João Vieira

Das 9 árvores de grande porte que faziam sombra e traziam frescor à rua Baltazar Navarros, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, apenas 3 estão em pé. Elas estavam plantadas ao longo da calçada, ao lado da obra do restaurante Prato Popular, do Governo do Estado. O prefeito Abilio Brunini se manifestou indignado com o fato, já o Estado alega que teve autorização da prefeitura.  

Um vídeo divulgado pela página 'Cuiabá Cidade Cinza', no Instagram, deu o alerta para o cenário de 'destruição' e não demorou para gerar revolta nos cuiabanos. Reportagem do esteve no local, na manhã desta quarta-feira (27) e conversou com quem trabalha e frequenta o espaço. 

 

Uma comerciante, que não quis se identificar, lamenta a situação. Ela vê o ato como "triste para a cidade" e lembrou que o espaço também era usado para socializar. 

 

“Não sabíamos que iam retirar a árvore. Sabíamos que iam mexer, mas não tínhamos noção de que seria isso, é muito triste. Muita gente vinha aqui comer, sentava por conta das árvores, conversava. Era mais fresco, era bonito. A cidade tem que ter mais árvores, não retirar as que têm”, afirmou.

 

Pauline Costa dos Santos é moradora de Campo Verde. Ela vem a Cuiabá com frequência para fazer tratamento de saúde em uma clínica próxima. Ela ficou revoltada ao chegar e encontrar o espaço "pelado". “Eu gostava muito dali por causa do clima, porque era fresco, tinha muita sombra e todo mundo se juntava para tomar café", lembrou.

 

Para ela, ver a retirada é uma 'tragédia'. Não é agradável, porque acaba destruindo o ambiente e também a nossa saúde. No lugar de um clima agradável, vai ter só poeira agora. O povo tem que pensar mais na natureza. Para mim foi decepcionante, foi triste chegar aqui e ver tudo aberto”, pontuou.

 

Já uma vendedora ambulante, que não quis ser identificada, classificou como positiva a retirada das árvores sob o argumento de que o espaço ficará "mais limpo e organizado". 

 

“Trabalho aqui há muito tempo e, até que enfim, retiraram essas árvores. Elas acabavam servindo de abrigo para pombos e acumulavam lixo, com restos de comida. Quando chovia, entupia as calhas e virava um caos. Eu mesma já cheguei a contrair doença por causa dos pombos que ficavam aqui. É triste não ter árvore, mas, pela situação que estava, essa foi a melhor maneira”, afirmou.

 

Retirada autorizada

 

O questionou a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), responsável pela obra, os critérios utilizados para solicitar ao município a retirada as árvores. Foi informado que: "As árvores apresentavam risco potencial de queda, presença de cupins, apodrecimento do caule, estado avançado de deterioração e raízes agressivas, que cresceram além do espaço adequado e causavam danos à infraestrutura".

 

Todo o trabalho, segundo o Governo, foi autorizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá. "Para compensação ambiental da área, novas árvores nativas e adequadas ao espaço urbano serão plantadas", explicou a pasta em nota. Porém, a reportagem apurou que a autorização partiu da Limpurb. 

 

Indignado

 

O prefeito Abilio publicou um vídeo curto e direto sobre a situação. Indiginado, detalhou que a ordem para o serviço foi assinada por um servidor "sem autorização da gestão". 

 

“Fui surpreendido ao saber que essa rua toda arborizada teve uma autorização de um servidor da prefeitura para cortar todas as árvores. Isso não combina com a nossa gestão, isso não tem a nossa autorização e nós não podemos admitir isso”, declarou. 

 

Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Cuiabá oficializou, na terça-feira (26), o Decreto nº 12.079, que estabelece novas regras para procedimentos administrativos de poda e manejo arbóreo no município. O decreto define competências entre os órgãos municipais.

 

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento e Planejamento Urbano (SMADES/SPDU) ficará responsável pelas normas técnicas e emissão de autorizações ambientais. Já a Secretaria Municipal de Ordem Pública (SORP) fará a triagem administrativa, fiscalização e aplicação de autos de infração. A LIMPURB será responsável pela execução dos serviços de poda, seguindo critérios técnicos definidos pela pasta ambiental.

 

A nova regulamentação também reforça a proibição de podas drásticas e mutilações arbóreas, permitindo intervenções severas apenas em casos excepcionais, como risco iminente à população, comprometimento irreversível da árvore ou necessidade de utilidade pública. 

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