VEJA VÍDEO 16.11.2019 | 16h13

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Yuri Ramires
"Tem mulher lésbica aqui? Tem mulher bi? Tem mulher trans? Tem mulher travesti? Seja todas bem-vindas a Parada da Diversidade!", anuncia do trio elétrico um grito pela inclusão na Parada da Diversidade Sexual, realizada neste sábado (16), com concentração na Praça Ipiranga.
Este ano o tema é “Somos muitos, mas podemos estar em qualquer profissão: demita o seu preconceito”, que visa trazer debates sobre a inserção da comunidade LGBTI+ no mercado de trabalho. A expectativa de público esperada é de cerca de 20 mil pessoas.
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A advogada Danielle Veyga é travesti e explica sobre a homofobia que ronda o mercado de trabalho. “80% da população LGBT está no mercado informal de trabalho, e desses 80%, 90% são travestis e transexuais, que não terminaram o ensino médio, não são contratadas para cargo algum, nem mesmo para aqueles cargos que já são destinados a população LGBT, que são voltados ao cuidado”, aponta.
Além da exclusão, a comunidade LGBT sofre com a ameaça constante de demissão. “A população LGBT pra ser empregada precisa provar o dobra da sua capacidade. Muitos LGBTS precisam se colocar ‘dentro do armário’ para conseguirem se assegurar dentro das suas empresas. porque se assumirem sua sexualidade, eles são simultaneamente demitidos”.
Veyga também é presidente do Conselho Municipal de Diversidade. De acordo com ela, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) está fazendo um levantamento para apurar quantas ações de assédio moral e rescisões indiretas as pessoas LGBT estão vivenciando.
Mães pela diversidade
Josi Marconi foi até a parada acompanhar a filha, que é lésbica. Também membro do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual de Cuiabá, ela ressalta a importância de acolher e amar os filhos, independente de gênero ou orientação sexual.
“É importante termos mães, familiares nas ruas dando mão, na luta com seus filhos. A comunidade LGBT é uma comunidade muito suscetível a suicídios. O suicídio no Brasil aumentou 2 mil por cento, e na comunidade LGBT aumentou 400%. não podemos deixar nossos filhos terem depressão, precisamos segurar a mão deles, precisamos estar juntos, precisamos mostrar nosso amor e pra sociedade”, apoia.
Minuto de silêncio
Como apontado por Josi Marconi, a população LGBT é suscetível não só ao alto índice de violência, como também suicídio. Na última quinta-feira (15), a turismóloga Claudeonora Alencar – conhecida como Clau – morreu no despenhadeiro do Mirante do Centro Geodésico, em Chapada dos Guimarães.
Claudeonora se identificava com lésbica e fazia parte da Ong Livremente. O público fez um minuto de silêncio em respeito à Clau.
Em Mato Grosso, entre janeiro e dezembro de 2017, foram registradas 14 mortes e 114 casos de violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. O número de assassinatos de pessoas do grupo LGBTI+ cresceu 50% em relação ao ano anterior. De janeiro a abril deste ano, oito homicídios já foram registrados em Mato Grosso.
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