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expectativa x realidade 06.10.2026 | 12h24

Pesquisa aponta que brasileiros se sentem mais saudáveis do que são; especialista alerta para obesidade

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Mesmo com o avanço da obesidade e das doenças crônicas no país, a maioria dos brasileiros acredita estar com a saúde em dia. Uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus, divulgada pela Agência Brasil em setembro, mostra que 59% dos entrevistados consideram a própria saúde ótima ou boa. Ao mesmo tempo, 63% estão acima do peso e 42% não praticam atividade física, o que evidencia um descompasso entre percepção e realidade.

 

Para o nutricionista do Serviço Social da Indústria de Mato Grosso (Sesi MT), Phellippe Queiroz, essa falsa sensação de bem-estar pode atrasar o cuidado com doenças que costumam evoluir de forma silenciosa. “Muitas pessoas acreditam que só precisam mudar a alimentação quando surge uma doença ou quando o ganho de peso já está evidente. Na verdade, a prevenção acontece nas pequenas escolhas do dia a dia, como manter horários para as refeições, basear a alimentação em alimentos in natura e minimamente processados e praticar atividade física regularmente”, explica.

 

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Às vésperas do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, outro dado chama a atenção. Segundo o Vigitel 2025, levantamento do Ministério da Saúde, a prevalência de obesidade entre adultos passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, um aumento de 118%.

 

“O excesso de peso costuma aparecer aos poucos. Muitas vezes, a pessoa se acostuma às mudanças no corpo e acredita que está tudo bem, quando já existem fatores de risco que precisam ser acompanhados, como hipertensão e diabetes”, afirma o médico do Trabalho do Sesi MT, Ediney Espínola.

 

Uma mudança que começou pelo movimento

 

Foi assim na vida de Andreia Feliciano, que há três anos decidiu mudar a relação com a própria saúde depois de perceber os impactos da obesidade na qualidade de vida. Na época, com 140 quilos e 1,59 metro de altura, ela tinha dificuldade para dormir e não praticava exercícios físicos.

 

A mudança começou quando ela conheceu o Sesi na Pista, em Cuiabá, projeto que oferece gratuitamente aulas de corrida e treinamento funcional. Desde então, a atividade física passou a fazer parte da rotina. Hoje, com 99 quilos, Andreia já participou de provas de 5 km, 7 km, 10 km e 15 km e se prepara para correr uma meia maratona. “Antes eu comia mal, dormia mal e não tinha disposição. Hoje, se me perguntarem se vamos correr 5, 10 ou 15 quilômetros, eu digo: bora correr. Agora, eu tenho essa vontade e essa disponibilidade”, conta.

 

Além da atividade física, Andreia mudou a alimentação e reduziu o consumo de fast food, frituras e bebidas alcoólicas. Para ela, a experiência reforçou a importância de não esperar que um problema de saúde se agrave para começar a se cuidar. “O ideal é a prevenção. Eu demorei a agir e precisei enfrentar consequências severas, como um problema de saúde que requer uso constante de medicamento. Mas busco alertar a todos que o melhor caminho é começar a cuidar da saúde antes de chegar a uma situação crítica”, afirma.

 

O Sesi na Pista promove encontros gratuitos duas vezes por semana, com aulas de corrida e treinamento funcional, em Cuiabá, Tangará da Serra, Nova Mutum, Sinop, Rondonópolis, Primavera do Leste, Cáceres e Campo Verde.

 

Andreia também integra o Pelotão Sesi na Pista, que permite a ela participar gratuitamente das corridas do Circuito Sesi de Corrida de Rua, realizadas pelo Sesi MT. Podem participar do Pelotão trabalhadores da indústria, profissionais do Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e seus dependentes, além de alunos do Sesi na Pista que comprovem assiduidade nas aulas por pelo menos três meses.

 

Medidas simples que fazem diferença

 

A obesidade é reconhecida como uma doença crônica multifatorial, influenciada por alimentação, sedentarismo, sono inadequado e estresse. Para Phellippe, a mudança não precisa começar com restrições extremas. “Não existe alimento milagroso nem uma dieta perfeita para todos. O mais importante é construir uma alimentação equilibrada, com variedade de alimentos, boa hidratação e uma rotina que seja possível manter ao longo do tempo. O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, é uma ótima referência para isso.”

 

O nutricionista lembra que o ambiente de trabalho também tem papel na prevenção. “Para quem trabalha na indústria, boa parte da alimentação do dia acontece no trabalho. Uma refeição equilibrada no restaurante da empresa ajuda a construir hábitos que o trabalhador leva para casa e para a família.”

 

Entre as orientações do especialista estão medidas simples que podem ser incorporadas ao dia a dia:

Manter horários regulares para as refeições;
Aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes;
Reduzir alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas;
Manter boa hidratação ao longo do dia, ajustando a quantidade de água ao peso, ao nível de atividade física e ao calor – em Mato Grosso, o clima aumenta essa necessidade;
Praticar atividade física regularmente, seja natação, caminhada, ciclismo, corrida ou outra modalidade prazerosa e possível de manter.
Além do peso corporal, o especialista recomenda observar outros sinais, como cansaço frequente, alterações em exames preventivos e aumento da circunferência abdominal. Segundo a Organização Mundial da Saúde, medidas a partir de 80 cm em mulheres e 94 cm em homens já indicam risco aumentado para doenças cardiovasculares e metabólicas. A avaliação de profissionais de saúde é importante para identificar fatores de risco e orientar mudanças de forma individualizada.

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