22.08.2007 | 03h00
As portas no mercado de trabalho se fecham para quem é cadeirante. O estudante de Direito, Marcione Mendes de Pinho, 30, já sentiu muitas vezes o preconceito por ter sofrido paralisia infantil com um ano de idade. Apesar de ser uma pessoa qualificada na área administrativa, ele já foi recusado por empresas por ter dificuldades de locomoção.
O estudante conta que passou por uma seleção em um banco, o gerente geral aprovou o currículo de Marcione e até o elogiou. "Ele me falou que eu era a pessoa ideal para preencher a vaga". No dia seguinte, confiante em ter conquistado um emprego, o estudante recebeu a notícia de não seria aceito, porque o banco não investiria em adaptações para Marcione. "Além de ter que adaptar todo o prédio, eles ficaram temerosos de que eu poderia processá-los depois, caso não fizessem as correções arquitetônicas". Diante da negativa e das argumentações, Marcione disse que se sentiu humilhado com a situação.
Contudo, a admissão na empresa de produtos agrícolas Agroamazônia ajudou Marcione a recuperar a auto-estima. Ele foi admitido antes mesmo do início das adaptações que a empresa fez em respeito às pessoas portadoras de deficiência. A sala onde ele trabalhou, banheiro, acesso as demais dependências do prédio e a copa foram remodeladas para funcionários que como ele, pudessem transitar pelo local. "O período em que estive lá foi um aprendizado, me senti respeitado".
Marcione deixou a empresa depois de dois anos para uma proposta de trabalho melhor. Hoje ele dedica apenas a conclusão do curso. Ele sonha em ser um juiz de direito e alcançar o mesmo grau de destaque e respeito galgado pelo magistrado federal cadeirante, Jeferson Schneider.
O presidente da Amde, Mário Lúcio, confirma que as empresas preferem pessoas com deficiências leves do que os cadeirantes. "Já denunciamos caso semelhantes ao Ministério Público. Além de preconceito, essa escolha é ilegal. Os cadeirantes são muito preteridos apenas para trabalho em telemarketing". (DS)
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