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BRINCAR É ESSENCIAL 05.07.2026 | 10h00

Psicóloga orienta famílias sobre acordos e rotina para limitação das telas durante as férias

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Montagem GD

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Com o início das férias escolares, celulares, televisão, tablets e videogames tendem a ocupar ainda mais espaço na rotina das crianças. O período, marcado por mais tempo livre e menos compromissos, exige atenção dos pais para que o uso das telas não substitua atividades essenciais ao desenvolvimento infantil, como brincar, conviver, movimentar-se e fortalecer vínculos afetivos. Rotina, acordos e planejamento são a chave para o controle das telas e redução de conflitos diante do não.

 

O alerta ganha força diante dos dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, produzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic Brasil) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. O levantamento aponta que 92% dos brasileiros de nove a 17 anos eram usuários de internet em 2025, o que representa cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes conectados no país. A pesquisa também mostra que 28% dos entrevistados acessaram a internet pela primeira vez até os seis anos de idade.

 

Para a psicóloga infantil Anny Kariny Santana de Arruda, 29, o aumento do tempo de tela durante as férias é comum, mas precisa ser acompanhado de perto pelos responsáveis.

 

“Durante as férias, é natural que as crianças tenham mais tempo livre e menos compromissos estruturados, o que favorece o aumento do uso de telas. Além disso, muitos pais continuam trabalhando e, em alguns momentos, os dispositivos acabam sendo uma alternativa para entreter os filhos”, explica.

 

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Segundo a especialista, o problema não está apenas na quantidade de horas diante dos aparelhos, mas nos prejuízos que esse uso pode causar à rotina e ao desenvolvimento da criança.

 

“O problema não está apenas no tempo de tela, mas no impacto que ele causa na rotina e no desenvolvimento da criança”, destaca.

 

Entre os sinais de uso excessivo estão irritabilidade quando a criança precisa desligar o aparelho, perda de interesse por brincadeiras e atividades presenciais, alterações no sono, dificuldade de concentração, isolamento social e conflitos frequentes relacionados ao uso dos dispositivos.

 

“Quando a tela passa a ocupar o lugar das interações familiares, das brincadeiras e do movimento, é importante rever esse hábito”, orienta a profissional.

 

Crianças conectadas 

A presença das telas já faz parte da infância brasileira. Ainda de acordo com a TIC Kids Online Brasil 2025, o celular aparece como um dos principais meios de acesso diário à internet: entre adolescentes de 15 a 17 anos, o percentual chegou a 98%; entre crianças de 9 a 10 anos, foi de 82%. O domicílio também aparece como o principal local de acesso diário, citado por 95% dos usuários de internet de 9 a 17 anos.

 

A pesquisa também revela a força dos conteúdos audiovisuais no cotidiano infantojuvenil. Entre os vídeos investigados, os de influenciadores digitais e séries, filmes ou programas online foram os mais acessados, ambos por 80% dos usuários de internet de 9 a 17 anos. O consumo várias vezes ao dia foi mais frequente no caso dos influenciadores digitais, citado por 46% dos entrevistados.

 

Para reduzir o uso de celulares, televisão e videogame sem transformar o tema em uma disputa dentro de casa, a psicóloga recomenda planejamento e diálogo. A orientação é estabelecer regras antes que o conflito aconteça, com horários definidos e limites explicados de forma compatível com a idade da criança.

 

“A melhor estratégia é estabelecer regras claras e previsíveis antes que o conflito aconteça. Em vez de simplesmente proibir, os pais podem combinar horários específicos para o uso das telas e explicar os motivos desses limites de forma adequada à idade da criança”, afirma.

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria também orienta limites por faixa etária: crianças menores de dois anos não devem ser expostas às telas; de dois a cinco anos, o recomendado é até uma hora por dia, com supervisão; de seis a 10 anos, de uma a duas horas diárias; e, entre 11 e 18 anos, de duas a três horas por dia, sem permitir que o uso avance pela madrugada.

 

Além das regras, a profissional reforça que os pais devem oferecer alternativas reais de lazer. Atividades simples e acessíveis podem ajudar a substituir o tempo de tela de maneira mais saudável, especialmente para famílias que não vão viajar durante as férias.

 

“Atividades simples, como brincar ao ar livre, andar de bicicleta, desenhar, pintar, montar quebra-cabeças, cozinhar em família, ler histórias, fazer piqueniques, criar brincadeiras com materiais recicláveis ou visitar praças, parques e bibliotecas, já oferecem oportunidades importantes de aprendizagem e convivência”, pontua.

 

A psicóloga destaca que o brincar livre continua sendo uma das principais ferramentas de desenvolvimento infantil, por estimular imaginação, criatividade, habilidades sociais, resolução de problemas e regulação emocional.

 

“O mais importante é que a criança tenha momentos de interação, criatividade e movimento. O brincar livre continua sendo uma das principais formas de desenvolvimento infantil”, diz.

 

Mesmo nas férias, a rotina também deve ser preservada. Para Anny, o período pode ser mais flexível do que durante as aulas, mas não pode ser marcado pela ausência total de horários e limites.

 

“As férias representam uma pausa na rotina escolar, mas isso não significa ausência de rotina. As crianças se sentem mais seguras quando sabem o que esperar do dia, e uma organização mínima ajuda a preservar hábitos importantes, como horários de sono, alimentação e momentos de lazer”, explica.

 

A profissional ressalta que o objetivo não é transformar as férias em uma agenda cheia, mas criar uma estrutura que favoreça descanso, convivência, brincadeiras e uso equilibrado da tecnologia.

 

Outro ponto fundamental é o exemplo dos adultos. Segundo Anny, crianças aprendem mais observando o comportamento dos pais do que ouvindo orientações. Por isso, pedir que os filhos reduzam o uso de telas enquanto os adultos permanecem conectados o tempo todo pode gerar uma mensagem contraditória.

 

“As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Quando os pais pedem que os filhos diminuam o uso das telas, mas permanecem constantemente no celular, a mensagem acaba ficando contraditória”, alerta.

 

Para ela, pequenas mudanças ajudam a reorganizar a relação da família com a tecnologia, como evitar o celular durante as refeições, reservar momentos exclusivos para brincar e conversar com os filhos e criar períodos sem telas para todos.

 

“As telas fazem parte da realidade e podem ser utilizadas de forma positiva quando há equilíbrio. O desafio não é eliminá-las, mas garantir que elas não substituam aquilo que é essencial para o desenvolvimento infantil: brincar, conviver, explorar o ambiente, movimentar-se e construir vínculos afetivos”, finaliza.

 

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