Folclore cuiabano 25.08.2019 | 07h14

luizleite@gazetadigital.com.br
Em 22 de agosto de 1846, o escritor britânico William John Thoms criava o termo "Folclore", derivado da junção das palavras ‘folk’ que pode ser traduzida como "povo" e "lore" que significa conhecimento.
Na data em que se comemorou o Dia do Foclore, na manhã da última quinta-feira (22), o
esteve com o estudioso Aníbal Alencastro, que relembrou alguns dos costumes e hábitos que fazem parte da cultura cuiabana. Confira:
Ervas medicinais
Aníbal, que é natural do Distrito da Guia, se mudou para Cuiabá ainda criança e lembra da falta de saúde pública na comunidade. “Médico que aparecia lá era só em época de eleição”, conta.
Buscando aliviar ou até mesmo sanar os problemas de saúde, a população fazia uso de medicamentos naturais, como ervas e plantas medicinais. Arruda e Santa Maria são alguns dos exemplos citados pelo historiador.
Benzedeiras
Aníbal se lembra ainda das benzedeiras, senhoras idosas que tinham como prática o uso da fé, como meio para curar enfermidades. “Quando a criança era pequenininha, tinha uma doença que se chamava arca caída. Leva lá pra benzedeira...”, recorda.
Filha de benzedeira
“Eu sou filha de dona Inês, uma mulher forte e ela era benzedeira” diz a dona de casa, Iracema, de 62 anos, ao relembrar os procedimentos da falecida mãe. “De arca caída, ela benzia era com um pano, media o braço, depois ela dobrava aquele pano e colocava no estômago da pessoa e depois fazia a oração dela”, conta emocionada.
Siriri
“Após a chuva, aqui na nossa região, aparece um bichinho que começa a voar”, diz Aníbal, ao explicar a origem da dança folclórica, onde as mulheres reproduzem o movimento do bater de asas de um inseto.
Cururu
Com passos de pé esquerdo e pé direito, o cururu é acompanhado por viola de chocho, reco-reco, violão e ganzá, instrumentos confeccionados manualmente e carregado de significados para quem os toca. O historiador atribui a origem do nome ao sapo cururu, onde o principal movimento da dança é a tentativa de reproduzir o pulo do animal.
Viola de cocho
Sobre a origem do instrumento, Aníbal conta que a corte de Portugal, em passagem pela capitania de Vila Bela da Santíssima Trindade, interior do estado, trouxe a bordo o alaúde, instrumento com características do violão. “E o caipira que olhava aquela viola, ele foi e reproduziu, usando a madeira branca, dando assim origem ao que conhecemos hoje como viola de cocho".
Guaraná ralado
Apesar de ser originário da Amazônia, o guaraná está mais que presente na cultura cuiabana. Com seu efeito estimulante, o fruto é consumido após ser ralado e dissolvido na água, mantendo o cuiabano acordado, geração após geração. “De manhã cedinho, se eu não tomar o guaraná eu não acordo”, confessa Aníbal, que ainda guarda os instrumentos utilizados para ralar o fruto.
Histórias de terror
O hábito de se reunir nas portas das casas para contar causos de assombração também é lembrado por Aníbal, que atribui as aparições a imaginação fértil do cuiabano, junto à falta de energia elétrica. “Depois veio a luz, veio a Cemat, veio tanta coisa, aí iluminou tudo e acabou”
Manutenção do folclore
Para Alencastro, a origem do folclore nunca muda, mantendo em sua essência a originalidade das características de cada região. “O povo que mantém a sua história é um povo que tem identidade e a nossa identidade está no nosso folclore”, afirma ao ser questionado sobre a possibilidade do folclore não alcançar futuras gerações, ficando apenas em nossas memórias.
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