exemplo de superação 20.10.2019 | 11h51
Arquivo Pessoal
Ao menos 3 vezes por semana, o vendedor Ezequione Soares de Amorim, 28, termina seu expediente em uma loja de automóveis, em Várzea Grande, e retorna a sua casa para se preparar para a segunda missão do dia. Munido de um par de tênis, roupas especiais e um capacete, ele ruma em direção ao grupo de pedal do qual faz parte.
Leia também - Ciclovias de Cuiabá oferecem riscos, afirma especialista
Nos dias agendados pela equipe, eles fazem ao menos 50 quilômetros de bicicleta. O vendedor conta que eles costumam ir até Santo Antônio do Leverger (34 km ao sul de Cuiabá), Nossa Senhora do Livramento (42 km ao sul) ou até mesmo nas imediações do Parque das Águas, em Cuiabá.
O que difere Ezequione dos outros 219 ciclistas que compõe o grupo, é a falta de movimento das pernas. Paralítico, ele faz todo o percurso utilizando as mãos. O vendedor começou no esporte há dois anos, por sugestão de um amigo. Desde que foi vítima de uma bala por engano, aos 15 anos, ele não praticava nenhuma atividade física.
"Ele perguntou se eu não tinha interesse em praticar nenhum esporte. Se eu não fazia nada. Eu falei para ele que não. Ele me deu a dica de pesquisar na internet sobre a handbike. Eu pesquisei. Achei interessante até que as pessoas do meu trabalho começaram a pedalar. Me chamaram para pedalar e eu fui", explicou.
Com a ajuda dos amigos, conseguiu comprar a sua primeira bicicleta especial para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida pelo valor de R$ 1,5 mil. A handbike possui semelhanças com a bicicleta tradicional, mas tem como diferença a estrutura de três rodas e a posição dos pedais.
O equipamento de segunda mão, contudo, não era o suficiente para ele enfrentar os longos quilômetros junto ao grupo. Foi então que, novamente, os amigos se juntaram para que ele conseguisse comprar outra bicicleta, no valor de R$ 3 mil.
No ciclismo, Ezequione encontrou uma forma de melhorar a sua disposição, aumentar sua autoestima e conciliar a vida urbana com a prática do exercício físico ao ar livre. Devido a sua condição, a única coisa que não consegue fazer é pedalar em estrada de chão, já que a poeira sobe e atrapalha a sua visão.
"É muito bom estar pedalando, manter o físico. É bom para quem não faz nada. Se a gente ficar parado nessa condição fica mais debilitado ainda. Mudei até a minha alimentação, comecei a comer mais saudável", contou.
O acidente
Ezequione estava em uma lanchonete no bairro Cristo Rei quando um homem entrou armado. O intuito do criminoso era acertar outra pessoa mas, no tumulto, o vendedor foi atingido. Ele se lembra de ter caído no chão já sem sentir os movimentos da perna.
Na época, ele passou por diversos procedimentos cirúrgicos e os médicos afirmaram que a chance de voltar a andar era de apenas 5%. Mesmo com o destino trágico, Ezequione não se deixou abalar. Hoje em dia, trabalha, dirige e tem uma vida adaptada à sua condição.
"No começo eu fiquei meio abalado, porque eu era novo, andava bastante. Mas foi só no começo, porque depois eu tirei de letra", finalizou.
Esta reportagem é a 3ª de uma série sobre ciclistas, ciclovias e os benefícios e riscos do uso da bicicleta como meio de transporte. Acompanhe o
para ter acesso, semanalmente, aos conteúdos subsequentes.
Veja vídeos
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.