investigação de fraude 29.05.2026 | 19h10

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Vithória Sampaio/GD
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sergio Ricardo, cobrou explicações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre a contratação do ex-secretário de Educação, Amauri Monge. A fala foi registrada durante a vistoria no Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação nesta sexta-feira (29). Sergio acusou o prefeito de ser “gentil”. E fez uma comparação com a gestão do Banco Master, liquidado pelo Banco Central devido a um esquema de fraudes.
“Eu vejo que você está sendo gentil com o secretário, está isentando de toda a responsabilidade”, disse ao prefeito após ele não nomear o ex-secretário, Amauri Monge, em uma resposta que deu a questionamento feito no local. “Você não disse ainda quem você está denunciando, você não citou o nome ainda”, confrontou.
Foi o próprio prefeito quem denunciou um suposto esquema na compra de material didático, que poderia ter causado um rombo de R$ 20 milhões durante a aquisição de R$ 80 milhões em material didático para a rede municipal. Conforme a denúncia, cada livro teria custado mais de R$ 800. Também foram verificados indícios de que o material tenha sido produzido por inteligência artificial, trazendo erros grosseiros de ortografia.
Em 2018, Amauri passou a ser investigado pelo Ministério Público do Paraná por improbidade administrativa por direcionamento de licitação na contratação de material didático, quando atuou como secretário regional de Educação. Conforme o jornal Folha de Londrina, o certame em questão era para a aquisição de “material didático e formação continuada”, mas o MP do Paraná apontou um esquema para “enriquecimento ilícito”.
Entre as irregularidades apontadas estavam a ausência de pesquisas de mercado para comparação de preços, a falta de uma previsão contratual para que a empresa contratada fosse às unidades de ensino apresentar o sistema, além de indícios de montagem do chamamento público devido à apresentação da empresa contratada antes da assinatura das documentações. O caso tramita na Justiça de Porecatu, região metropolitana de Londrina.
Abilio, que disse que não conhecia a denúncia contra Amauri, afirmou ter acionado a controladoria assim que tomou conhecimento do caso para que as decisões dele fossem acompanhadas de perto. Ele negou estar de alguma forma protegendo o ex-secretário, como disse o conselheiro, mas argumentou que não pode imputar responsabilidade ao ex-secretário porque ele tem direito ao contraditório. Abilio admitiu que houve aplicação equivocada dos recursos públicos nesse período, mas ponderou que os órgãos de controle é que definirão os próximos passos.
“Isso é gestão equivocada? Vorcaro também fez gestão equivocada no Banco Master. Super equivocada a gestão do Banco Master”, respondeu o presidente do TCE.
Durante a vistoria, o presidente do TCE fez questionamentos também sobre como Amauri Monge foi contratado para o cargo de secretário. O prefeito disse que a escolha não foi política, mas técnica, e que o fator determinante foi a experiência de Monge na área.
“Nós estávamos procurando, na saída da antiga secretária Solange, uma pessoa que tivesse bastante conhecimento da área da Educação. O Amauri tem bastante conhecimento. Entre capacidade técnica, capacidade de gestão na área da Educação, conhecimento sobre como organizar e como tocar uma Secretaria de Educação, ele é um dos melhores quadros”, disse o prefeito.
“Eu conversei com vários servidores, falei com o próprio secretário Alan [Porto], falei com uma outra servidora que tinha vindo antes para somar com a Secretaria de Educação, então não foi uma indicação política”, acrescentou o prefeito.
O TCE também anunciou que vai investigar as aquisições de material didático feitas por Amauri Monge na Seduc. Sergio Ricardo afirmou, durante a vistoria, que o mesmo material comprado em Cuiabá foi adquirido pelo Estado.
Na quinta, o governador Otaviano Pivetta demonstrou tranquilidade com a decisão da Corte de Contas e disse que, se houver erro, que o culpado seja responsabilizado. “Acho que é o dever do presidente do Tribunal de Contas, não tem nenhum problema. Nós não temos nada para esconder. Nada. Se alguém fez coisa errada, que pague pelo erro. Eu não tenho nenhuma preocupação com isso”, afirmou o governador em conversa com jornalistas.
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Outro lado
Por meio de nota, a Seduc informou que “toda verificação técnica realizada pelos órgãos de controle é indispensável para a prestação de contas” e disse que tem compromisso com a transparência, a responsabilidade na aplicação dos recursos públicos e melhoria contínua da aprendizagem. Por fim, a secretaria diz que fica “à disposição para fornecer todas as informações necessárias à análise que vier a ser conduzida pela Corte de Contas”.
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