todos mentindo? 04.08.2026 | 15h41

laisa@gazetadigital.com.br
Montagem GD
A crise envolvendo a gestão do Bem-Estar Animal na Prefeitura de Cuiabá segue se desdobrando no plenário da Câmara de Vereadores, desta vez com uma nova denúncia por parte da vereadora Maysa Leão (Republicanos). A parlamentar usou a tribuna para anunciar que protocolou, pela terceira vez, uma representação junto ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para apurar denúncias de maus-tratos, abandono e mortes de animais sob responsabilidade do município.
Maysa rebateu a narrativa adotada pela gestão do prefeito Abílio Brunini (PL), que atribuiu os problemas no almoxarifado do setor a um suposto “boicote” e corte proposital de energia, e formalizou o pedido de convocação da ex-secretária adjunta da pasta, Maria Tereza Bonfim Ens, conhecida como Morgana.
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Durante seu pronunciamento, ela destacou que acompanha a situação da causa animal desde o fim do ano passado e reforçou que as denúncias chegam constantemente por meio de protetores independentes e ONGs. Para a vereadora, a justificativa de sabotagem levantada pelo Executivo não se sustenta diante do volume de relatos de irregularidades.
“Quem vem trazendo para mim esta pauta são os protetores, são as ONGs e, como eu disse aqui, não é possível que todos estejam mentindo e só o pobre gestor esteja sendo perseguido”, afirmou nesta terça-feira (4) na Casa de Leis.
A vereadora ressaltou a gravidade dos episódios recentes trazidos à tona após fiscalização do vereador Dídimo Vovô (PSB), que flagrou cães trancados em local sem ventilação, surto de cinomose que levou animais à morte e relatos graves de maus-tratos.
“Quando os cachorrinhos morreram por cinomose, por maltrato, por estarem num local inadequado, teve o cachorrinho que foi colocado no freezer vivo, tem outras 500 denúncias que foram protocoladas, tem a perseguição dos abrigos, tem a perseguição dos protetores”, destacou.
Outro ponto da crítica foi a postura do setor de Bem-Estar Animal em relação aos resgates na capital. Maysa denunciou que o órgão municipal tem se recusado a recolher animais feridos nas ruas sob a alegação de avaliar a condição socioeconômica de quem faz o chamado.
“As pessoas resgatam os animais na rua e pedem para a Causa Animal ir lá buscar o animal, e eles não vão buscar, alegando que a pessoa não é rica o suficiente. Então, eu vou lá, resgato por humanidade, por ter senso de responsabilidade, por olhar um ser vivo na rua agonizando e aí, porque eu não sou rico o suficiente, eu tenho que virar veterinária? Quem tem que pegar o animal que foi resgatado, seja lá por quem for, é a Causa Animal, e isso precisa ser feito [...], porque isso é crime. Deixar um animal perecer até a morte é crime”, alertou.
Para prestar esclarecimentos à população e aos parlamentares, Maysa protocolou formalmente o requerimento de convocação de Maria Tereza (Morgana). A ex-gestora foi exonerada da pasta do Bem-Estar Animal na última sexta-feira (31), no auge das denúncias, e imediatamente remanejada pelo prefeito para a Secretaria Adjunta de Cultura.
Maysa defendeu que a ex-secretária precisa responder pelos atos cometidos durante sua gestão no setor, mesmo que estivesse de férias no período em que ocorreram as mortes recentes. Ao pedir o apoio dos colegas vereadores para aprovar o requerimento na próxima sessão, a parlamentar enfatizou o papel fiscalizador da Câmara Municipal.
“Convocar aqui nessa Casa virou ofensa. Secretário tem a prerrogativa de ser convocado, vereador tem a prerrogativa de convocar. Convocar não é condenar, convocar não é ofender, convocar é usar a prerrogativa do cargo para trazer alguém aqui que foi responsável para explicar para a população, e eu espero que a gente vote favorável na semana que vem”, pontuou.
O requerimento de convocação deve entrar na ordem do dia para votação dos vereadores na próxima sessão ordinária.
Enquanto isso, o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (DEMA) e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
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