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02.12.2007 | 03h00

"Serial killer" matou 15 e continua longe da polícia

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Cláudio de Souza, 38. O nome é comum, mas o apelido "Maníaco da Lanterna" revela o perfil de um homem extremamente frio e meticuloso. Cláudio, que se encontra foragido há dois anos, é responsável por 15 assassinatos na região de Alta Floresta (800 km de Cuiabá). Suas vítimas, na grande maioria, eram mulheres. Os corpos de duas delas jamais foram encontrados. Cláudio de Souza, que chegou a ser preso pela Polícia Civil, deixava bilhetes próximos às vítimas que denominava como "porcas". O caso ganhou repercussão nacional, mas até agora ele permanece foragido. São poucas as imagens do criminoso que violentou sexualmente algumas das mulheres que matou.

O delegado responsável pela prisão de Cláudio, Gianmarco Pacolla, lembra-se que durante o depoimento, ele se apresentou como um homem frio que dizia agir sob influência de vozes de outro mundo. As atrocidades cometidas por Cláudio estão descritas em um volumoso inquérito com 361 páginas.

A primeira vítima trata-se de Regina Maria Pereira. O crime foi consumado em 21 de abril de 2001. A mulher, junto com José Carlos Santos, foram atacados quando estavam dentro de um carro em uma estrada vicinal. As investigações da Polícia mostram que o maníaco assistiu a relação sexual do casal, para então só depois atacar. Armado com uma espingarda, ele estuprou Regina e a abandonou gravemente ferida no local. José conseguiu escapar. A mulher teve a orelha esquerda rasgada. Ao lado do corpo foi encontrado um bilhete com os seguintes dizeres "toma traidora". Regina morreu horas depois no hospital.

Pouco mais de dois meses depois, na data de 6 de julho, foram encontrados os corpos de Antônio Batista de Souza Filho e Liania de Souza Alves. Treze dias depois, foi registrado o sumiço de Luiz Carlos Cavalcanti e de Rosimeire Zanco. Com a sequência de mortes, houve a certeza de que a Polícia havia se deparado com um "serial killer" (matador em série). O corpo de Rosimeire até hoje está desaparecido.Sem conhecer as características físicas do criminoso, foram realizadas diversas ações em busca do criminoso que ganhou apelidos como "tarado da lanterna" ou "maníaco da lanterna".

Apesar dos esforços, no dia 1º de novembro houve um novo registro de duplo assassinato. Celso Ferreira dos Santos e Vanda Ribeiro de Souza, na região de Alta Floresta. Novamente não havia pistas dos assassino.

Trinta dias depois, Carlos Andrade de Lima e Veronice Carvalho de Oliveira tiveram contato com o criminoso e escaparam. Contaram a polícia que estavam caminhando pelo bairro Cidade Alta quando perceberam que eram seguidos. Carlos se armou com um pedaço de madeira e surpreendeu o maníaco que correu em direção a uma bicicleta onde estava uma espingarda. Carlos o agrediu e ele terminou fugindo. Na pressa, o tarado deixou no local diversos objetos, como tesoura, cartuchos para espingarda, uma pistola de plástico, jaqueta, diversos recortes de jornal informando sobre a ação dele, uma espingarda e uma lanterna.

Em meio a todo esse material a polícia encontrou dois bilhetes. Em um deles estava escrito "Sr. Deus preciso disto, necessito em nome de Jesus Cristo 600.000. Obrigado meu Deus. Abençoe-me pai todo poderoso a mim e minhas parentes. Salve-me". No verso, "também necessito de muito saúde e porcas para sair vencedor. Tenha piedade de mim Deus. Em nome de Jesus obrigado. Proteja-me senhor poderoso. Obrigado em 26 de agosto. Deus abençoe para que aquelas pessoas não "deem" parte "queixo" a polícia nem comunique na "radia" para que não dificulte mais minhas ações. Creio que o senhor me defenderá de mais esta".

Sete dias depois, Armandio da Silveira foi morto pelo maníaco durante um roubo a Madeireira Spiller, era o primeiro latrocínio cometido por ele. Do estabelecimento Cláudio roubou um revólver calibre 38. Nessa épóca foram decretadas as prisões de Cícero Pereira da Silva e José Alves, devido as semelhanças físicas com o criminoso. Já somavam então nove vítimas de assassinato.

Prisão - Em 16 de abril de 2002, Cláudio de Souza foi preso durante uma abordagem de rotina. Na delegacia confessou ter matado Regina. Declarou que foi mandado pelo Demônio, mas não soube explicar o porquê. Disse que tinha o hábito de morar no meio do mato e viver "igual bicho". Após a detenção outras duas vítimas que sobreviveram aos ataques registraram queixa, trata-se de Edimar Rodrigues Chalés e Edileuza Rodrigues do Nascimento. Ambos foram atacados na data de 13 de agosto de 2000. Mesmo feridos, conseguiram escapar.

Ainda em depoimento, confessou ter matado Antônio e Liania. Disse que já chegou atirando o casal de namorados. Novamente disse não saber como atua, mas que recebe mensagens do Demônio. Cláudio confessou ter matado com um tiro Luiz Carlos e enterrado o corpo de Rosimeire Zanca. Ele levou a polícia até a estrada vicinal onde ela estaria, mas apenas o enxadão usado para enterrá-la foi encontrado. Contou também que executou o casal de namorados, Celso Ferreira dos Santos e Vanda Ribeiro de Souza, no bairro Jardim das Flores. Afirmou que já vinha "acompanhando" o casal e sabia o nome de Celso que foi o primeiro a ser atingido. Vanda tentou escapar, mas foi perseguida. Ele atirou com uma espingarda. Percebendo que ele não estava morta passou a bater com um pedaço de madeira contra sua cabeça. Confirmou ser o autor do latrocínio de Armandio que trabalhava como segurança de uma madeireira.

O maníaco foi levado para Delegacia Municipal de Alta Floresta de onde fugiu em janeiro de 2003 na companhia de outros nove detentos extremamente perigosos. (PN)

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