MT EM CHAMAS 12.09.2019 | 19h58

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Chico Ferreira
O alto índice de queimadas ilegais e focos de calor tem se alastrado pelo estado de Mato Grosso. Segundo relatório do Centro Integrado de Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman), de janeiro a setembro deste ano, Mato Grosso é líder no ranking de focos de calor.
Os dados do relatório apontam que, no território estadual de 903198.1 km², 19.711 focos de calor foram registrados. Em comparação com 2017, a variação percentual dos focos aumentou em cerca de 61%. No ranking de foco de calor, Mato Grosso é líder absoluto, mas considerando a área territorial fica em quarto lugar.
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INPE
Imagem de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); a cruz vermelha representa queimada, que estão acumuladas em Mato Grosso
Em relação ao período proibitivo, de 15 de julho a 8 de setembro, o estado fica em segundo lugar em focos de calor por unidade de área. Durante esses quase dois meses, 12.261 focos de calor foram registrados. A variação percentual comparada ao mesmo período em 2017 cresceu em 75%.
Ainda de acordo com o boletim do Ciman, não há previsão de chuvas significativas para o estado de Mato Grosso nas próximas semanas. Além disso, o boletim aponta para temperaturas muito elevadas no nordeste do estado, além de risco crítico de fogo, sem previsão também de mudança.
A reportagem do
fez um panorama sobre a situação das queimadas ilegais e ondas de calor em alguns municípios:
Região Norte
Os municípios Claúdia, União do Sul e Marcelândia, que fazem parte da Amazônia Legal, receberam a “Operação Abafa”, que contou com equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Politec e agentes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
De 2 a 11 de setembro, a operação fiscalizou o perímetro rural – principais áreas de queimadas – correspondente a 20.111,0806 hectares. Conforme o relatório da operação, 87% do território (17.649.468 hectares) foi atingido por queimadas ilegais. Outros 13% (2.461,6126 hectares) foram queimados e desmatados.
O tenente do Corpo de Bombeiros Daniel Alves explica que dos 28 locais fiscalizados, 26 serão multados. A multa é estimada em R$ 21.898.018,80.
“Nós escolhemos esses municípios por causa do bioma Amazônia, são locais com altos índices de desmatamentos e queimadas florestais. Essa operação é para responsabilização e fiscalização”, disse.
Situação difícil
Com apenas 5.490 habitantes, Cocalinho é um dos municípios de Mato Grosso que também sofre com as queimadas. Localizado a 923 km da Capital, o secretário administrativo Marcio Roberto de Godoi Madureira informa que não existe nem mesmo uma brigada do Corpo de Bombeiros na cidade, e que a mais próxima fica em Nova Xavantina, distante a 251 km de Cocalinho.
Na terça-feira (10), uma força-tarefa da Polícia Militar tentou combater um foco de incêndio próximo a estrada. Grande parte das queimadas é no perímetro rural, em área de pasto.
“Tinha uma força tarefa aqui na região do assentamento Três Marias, próximo ao município. Inclusive, inúmeras pessoas daqui foram para lá tentar apagar o incêndio, pra minimizar esse incêndio no pasto”, disse o secretário.
O secretário ainda informa a dificuldade de acesso ao munícipio, por conta da condição da estrada e a distância. “Nem asfalto ou estradas tem aqui. Agora que estão conseguindo colocar em andamento aquela obra que antigamente era pra estrada, se não me engano, começou a mexer novamente. Nossas estradas quem dão suporte aqui é o município mesmo, com recurso do Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação).
Cáceres com maior foco de calor
Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), durante 8 e 9 de setembro, o município de Cáceres é o que apresenta maiores focos de calor no estado.
Dos 2145 focos registrados, 187 deles estão ligados à Cáceres, o que representa 8,7% deste total. Nesta manhã de quarta-feira, a temperatura máxima chega a 39º.
O prefeito Francis Maris Cruz (PSDB) informou que existe uma brigada de bombeiros em Cáceres, mas que ele é insuficiente para combater o fogo. A prefeitura tem dado suporte ao combate das chamas com um caminhão-pipa.
“Queimada tem, por mais que você combata. O que precisa são de aeronaves para ajudar a combater o fogo, para jogar água nas queimadas, porque com o abafador você não consegue apagar. Nosso Corpo de Bombeiros aqui é pequeno, tem poucos bombeiros. Tem um caminhão grande, que nem sempre funciona”, relata.
Apesar dos esforços, o prefeito ainda cobra para que a população evite causar queimadas. “Temos combatido com os caminhões pipas da prefeitura, mas infelizmente todo dia surge um novo foco, porque alguém colocou fogo. É falta de consciência da população”.
Além de focos no perímetro urbano, Francis explica que queimadas na Bolívia acabam atingindo a fronteira com o município. A prefeitura também tem auxiliado no combate destas chamas, mas nem sempre os caminhões dão conta de atravessar a região de mata. Após o decreto de Mauro Mendes, o prefeito espera pela ajuda externa.
Parque Nacional da Chapada dos Guimarães
De acordo com o ICMBio, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães segue fechado para visitação por conta das queimadas. Atualmente, toda a brigada do Parque está trabalhando nos focos de incêndios, inclusive o mais recente, que foi iniciado na região conhecida como Portão do Inferno e se dividiu em duas frentes.
Devido à nova frente de fogo, ainda não foram concluídos os cálculos de área atingida, mas estima-se que neste novo evento o fogo consumiu cerca de 5 mil hectares. De acordo com o INPE, Chapada dos Guimarães é a unidade de conservação que mais ardeu em chamas.
Biomas mais afetados
Ainda de acordo com os dados do INPE, o bioma mais afetado pelo foco de calor é a Amazônia, com 52,1% dos 2145 focos. Em seguida, o Cerrado é o mais atingido, em 38,2%. O Pantanal representa 9,7% deste total.
Dos 360 mil quilômetros quadrados de sua área original em Mato Grosso, quase metade – 45% – do Cerrado já foi desmatada. No último ano,de agosto de 2017 a julho de 2018, foram quase mil quilômetros quadrados, de acordo com o PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Isto corresponde a 15% de todo o Cerrado perdido no Brasil em um ano.
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