DEU NA GAZETA 11.07.2021 | 07h49

natalia@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
De um lado, a comida chega no início da noite, distribuída por uma iniciativa governamental ou algum grupo de voluntários. Às vezes, essa é a única refeição do dia. Diariamente, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) doa
200 marmitas no centro de Cuiabá. Em outra parte dessa história, o alimento também é uma doação, que acontece mensalmente, de um sacolão que alimenta a família inteira e garante que a geladeira não fique completamente vazia.
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A Central Única das Favelas (Cufa) é uma das organizações que faz esse tipo de trabalho e enfrenta o desafio de conseguir
arrecadar sempre mais para ajudar um maior número de pessoas possível. A pandemia do coronavírus agravou a realidade de quem passa por dificuldades e trouxe também a instabilidade e queda nas contribuições.
O Grupo Gazeta de Comunicação continua com a campanha “Mãos solidárias”. Já são 3 meses de mobilização em prol de famílias que precisam de ajuda com alimentos.
Espera diária
A ansiedade pela chegada da van aumente quando anoitece. Ainda são 18h30, mas a partir de agora, a qualquer momento, o veículo cheio de marmitas pode chegar. Dailze Benedita de Campos, 60, é moradora do bairro Cidade de Deus, em Várzea
Grande. Todos os dias vai até a Praça Ipiranga, na Capital, para garantir o jantar dela, da filha e dos 3 netos. A família tem como sustento do Bolsa Família e do auxílio doença da idosa, portadora de pênfigo foliáceo - uma enfermidade autoimune que faz surgir bolhas na pele. “Eu pego o meu remédio no posto, mas tem mês que preciso comprar. Ainda pago aluguel e o
dinheiro não dá para muita coisa. Agora, por exemplo, estou sem gás (de cozinha) em casa”, conta.
Segundo ela, até o começo deste ano chegou a passar dificuldades. Só não ficou sem nada para comer porque comprava pão para ela e a família se alimentar. Em meio a essa situação, um dia descobriu sobre a distribuição das marmitas. Às vezes, vem com toda a família, em outros dias, vem com apenas um dos netos. Na quarta-feira (7), quando foi entrevistada, a comida chegou às 18h50. Assim que o veículo estacionou, formaram-se duas filas, uma de pessoas em situação de rua e outra com trabalhadores e demais pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em questão de minutos, todos conseguiram garantir a marmita e foram saborear a comida. “Olha como é bonita”, diz a aposentada mostrando a refeição que seria dividida com o restante da família.
Quem também faz essa divisão é Luzia Pereira, 47. A vendedora ambulante passa o dia todo em uma das calçadas da região
da praça Ipiranga, onde tira o sustento dela, da filha, da mãe e 4 netos. A filha também trabalha vendendo paçoca em um
mercado da Capital, no período noturno. “Eu vendo as coisas e preciso pagar a mercadoria. Depois, que vejo o quanto sobrou para mim”, explica. Tem dias que o ganho só dá para quitar o material.
“Já é de grande ajuda essa comida. Tem também outros grupos que vêm fazer mais doações”, conta. Naquela noite, por volta das 20h, foi a vez da sopa. A distribuição das marmitas pela Setasc teve início em março do ano passado, assim que
a pandemia da covid-19 começou. A entrega é feita todos os dias, à noite. Até junho, um ano e 3 meses de projeto, foram
doadas 36 mil marmitas.
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