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AUMENTO DA CRIMINALIDADE 21.03.2026 | 13h10

Violência cresce na Amazônia Legal e muda perfil com avanço do tráfico

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Nas últimas duas décadas, os pequenos municípios da Amazônia Legal passaram a seguir uma trajetória própria e mais violenta em relação ao restante do país. Entre 1999 e 2023, a região registrou 18.755 homicídios a mais do que teria ocorrido caso acompanhasse o padrão observado em cidades de mesmo porte em outras partes do Brasil, um desvio persistente que evidencia o agravamento da violência local.

 

Compreende-se como Amazônia Legal 9 estados brasileirs, em uma área de 5 milhões de km², sendo eles: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e lado oeste do Maranhão. 

 

Os dados integram o relatório da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira, desenvolvido pelo Amazônia 2030. O estudo examina a evolução dos homicídios e sua relação com atividades ilícitas ao longo do tempo.

 

No início dos anos 2000, municípios com menos de 100 mil habitantes, tanto na Amazônia quanto no restante do país, apresentavam taxas semelhantes de homicídio, em torno de 10 por 100 mil habitantes. A partir de 2005, porém, as curvas se afastaram, devido a exploração ilegal da madeira e grilagem de terras, embora os número ainda fossem muito baixos, comparados aos dados apresentados nos dias de hoje. Em 2023, essas cidades na Amazônia alcançaram cerca de 30 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto os demais municípios pequenos ficaram próximos de 20 por 100 mil, revelando um aumento significativo.

 

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Mudança no perfil da violência

Além da exploração ilegal de madeira, grilagem de terras, mineração ilegal de ouro, o aumento da violência se caracteriza principalmente pela presença de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas que passou a crescer gradativamente a cada ano, a partir de 2014.

 

Segundo o estudo, se esses fatores não estivessem presentes, 18.367 mortes poderiam ter sido evitadas.

 

Embora já tivesse tido um aumento da violência em relação aos anos anteriores, apenas 29% das mortes associadas a fatores de risco tinham ligação com organizações criminosas no ano de 2017. A alteração maior surgiu entre 2018 e 2023, quando o índice sobe para 56%, indicando a crescente influência do tráfico na escalada dos homicídios. Ou seja, a presença do crime organizado aumentou muito na região, se tornando a maior causa de mortes registradas.

 

No recorte mais recente, os quatro fatores combinados explicam cerca de 60% do excesso de mortes, o que representa aproximadamente 5.500 homicídios adicionais. O estudo também destaca que a sobreposição desses riscos intensifica o problema: desde 2014, municípios expostos simultaneamente a três ou quatro fatores registram aumentos ainda mais acentuados nas taxas. Em áreas com todos os vetores presentes, o crescimento chega a cerca de 30 homicídios por 100 mil habitantes em comparação a localidades sem esses elementos.

 

Interiorização e complexidade

Outro fenômeno observado é a interiorização da violência. Municípios que, no início dos anos 2000, apresentavam índices quase nulos passaram a registrar taxas elevadas nas décadas seguintes.

 

Além do crescimento numérico, houve uma mudança qualitativa. A violência, antes associada principalmente a disputas locais por recursos naturais, passou a integrar redes mais amplas do crime organizado, envolvendo rotas internacionais e controle territorial vinculado ao tráfico de drogas.

 

Segundo o estudo, a quantidade de homcídios em cidades pequenas com menos população é também um dado que representa o domínio das atividades ilegais em todo o estado, construindo uma rede de violência.

 

Diante desse cenário, o relatório aponta que estratégias tradicionais, como fiscalização ambiental e regularização fundiária, tendem a ser insuficientes para resolver essa questão. O enfrentamento, segundo os pesquisadores, exige uma abordagem integrada que combine governança territorial, políticas ambientais, segurança pública e controle de fronteiras, em resposta a uma dinâmica criminal cada vez mais sofisticada, que influencia automaticamente com a qualidade de vida da população que vive nessa região.

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