27.05.2007 | 03h00
Em dez anos de invasão, o Jardim União, em Cuiabá parece não ter recebido a devida atenção, salvo a construção de uma creche e uma escola pública. As ruas continuam sem asfalto, os terrenos baldios e casas abandonadas ainda existem em grande quantidade espalhadas pelo bairro, um dos retratos da especulação imobiliária promovida por grileiros profissionais.
Hoje, O Jardim União recebe o projeto Viva o Seu Bairro, uma promoção do Grupo Gazeta de Comunicação, na rua principal.
Mas o que mais incomoda os moradores do bairro não é falta do transporte coletivo circulando pelas ruas ou a coleta de lixo eficaz, mas a ausência de uma estrutura para o lazer.
O campo de futebol não tem gramado. Quem não se importa em adquirir arranhões e machucados nas pernas e nos braços, joga da mesma forma, mas não sem criticar. O presidente da Liga de Esportes do Jardim União, Joel Catarino Gomes do Nascimento, está de braços cruzados para fazer qualquer tipo de evento. "Não tem condições de marcar campeonato ou outras competições adulto e infantil sem um local adequado".
Ele tem razão. Os jogadores tem que aceitar a jogar sem um "tapete verde", a torcida se espremer num pedaço de arquibancada sem cobertura e cercada de matagal ou encostar no alambrado repleto de plantas. Assim, fica difícil arregimentar jogadores e adversários.
A liga montou uma escolinha de futebol infantil que funcionou por um ano, mas o projeto fracassou quando as mães quiseram responsabilizar os organizadores caso os filhos se machucassem durante a prática esportiva. Como o número de crianças era elevado e os idealizadores do projeto não tinham estrutura de levá-las para policlínicas ou centro de saúde mais próximo, a escolinha saiu de cena.
Mas as crianças não deixaram de insistir em jogar futebol em condições precárias. Douglas Guia da Silva,12, e Igor Rangel Alves Soares,12, mostram as pernas repletas de cicatrizes.
Hoje eles preferem jogar uma partida na quadra da escola, aberta todos os dias e nos fins de semana.
O local também é motivo de queixa. "Lá é só no cimento e o espaço é muito pequeno, não dá para todo mundo brincar", reclama Douglas.
O grande desejo deles é jogar num gramado macio para fazer grandes jogadas e se destacar dos demais. "Tem muito menino bom de bola. Mas ficam sem oportunidade por falta de investimento público no bairro. Esse campo ainda será motivo de muita promessa eleitoral", diz Joel Nascimento.
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