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Cuiabá, Quarta-feira 12/08/2026

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Solidariedade que atravessa fronteiras 12.08.2026 | 14h51

Instituto doa R$ 1 milhão para campanha da Cáritas Brasileira e apoio à Venezuela

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Divulgação

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A tragédia provocada pelos terremotos que atingiram a Venezuela em junho continua muito além do momento em que a terra parou de tremer. Enquanto equipes de emergência avançam na retirada de escombros e na reconstrução das áreas destruídas, milhares de famílias ainda enfrentam perdas, falta de moradia e a difícil tarefa de reconstruir a própria vida.


É neste cenário que a solidariedade brasileira chega às vítimas. Entre as iniciativas está a destinação de R$ 1 milhão pelo Instituto Canopus, de Mato Grosso, para a ação humanitária coordenada pela Cáritas Brasileira. O cheque foi entregue pelo presidente fundador do Instituto Canopus, Marcos Roberto Cruz, e por sua esposa, Edna Cruz, a Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida e presidente da Cáritas Brasileira, em uma agenda realizada no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo.


“Mesmo sendo um povo de outro país, são nossos irmãos e precisam da nossa ajuda. Decidimos doar R$ 1 milhão para a Venezuela e, diante das dificuldades para enviar o recurso, encontramos na Cáritas o apoio necessário para fazer essa ajuda chegar a quem precisa.” Ressaltou Marcos Cruz.


Mais do que um recurso financeiro, a doação representa uma resposta concreta diante de uma emergência que atingiu milhares de famílias e ainda exige ajuda internacional.


Os terremotos de 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram uma das maiores tragédias recentes da Venezuela. Os números oficiais divulgados em julho apontavam mais de 5 mil mortos, cerca de 16,7 mil feridos, quase 18 mil pessoas sem moradia e mais de 21 mil pessoas vivendo em abrigos temporários. Mais de 128 mil famílias haviam recebido algum tipo de assistência.


A dimensão do desastre também aparece nos danos materiais. Segundo avaliação do Banco Mundial divulgada em julho, os terremotos provocaram aproximadamente US$ 19,6 bilhões em danos físicos diretos, atingindo principalmente moradias, infraestrutura e estruturas não residenciais. O custo estimado da reconstrução possa chegar a US$ 50 bilhões.


Quando a emergência não termina com o resgate
Com o passar das semanas, a natureza da emergência muda. A retirada de vítimas dos escombros dá lugar à necessidade de reconstruir casas, recuperar serviços essenciais, garantir atendimento de saúde, alimentação e água e oferecer condições mínimas para que famílias deslocadas possam retomar suas vidas.


“Eu nasci numa família cristã e humilde, sei o que é ter que dividir um prato de comida pra várias pessoas. Era arroz, feijão e um ovo para cada um, quando tinha.” Lembrou o Marcos Cruz.


A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontou que a resposta venezuelana entrou, ainda em julho, em uma fase de recuperação inicial, com prioridade para a restauração dos serviços de saúde e a recuperação de unidades danificadas. A Cáritas Brasileira lançou a campanha SOS Venezuela – Solidariedade e Fraternidade, justamente diante dessa dimensão humanitária. A entidade tem reforçado que a ajuda precisa se transformar em presença concreta junto às populações atingidas. Dom Mário destacou que a solidariedade faz parte da vida do cristão e agradeceu a doação recebida.“Quero, como presidente da Cáritas Brasileira, agradecer ao presidente Marcos Cruz e à sua esposa, Edna, pela generosidade e pelo compromisso com essa causa. Agradeço também ao Grupo Canopus e a tantos outros grupos e pessoas que têm participado, colocando suas economias e fazendo suas doações solidárias. São gestos que demonstram que a solidariedade pode fazer a diferença na vida de quem mais precisa.”

 

E o medo volta a atravessar a região
A sensação de insegurança ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (10). Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia, com epicentro próximo a San José del Palmar. O tremor foi sentido em diversas cidades, entre elas Cali, além de Pereira, Quibdó e Manizales.


O novo terremoto já deixou mais de 110 mortos, além de muitas pessoas feridas. A dimensão dos estragos ainda está sendo avaliada, enquanto autoridades buscam pessoas que podem estar presas sob os escombros.


No Brasil, o tremor foi sentido em Manaus, a cerca de 2 mil quilômetros do epicentro. Por precaução, a Defesa Civil determinou a evacuação do Edifício Palácio do Comércio, no centro da cidade, enquanto equipes realizaram vistorias em áreas como Adrianópolis, Aleixo e a região central.


Para quem ainda convive com as marcas dos terremotos na Venezuela, o novo episódio amplia o medo em uma região que acaba de atravessar uma das maiores tragédias sísmicas de sua história recente.


É nesse contexto que ações de solidariedade ganham importância. O dinheiro destinado à Venezuela não representa apenas uma contribuição emergencial, mas uma forma de ampliar a capacidade de organizações que estão na linha de frente do atendimento às populações atingidas.


Um compromisso que começou em Mato Grosso
A decisão do Instituto Canopus de participar da mobilização internacional não surgiu de uma ação isolada.
Criado a partir de uma iniciativa de Marcos Roberto Cruz, o Instituto Canopus iniciou sua atuação social em 1991, com ações de formação e atividades voltadas às comunidades de Cuiabá e Várzea Grande. Ao longo de mais de três décadas, a instituição ampliou sua atuação e passou a participar de campanhas de solidariedade dentro e fora do Brasil.


A atuação internacional, portanto, é parte de uma trajetória que tem como ponto de partida o atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade. O Instituto já ajudou vítimas de tsunami no Japão, nas Filipinas e de enchentes em Portugal.
No Brasil, um dos exemplos mais expressivos ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Por meio de uma grande mobilização de arrecadação e distribuição de alimentos, o Instituto Canopus atendeu mais de 300 mil pessoas.


O trabalho ganhou outra dimensão diante da tragédia provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul. O Instituto montou um ponto de apoio para receber e encaminhar doações e mobilizou grandes volumes de donativos para as famílias atingidas. São experiências que ajudam a explicar a decisão de voltar os esforços, desta vez, para além das fronteiras brasileiras.


Solidariedade que não depende de uma emergência
A atuação do Instituto Canopus também ocorre longe dos momentos de catástrofe. A entidade mantém mais de dez projetos permanentes direcionados principalmente a crianças, jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade social. A proposta é trabalhar não apenas com a assistência imediata, mas também com oportunidades capazes de modificar trajetórias.


Um exemplo é o Primeiro Passo, programa voltado à qualificação de jovens para o mercado de trabalho. Outro é o Colcha de Retalhos, que une geração de renda, inclusão e preocupação ambiental. Mulheres aprendem técnicas de costura e passam a produzir peças artesanais a partir de retalhos que poderiam ser descartados, transformando resíduos em matéria-prima e conhecimento em renda.


A instituição também mobiliza uma ampla rede de voluntários. São mais de 10 mil pessoas envolvidas em ações do Instituto Canopus em diferentes regiões do país. Por trás de cada campanha, há, portanto, uma estrutura de participação social construída ao longo de décadas.


De Mato Grosso para onde a necessidade está
Mantido pelo Grupo Canopus, o Instituto nasceu em Mato Grosso e leva para outras regiões um modelo de atuação baseado na mobilização de voluntários, parceiros e recursos para situações em que a ajuda é mais urgente.


A origem empresarial não é, porém, o centro da história. O que ganha relevância neste momento é a capacidade de uma organização criada em Mato Grosso transformar solidariedade local em ajuda internacional.


A entrega de R$ 1 milhão à Cáritas para a população venezuelana acontece quando o país ainda contabiliza perdas humanas, milhares de pessoas desalojadas e uma longa reconstrução pela frente.


Enquanto isso, um novo terremoto atinge a Colômbia e reacende o medo em parte da população latino-americana. Em meio a números que dimensionam a tragédia, a solidariedade aparece como uma das poucas respostas possíveis diante daquilo que não pode ser evitado.


Para saber mais sobre o Instituto Canopus: www.institutocanopus.org.br
Chave pix da Cáritas para doação: doe@caritas.org.br

 

 

 

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