DEU EM A GAZETA 14.06.2026 | 09h43

silvana@gazetdigital.com.br
Reprodução
Retorno do incentivo ao esporte em Mato Grosso ultrapassa as dimensões das quadras. Medalhas, títulos e convocações refletem mudanças na vida de crianças e adolescentes que encontraram nas atividades físicas novas oportunidades. Nesta 2ª de 3 reportagens especiais da série “Valor do Esporte”, publicada pelo jornal A Gazeta, destacam-se as ações de fomento na base da pirâmide esportiva, que são os projetos comunitários indutores de transformação social e desenvolvimento.
Criado para apoiar iniciativas lideradas por Organizações da Sociedade Civil (OSCs), o programa Pontos de Esportes e Lazer funciona como instrumento de articulação e fortalecimento de atividades existentes nas comunidades. O objetivo é apoiar instituições sem fins lucrativos com comprovada atuação esportiva, voltada ao interesse social coletivo e ao atendimento de populações vulneráveis.
Desde 2023, o programa destinou R$ 8 milhões a projetos espalhados pelo estado. Os investimentos cresceram ao longo dos anos. Em 2023, foram R$ 1,8 milhão para contemplar 40 instituições, com premiação individual de R$ 30 mil. Em 2024, o valor chegou a R$ 2,8 milhões, com atendimento a 66 organizações. Em 2025, o programa atingiu sua maior abrangência, contemplando 82 projetos e totalizando R$ 3,4 milhões em investimentos, com repasses de R$ 40 mil para cada iniciativa selecionada. A atuação do programa também se expandiu territorialmente, chegando a 24 municípios em 2025, ante 22 em 2023. Com isso, o número de beneficiados pelas ações desenvolvidas saltou de 8 mil em 2024 para 18.071 pessoas em 2025, um crescimento de 125,9% no último ano, conforme informações da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Embora os valores pareçam modestos diante dos grandes investimentos esportivos, os efeitos se multiplicam dentro das comunidades. Os recursos financiam compra de materiais esportivos, uniformes, ajuda de custo a professores e monitores, além de fortalecer a estrutura das entidades, movimentando a economia local.
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É o caso do Instituto Futsal Sem Drogas, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. Com 15 anos, o projeto criado pelo professor Vanderlei Benedito Souza, o Wando, atende 120 crianças e adolescentes de 12 bairros e alcança 480 pessoas indiretamente. O que começou com o futsal transformou-se em uma rede de apoio que oferece oficinas esportivas, balé, reforço escolar, artes marciais e cursos profissionalizantes para jovens de 5 a 17 anos. A permanência na escola é requisito obrigatório. “São 15 anos de luta, de sonhos e de esperança de mudar a nossa comunidade através do esporte”’, afirma Wando. Segundo ele, a iniciativa busca afastar crianças do aliciamento pelo tráfico de drogas. “O compromisso social é impedir o contato dos jovens com o mundo das drogas e dos crimes”, reforça. Apesar dos resultados, o projeto ainda enfrenta dificuldades pela falta de sede própria. Mesmo assim, mantém ações solidárias, como a distribuição semanal de 400 quilos de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade.
Em Cuiabá, a Associação Cuiabana de Esportes, Educação e Cultura (Aceec) também demonstra o alcance do investimento público. Criado em 2022, o Projeto Solidário Formando Cidadãos atendeu cerca de 400 crianças e adolescentes da região do Coxipó com atividades de futsal, jazz e futebol. Desenvolvido na Escola Municipal Moacyr Gratidiano Dorileo, o projeto alia esporte, cultura e acompanhamento escolar. “Promovemos acesso ao esporte e à dança, fortalecendo a interação social e contribuindo para o desenvolvimento integral da comunidade”, destaca a coordenadora da Aceec, Josiane Regina Sales dos Santos. Reuniões com famílias, palestras sobre cidadania e prevenção às drogas, realizadas em parceria com o 9º Batalhão da Polícia Militar, complementam as ações. O apoio do Pontos de Esporte e Lazer também permitiu oferecer ajuda de custo a professores e garantir maior estabilidade às atividades, fortalecendo a associação e ampliando o atendimento.
No interior de Mato Grosso, o esporte financiado por políticas públicas também tem mudado trajetórias e levado meninas das quadras de Primavera do Leste às universidades norte-americanas. Beneficiado há 4 anos consecutivos pelo programa Pontos de Esporte e Lazer, o Força Vôlei transformou-se em referência ao aliar formação esportiva e cidadã. Fundada em 2018 e em atividade desde 2019, a associação surgiu da iniciativa do professor Ricardo Moura, responsável pelo desenvolvimento do voleibol no município desde 2007. Ao perceber que o poder público não conseguiria sustentar sozinho projetos de rendimento, criou a entidade para captar recursos públicos e privados. ‘Era a única forma de tornar viáveis os objetivos que tínhamos como equipe’, afirma.
Com repasses anuais de R$ 40 mil do governo do Estado, além do apoio da prefeitura com espaços para treinamentos e transporte, o projeto ampliou seu alcance e hoje atende 600 meninas, de 7 a 17 anos, em 5 polos distribuídos por diferentes regiões da cidade. A associação também contratou 5 profissionais para executar as atividades.
Exclusivo para o público feminino, o Força Vôlei reúne atletas de diferentes realidades sociais. “Toda menina estudante, da rede pública ou privada, pode participar. Independentemente da renda, todas têm o mesmo valor dentro da equipe”, destaca Moura. A matrícula e a frequência escolar são obrigatórias, e o projeto acompanha o desempenho das participantes junto às famílias e às escolas. “Os professores relatam liderança, responsabilidade e organização. As mães dizem que as filhas ficam mais comprometidas e disciplinadas”, afirma.
Com impacto indireto estimado em 1,8 mil pessoas, o projeto também abriu portas acadêmicas e profissionais. Diversas atletas conquistaram bolsas em escolas particulares e universidades, inclusive no exterior. Outras foram convocadas para períodos de treinamento com a Seleção Brasileira ou atuam em equipes de outros estados. Para Moura, os resultados vão além dos títulos. “Nosso maior orgulho é ouvir elogios sobre quem essas meninas se tornaram. Não formamos apenas atletas. Formamos boas cidadãs e isso volta para a sociedade.”
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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