candidatos a governo 01.09.2026 | 15h35

fred.moraes@gazetadigital.com.br
João Vieira
O debate da TV Vila Real com os candidatos ao governo de Mato Grosso foi marcado por tensão, pedidos de direito de resposta, acusações, emoção e até uma discussão e empurrões nos bastidores. O
acompanhou os cinco blocos de dentro do estúdio e registrou momentos que não foram exibidos ao telespectador ao longo das cerca de duas horas e meia de transmissão.
O primeiro bloco começou em um clima mais ameno. Diante das câmeras, os candidatos demonstravam maior nervosismo e pouca interação entre si. As perguntas foram feitas por jornalistas do Grupo Gazeta de Comunicação e abordaram temas como o endividamento dos servidores públicos, o domínio de facções criminosas, a destinação de emendas parlamentares e a segurança pública.
Durante o intervalo, os assessores se aproximaram dos candidatos. Cada equipe aproveitou a pausa para conversar com seu candidato, fazer orientações e acompanhar de perto o andamento do debate.
A temperatura começou a subir no segundo bloco, quando os próprios candidatos passaram a fazer perguntas uns aos outros. As acusações ganharam espaço e surgiram os primeiros pedidos de direito de resposta.
A candidata Natasha Slhessarenko (PSD) foi a primeira a solicitar o direito de resposta após ser citada em uma pergunta feita por Maurício Coelho (Mobiliza). Ele mencionou o recebimento de cerca de R$ 4 milhões do fundo eleitoral para a campanha da candidata, valor permitido pela legislação eleitoral. Na sequência, Wellington Fagundes (PL) também pediu direito de resposta depois de ser chamado de “melancia” pelo candidato Rafael Millas (Missão).
O passado político dos concorrentes que já ocuparam cargos públicos também entrou na mira. Wellington Fagundes foi questionado por Otaviano Pivetta (Republicanos) sobre sua trajetória política e citado em relação a indicações para superintendências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em referência a um episódio que ganhou repercussão nacional.
Mesmo com o aumento das provocações, temas como segurança pública, pavimentação e saúde continuaram entre os principais assuntos.
Foi justamente durante uma pergunta sobre saúde que o debate ganhou um dos momentos mais emocionantes. O candidato Sargento Laudicério (AGIR) questionou Natasha Slhessarenko sobre o atendimento na rede pública e, ao relatar a história da própria mãe, que teria perdido a visão após uma demora na realização de um exame de rotina para descolamento de retina, se emocionou e chegou a chorar.
O candidato atribuiu o episódio ao que classificou como “velha política” e chamou os políticos de covardes.
Discussão fora do ar
O momento mais tenso, porém, aconteceu durante o intervalo que antecedeu o terceiro bloco. Com uma pausa de cerca de 25 minutos para a propaganda eleitoral, os candidatos deixaram o estúdio e seguiram para a sala de descanso.
Foi nesse momento que ocorreu uma discussão envolvendo Maurício Coelho e o marido de Natasha Slhessarenko.
Segundo relato feito pelo próprio Maurício, ele teria sido intimidado pelo marido da candidata após uma suposta fala atribuída a ele sobre “trucidar” Natasha, direcionada a um integrante da equipe de marketing da campanha.
Durante o desentendimento, Maurício chegou a tocar no braço do marido da candidata. Integrantes das campanhas intervieram e separaram os envolvidos.
Na sequência, antes do retorno do programa, Maurício e Natasha também discutiram. A candidata expôs publicamente a acusação durante o debate.
Outro momento curioso registrado ocorreu quando Sargento Laudicério, durante uma das interações, mostrou algo escrito nas folhas que utilizava para acompanhar o debate, aparentemente direcionando a anotação a Maurício Coelho.
Maurício reagiu balançando a cabeça e, em seguida, também apontou para as próprias anotações.
O penúltimo bloco transcorreu de maneira mais tranquila, embora os pedidos de direito de resposta continuassem. Wellington Fagundes foi quem mais recorreu ao mecanismo, com sete pedidos. Pivetta solicitou três vezes e Maurício Coelho, uma.
Parte dos pedidos foi concedida pela organização do debate, conforme a avaliação das regras estabelecidas para o programa.
No quinto e último bloco, o clima voltou a ser mais leve. Os candidatos tiveram espaço para as considerações finais, fizeram promessas e se despediram do eleitor.
Na pressa da despedida, porém, todos acabaram deixando de lado um detalhe importante da campanha: pedir explicitamente o voto e informar o número de urna.
Sargento Laudicério ainda protagonizou um encerramento diferente dos demais. Em vez de apenas concluir sua fala, o candidato chegou a cantar durante as considerações finais.
Ao fim, os cinco candidatos deixaram o estúdio e atenderam à imprensa.
O próximo debate acontece dia 17 de setembro, com candidatos ao Senado, e 1.º de outubro, com candidatos ao governo.
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