CONFUSÃO APÓS DERROTA 15.04.2026 | 10h55
Raul Baretta/ Santos FC
Peixe teve empate frustrante contra os reservas do Recoleta, oitavo colocado do Campeonato Paraguaio, na Vila Belmiro: 1 a 1. Time foi xingado, vaiado. Neymar fez gol, perdeu chance absurda, tomou amarelo e poderia ter sido expulso. Depois, bateu boca com torcedores
“Mimado? Estou dando a vida aqui, irmão!
“Mas vou te dar um minuto de fama.
“Você ter treinado mais, está gordinho.”
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Frases de Neymar, que, após o vexatório empate em 1 a 1 do Santos contra os reservas do Recoleta, pela Sul-Americana, em plena Vila Belmiro, decidiu bater boca com torcedores santistas.
Ele acabou xingado.
E, antes de dar entrevista, ainda mandou santistas que lhe mandavam palavrões ‘calarem a boca’.
Esse foi o clima no jogo que marcou o 114º aniversário do Santos Futebol Clube.
Aos 34 anos, vivido e protegido como nenhum outro jogador neste país, Neymar soube da péssima repercussão na mídia e nas redes sociais sobre seu comportamento. E tratou de fazer o que costumeiramente não faz.
Falou na zona mista para tentar se justificar.
O capitão do Santos avisou. Não aceitará ser tratado da maneira que foi pelos torcedores. Não quer ser xingado. E nem ouvir que não respeita o clube.
“Retruquei pela forma como falou comigo. Entendo os torcedores que criticam o nosso jogo, mas, quando vai para o pessoal, não vou aceitar. Sou coerente.
“Faço mais do que deveria e não posso ser tratado dessa forma.
“Não estou dizendo que não posso ser criticado pelo que faço em campo, mas fora de campo não vou aceitar. Torcedor fica chateado de sair com o empate. Nós também
“Estou chateado por tudo, pelo que escutei de alguns torcedores. Não foi pelo meu desempenho, foi meu pessoal, pelo que a mídia posta, pelas coisas que saem na mídia.
“Torcedor se excede, me xinga de uma forma diferente e eu fico chateado.
“Dou a vida por esse clube, faço mais do que deveria fazer e não vou aceitar ser tratado dessa forma”, repetiu.
Neymar não foi o único xingado.
Gabigol foi muito mais ao ser substituído, por deficiência técnica, no segundo tempo.
A equipe toda teve de ouvir o coro desagradável vindo das arquibancadas.
“Vergonhaaaaa... Time sem vergonhaaaaa...”
Ninguém poderia imaginar que a noite terminaria dessa forma deprimente.
Cuca montou esquema ofensivo. Ele soube que o Recoleta veio ao Brasil sem seus 13 principais jogadores. Todo o time titular e dois reservas mais usados.
Porque a direção avisou que temia mais ser rebaixado no Campeonato Paraguaio, onde o time é apenas oitavo colocado, do que se preocupar com a Copa Sul-Americana. Além disso, era a primeira partida internacional que o clube fazia como visitante.
Logo aos quatro minutos de jogo, Gabigol desceu pelo lado esquerdo da área e cruzou. Neymar empurrou para a redes.
Santos 1 a 0, e não há uma pessoa que estivesse na Vila Belmiro que não esperasse a goleada. Os reservas do Recoleta se mostravam perdidos e desentrosados.
Só que o Santos de Cuca depende irritantemente de Neymar. Todos os ataques, os jogadores o procuram, facilitando a marcação de qualquer time. E mesmo a improvisada equipe paraguaia tratou de fechar os espaços do camisa 10 que, justiça seja feita, se movimentou muito e, sem a explosão muscular de dez anos atrás, tratou de tocar a bola de primeira, deixando companheiros livres.
Pelo menos nos primeiros 45 minutos de jogo, quando teve mais fôlego. Na segunda etapa, caiu. O que é normal para um atleta de 34 anos, 44 lesões e cinco cirurgias.
Neymar teve a chance de ‘matar o jogo’, aos 34 minutos, quando Gustavinho se aproveitou de péssima reposição do goleiro reserva Toledo. E a bola sobrou para o camisa 10 santista, com o gol vazio. Ele chutou para fora.
O castigo veio aos 45 minutos, quando Luan Perez cometeu pênalti infantil, inaceitável, atropelando Figueredo, que estava de costas para o gol, em um lançamento pelo alto.
Pênalti que Ortiz não desperdiçou.
1 a 1.
O nervosismo tomou conta do Santos no segundo tempo. Com a irritante procura dos jogadores por Neymar, em qualquer lance de ataque. E com o excesso de cruzamentos.
O resultado enganou as estatísticas.
Foram 17 arremates a gol por parte dos santistas; mais chances de gol foram três, os outros foram puro fruto da afobação, desespero.
Neymar foi se irritando.
Ele já havia tomado um justo cartão amarelo no primeiro tempo, ao dar uma trombada violenta em Figueredo. No segundo, nervoso por Domínguez não deixar cobrar falta rápido, ficando perto da bola, o santista deu um chute forte, acertando o paraguaio.
Se tivesse um pouco mais de coragem, o árbitro Fernando Véjar poderia ter dado o segundo amarelo e expulsado Neymar. Se estivesse em uma partida de Copa do Mundo, o camisa 10 do Santos tomaria vermelho.
Vale destacar que Gabigol saiu muito vaiado.
E, irônico, bateu palmas e riu para os torcedores, sendo ainda mais xingado.
Cuca assumiu a decepção.
“O resultado em si é ruim. Mas a gente não pode falar em vexame. A gente sente; era um jogo para vencer com naturalidade.
“A estratégia foi bem executada, dominamos o jogo, mas precisamos fazer o gol. Quando se perde chances claras, o jogo fica perigoso. Cabe a nós administrar esse momento ruim na Sul-Americana”, disse.
O Santos é o último colocado do grupo D.
Mas no Brasileiro a situação também é bem complicada. Com o time a três pontos da zona do rebaixamento.
Neymar lutou muito, se movimentou, buscou tabelas de primeira, evitou dribles por saber não ser o mesmo jogador de dez anos atrás.
Não merecia ter sido xingado.
Teve uma boa participação, diante de adversários fraquíssimos.
E perdeu a razão discutindo com torcedores, movidos apenas pela emoção.
Será que são jogadores assim que o Brasil precisa na Copa do Mundo?
Esse não era o aniversário que o gigante Santos merecia...
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