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'problema de caráter' 11.02.2020 | 09h44

Faustão critica postura do Flamengo sobre indenização a famílias de meninos mortos

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Reprodução

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"É inadmissível, indecente o comportamento dos diretores do Flamengo no caso do incêndio. O problema não é dinheiro, até porque dinheiro algum vai trazer as vidas de volta."

 

"O problema é principalmente caráter, ter a sensibilidade, um tanto de humanismo".

 

"Como é que esses dirigentes conseguem chegar em casa e olhar os filhos e olhar os netos, sem nenhum respeito a quem perdeu as crianças?

 

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"É revoltante em todos os aspectos."

 

Foi dessa maneira, direta, que o apresentador Fausto Silva criticou a direção do Flamengo, no seu programa de domingo, na TV Globo.

 

Ele lastimava que, um ano depois do incêndio no dormitório da concentração do clube, a questão não havia sido resolvido.

A emissora que costuma ser discreta nos assuntos mais importantes do país, desta vez viu um funcionário se posicionar e atacar diretamente a cúpula do Flamengo.

 

A revolta foi pelos dirigentes não terem resolvido o problema da indenização às famílias dos dez meninos mortos no Ninho do Urubu.

 

Fausto Silva foi por anos jornalista esportivo por anos. E acompanha, ainda, futebol de perto. Sabe que o Flamengo está vivendo um momento de muito dinheiro. A perspectiva neste ano é faturar entre R$ 750 milhões e R$ 850 milhões.

 

Para o ressarcimento das dez famílias dos garotos, entre 14 e 16 anos, que morreram no terrível incêndio, bastariam cerca de R$ 60 milhões, somadas uma quantia de R$ 2 milhões e mais uma pensão de R$ 10 mil até os 45 anos, que os meninos não puderam completar vivos.

 

A direção do Flamengo não aceitou a proposta do Ministério Público do Trabalho, Ministério Público do Rio de Janeiro e da Defensoria Pública.

 

Falou em valores 'exorbitantes' e que iria se 'resolver' com cada família. A situação vergonhosa perdura. Até as torcidas organizadas já mostraram sua indignação diante da postura dos dirigentes do clube. Os meninos morreram no dormitório, que não passava de contêineres soldados, improvisados.

 

A maior parte da mídia se colocou contra a direção do Flamengo. Mas o ataque de Fausto Silva teve um peso maior para o presidente Rodolfo Landim. E ele viu algo que foi além da terrível morte dos meninos.

 

Em nota oficial, o Flamengo diz que o ataque de Fausto Silva tem 'pano de fundo, interesses comerciais não atendidos."

"(...)Tamanha agressividade tem como pano de fundo interesses comerciais não atendidos e que se sobrepõem ao trabalho de informar corretamente aos telespectadores. Isto, ao nosso ver, constitui abuso de direito e tentativa de indução negativa da opinião pública, algo inadmissível do ponto de vista moral e ético."

 

Ou seja, o Flamengo acredita que Fausto só atacou a direção por não ter resolvido a questão com os familiares dos garotos pela desavença da Globo pelo Campeonato Carioca.

 

Executivos globais estão mesmos tensos, irritados porque o campeão da Libertadores e do Brasil, não aceitou os R$ 15 milhões pela transmissão do Estadual. Como fizeram Botafogo, Fluminense e Vasco.

 

O Flamengo pediu R$ 100 milhões. Depois, baixou sua pedida para R$ 80 milhões. Mas, até agora, a Globo não cedeu. Vai começar a semifinal da Taça Guanabara e o canal tem o direito de todos os demais participantes, menos o do mais forte. O Flamengo disputará sua vaga na final com o Fluminense. O clube já atuou seis vezes e a emissora não pôde mostrar nenhuma das suas partidas. E a tendência é que não mostre a semifinal.

 

Se o Flamengo chegar à final não só da Taça Guanabara, como da Taça Rio e for campeão carioca, seria um vexame a Globo mostrar o Carioca todo, menos seus jogos mais importantes.

 

Além disso, o Flamengo entrou na justiça questionando a distribuição de dinheiro da Globo pelo Brasileiro. Ou seja, o relaciomento entre os dois antigos parceiros está péssimo. Mas o que Fausto Silva não tem a ver com isso. São situações diferentes.

 

O apresentador está revoltado como a maioria dos jornalistas. A direção do Flamengo já teria resolvido a questão mais triste de sua história se quisesse.

 

Negociar, economizar, regatear as indenizações das famílias é algo absurdo. A questão já deveria ter sido solucionada há muito tempo.

 

Os familiares perderam seus filhos, a quem entregaram com confiança para viver na concentração do clube mais popular do Brasil. E os receberam mortos, queimados ou asfixiados pela fumaça tóxica dos contêineres queimados.

 

"O Flamengo não pode aceitar qualquer pedido absurdo de valor que venha a ser feito. Esse assunto a diretoria coloca enorme atenção. Ontem tivemos uma festa organizada pelo Flamengo, com entrada em campo com faixas, passamos no telão um vídeo, balões com a torcida, os jogadores entraram com nome das crianças que faleceram".

 

"Aliás, vamos preparar essas camisas para as famílias. Eles vão autografar e encaminhar camisa para cada um deles (famílias). São várias outras coisas que fazemos. Não vejo olharem o copo meio cheio. Mas só meio vazio. As pessoas sempre acham que pode ser feita outra coisa", disse o presidente Rolim, domingo, em entrevista à Rede Brasil".

 

Landim promete seguir lutando na justiça para 'pagar o que achar justo'. Ele lida com famílias pobres, que tinham nos meninos a esperança de redenção na vida. E que já dependiam do pouco dinheiro que chegava deles. Por isso, o Flamengo tem a seu favor o tempo. E age de maneira cruel.

 

O clube pode ganhar todos os títulos que disputar sob o comando de Landim. Mas no seu legado, quando sua vida for pesquisada, daqui a 50 anos, estará o incêndio, as mortes e a negociação mesquinha com as famílias dos mortos.

 

Fausto Silva desta vez está correto. Não adianta o Flamengo tentar desviar o foco. É desumana a postura da direção do clube. Dez meninos morreram no dormitório oferecido pelo Flamengo.

 

O clube comprou, no dia 28 de janeiro, Gabigol. Pagou cerca de R$ 80 milhões à Inter de Milão. A folha de pagamento dos jogadores ficará em torno de R$ 14 milhões. Serão gastos R$ 182 milhões só de salários aos jogadores, computado o décimo terceiro. O que representariam R$ 60 milhões, diluídos nos próximos 31 anos, para o clube mais popular desse país?

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