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26.08.2016 | 13h43

Silval recebia 70% da propina; Zílio ficou com R$ 8,8 milhões

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Welington Sabino

Delatores-réus César Zílio e Pedro Elias serão interrogados pela juíza Selma Rosane

Dois ex-secretários de Estado que são delatores no esquema de corrupção investigado na Operação Sodoma e réus na ação penal decorrente dos mesmos fatos, prestam depoimentos nesta sexta-feira (26). Na audiência de instrução e julgamento, a juíza Selma Rosane Santos Arruda vai interrogar César Roberto Zílio e Pedro Elias Domingos de Mello.

Eles serão questionados também pela promotora de Justiça, Ana Cristina Bardusco e pelos advogados dos demais réus- são 17 no total- sobre o esquema de corrupção instalado na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que consistia na cobrança de propina de empresários que mantinham contratos com o governo de Mato Grosso ou eram beneficiados por incentivos fiscais.

Zílio, o primeiro a ser ouvido, também vai discorrer sobre a compra de um terreno de R$ 13 milhões que ele adquiriu utilizando dinheiro de propina paga por empresários. Apesar de delatores, Zílio e Pedro Elias também foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Acompanhe como foram principais momentos da audiência

20h36- O advogado Victor Borges pede a revogação da prisão preventiva de Silvio Cézar Corrêa Araújo. Ele também reclama sobre os vazamentos de trechos da delação de César Zílio. Por fim, pede que a juíza Selma Rosane provoque o Ministério Público a se manifestar e promover uma acareação entre César Zílio e o arquiteto José da Costa Marques. O advogado Bruno Alegria, defensor de Rodrigo Barbosa, reitera o pedido. Também quer que o empresário Willians Mischur seja processado por lavagem de dinheiro, pedido já feito em audiência anterior.

Bruno Alegria cobra a entrega de relatórios sobre as investigações em documentos apreendidos no escritório e na casa de Rodrigo, e também de outros réus alvos de mandados judiciais nas 2ª e 3ª fases da Operação Sodoma. Caso contrário, pede a suspensão dos interrogatórios até a conclusão das investigações sobre os fatos relativos à denúncia da ação penal. A defesa de Silval adere ao requerimento.  

20h25 - Termina o interrogatório de mais de 6 horas prestado por César Zílio. Na segunda-feira (29), começa outra audiência, às 10h para interrogar o ex-secretário Pedro Elias, também delator e réu na ação penal da Operação Sodoma (2ª e 3ª fase).

20h15 - Sigilo sobre possiveis nomes de políticos com foro privilegiado. Zílio reafirma que Silval Barbosa dizia que parte dos valores da propina que recebia era destinada ao pagamentos de dívidas políticas. Ele, no entanto não cita nomes. Valber Melo quer saber se existia algum político com foro por prerrogativa de função. Zílio afirma que não vai responder ao questionamento. Diante da reação de vários advogados que fazem pressão para que ele revele algum nome, já que fez delação premiada e não pode omitir fatos relativos ao processo, ele rebate: "essa questão não está nos autos, é questão de sigilo", revela Zílio ao deixar claro que existem investigações em andamento possivelmente envolvendo políticos com foro privilegiado suspeitos de envolvimento no recebimento de propina.

20h08 - Valber Melo, outro defensor de Silval Barbosa, quer saber mais detalhes sobre a entrega de dinheiro de propina que Zílio afirma que entregava ao ex-governador Silval Barbosa e deixava no armário que existia dentro do banheiro do governador. Zílio responde que Silval sempre estava sozinho e ninguém mais presenciava a entreva dos valores. Também não sabe eslcarecer se existia circuito de filmagem no gabinete e se as imagens eram armazenadas em algum local. 

19h55 - A defesa do ex-governador Silval Barbosa é a última a fazer perguntas a César Zílio. Artur Osti, um dos integrantes da banca jurídica do ex-governador, questiona Zílio para esclarecer algumas dúvidas que surgiram, segundo ele, no decorrer da audiência. Quer saber dos encontros que Zílio revelou que teve com Willians Paulo Mischur, se houve troca de documentos. O ex-secretário diz não se lembrar se houve troca de documentos. Esclarece, novamente, sobre os termos utilizados por ele quando falou para Mischur assinar o contrato de compra do terreno, em meados de 2015, ou perderia o contrato que tinha com o Estado para gerenciar a margem consignável de empréstimos a servidores estaduais. 

19h38 - Patrimônio milionário de Zílio é questionado por vários advogados. César Zílio ingressou no serviço público estadual em 2003, na gestão do governador Blairo Maggi e afirma não se lembrar qual era o valor do seu patrimônio pessoal naquela época.

19h15 - César Zílio afirma que na sua gestão à frente da SAD não houve qualquer fraude pra beneficiar a empresa Consignum, para direcionar uma licitação “Não tem como definir o vencedor de uma licitação de forma absoluta”, argumenta Zílio”, diz ele argumentando que existem outras empresas do mesmo segmento que podem participar e ganhar a licitação. João Cunha segue fazendo uma série de perguntas para tentar encontrar alguma contradição no depoimento de Zílio. Ele repete questionamentos já feitos ao ex-secretário.

18h50 - O interrogatório de César Zílio continua e já totaliza 5 horas de questionamentos. Ele segue respondendo perguntas feitas pelo advogado João Nunes da Cunha Neto, defensor do procurador aposentado, Chico Lima. Ele faz perguntas sobre o patrimônio pessoal de Zílio as outras fontes de renda oriunda de sua atividade enquanto pecuarista. 

17h55 - Somando as propinas recebidas de 3 difererentes fontes, César Zílio lucrou R$ 8,8 milhões, sendo R$ 800 mil do empresário Julio Minori, mais R$ 1 milhão das gráficas ligadas a Walace Guimarães e outros R$ 7 milhões de Willians Mischur, da Consignum. 

Ele garante que a casa dele no condomínio Florais custou cerca de R$ 2 milhões (construção). Atualmente, fala-se que está avaliada em R$ 5 milhões. Zílio responde questionamentos do advogado Victor Borges e revela que gastou cerca de R$ 700 mil com a compra da mobília da casa. De 2011 pra cá, afirma que não comprou mais nenhum veículo e todos os carros, caminhões e maquinário como tratores usados na fazenda foram comprados antes dele começar a receber propina na gestão Silval Barbosa. O advogado coloca em xeque a origem do patrimônio de Zílio. Ele reafirma que os bens como fazenda foram adquiridos antes do período em que começou a receber propinas e cita uma série de imóveis que possui em diferentes municípios mato-grossenses. 

17h50 - Zílio diz que Silval Barbosa integrava o primeiro escalão na organização criminosa porque ele era o chefe. “Eu integrava o segundo escalão”, diz. Sobre o valor de propina recebido no esquema por Silvio Corrêa, Zílio diz que não sabe informar.

17h40 - Viagem a negócios no Uruguai. Zilio confirma ao advogado Victor Borges que já foi ao Uruguai e a passeio e também a negócios. Inclusive, para tratar de assuntos envolvendo offshore. Mas não entra em detalhes. O advogado segue questionando o ex-secretário sobre negócios pessoais e sobre sua ligação com o empresário Willians Mischur, da empresa Consignum. 

17h28 - Divergência na quantidade de gado que Nadaf tinha na fazenda de Zílio. César Zílio diz que Pedro Nadaf deve estar equivocado quando diz que teria uma quantidade maior de gado e automaticamente teria mais dinheiro a receber pela venda dos animais. "Esses valores que passei tenho certeza que está certo", garante ao explicar que Nadaf não entende sobre criação de gado. O réu-delator agora ele segue "dando uma aula" aos advogados sobre pecuária. Explica sobre os gastos com os animais, sobre venda e as despesas. "Animal é igual ser humano", resume ele para dizer que também gera despesas. 

17h25 - Vazamento de delação – Victor Gomes Borges, advogado do réu Evandro Gustavo Pontes da Silva questiona se Zilio vazou trechos de sua delação para imprensa antes de mesmo de ser homologada. “Eu estava preso, só sai do presídio para prestá-la. Minha defesa evidentemente que não foi quem vazou”.
Zílio evita tecer comentários se acredita que o vazamento partiu do Ministério Púbico ou da Polícia. “Essa pergunta não cabe a mim responde-la”, responde.

17h20 - Zílio recebeu R$ 7 milhões de propina de Mischur - César Zílio revela ter recebido em torno de R$ 6 ou R$ 7 milhões em propina paga pelo empresário Willians Paulo Mischur, dono da empresa Consignum. Vale ressaltar, que num trecho da denúncia, o Ministério Público Estadual afirma que Mischur pagou pelo menos R$ 17,6 milhões em propina ao grupo criminoso chefiado por Silval Barbosa. 

17h10 - Bruno Alegria, advogado do réu Rodrigo Barbosa, quer saber de que forma César Zílio defendia os interesses da organização criminosa ao comprar o terreno de R$ 13 milhões usando dinheiro de propina. Zílio esclarece que defendia a organização elaborando um contrato em nome de outros compradores para dar ares de legalidade ao dinheiro oriundo de propina. A ideia era ocultar a origem ilícita dos valores. Ele garante que não se tratava de interesses financeiros da organização criminosa na compra do imóvel, mas sim uma forma de justificar o uso de cheques de terceiros para não prejudicar os envolvidos na quadrilha. Ele tentou acobertar os pagamentos pra não prejudicar a organização numa operação policial ou num processou judicial. O interesse financeiro era apenas de César Zílio que tinha pretensão de construir uma galeria comercial no terreno. 

16h50 - Após um intervalo de 30 minutos, é retomado o interrogatório de César Zílio que agora responde aos questionamentos formulados por advogados dos demais réus. Zílio responde ao advogado Marcos Dantas, defensor de Marcel de Cursi e afirma que nunca esteve no Cira e evita entrar em detalhes sobre os depoimentos que prestou antes de assinar o acordo de delação premiada. Ele esclarece que os assuntos tratados com seu advogado não dizem respeito à defesa dos demais réus. 

15h58 - Contrato de terreno de R$ 13 milhões. Zílio é questionado pelo Ministério Público e conta que o empresário Willians Mischur assinou o contrato da compra do terreno a mando dele. “Assinou sem ler, ele não faz muita questão de ler documentos, parece não gostar”, diz Zílio confirmando a versão já prestada por Mischur em juízo. Também explica como se deu a mudança de "compradores" do terreno nos contratos. Ou seja, a retirada do contrato do nome do arquiteto José da Costa Marques da condição de comprador para colocar no nome de Antelmo Zílio (falecido) e Willians Mischur. O empresário perguntou “se não ia dar merda” e Zílio garantiu que não, que estava tudo certo.

15h50 - Solidariedade e choro na prisão. Quando Zílio foi preso em março, ele teve uma conversa com Nadaf no Centro de Custódia pois foi colocado na mesma cela. Ele revela detalhes de alguns diálogos que tiveram e do momento de tristeza compartilhado por ambos que já aparentavam estarem arrependidos. "Nos abraçamos e choramos muito juntos. Ali nos confabulamos como que vamos sair dessa situação porque nossas vidas foram por água abaixo. Foi mais um momento de tristeza e desabafo", revela Zílio. "Cárcere é doído", complementa o ex-secretário. No encontro, Nadaf pediu a Zílio que não revelasse a existência do gado de Nadaf em sua fazenda. César Zílio disse que iria tentar não contar sobre os animais. 

15h45 - Nadaf comprou gado de César Zílio e pagou com dinheiro de propina. Zílio esclarece que a maior parte do valor total de R$ 1,5 milhão foi paga em dinheiro por Nadaf, cerca de 90%. Em valores, Zílio acredita ter recebido de Nadaf entre RS 1 milhão e R$ 1,2 milhão em dinheiro. O restante foi em cheques entregues por Nadaf no seu escritório. Ana Bardusco aponta 11 cheques da Casa da Engrenagem usados no pagamento do terreno. “Reconheço todos eles como dinheiro de propina obtido de esquema de propina”. 

"Essas confissões ai não existiam não", esclarece Zílio quando questionado sobre como tem certeza que o dinheiro usado por Pedro Nadaf para pagar o gado era oriundo de propina. Mas ele reafirma ter a certeza porque Nadaf não era do ramo pecuarista. Acredita que só decidiu investir na compra de gado porque o "dinheiro que recebeu do esquema de propinas estava de bobeira". 

15h20 - Participação Walace Guimarães no esquema - Zílio confirma que ex-prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB) o procurou e disse que precisava de recursos. Revelou que iria indicar algumas gráficas para receber o dinheiro e para isso o Estado deveria fazer adesão a contratos de "prestação de serviços" por parte das gráficas. "Ele ofereceu 2 milhões e pediu que fizesse o pagamento de R$ 4 milhões para as gráficas indicadas por ele". Zílio revela que Walace falou em 5 gráficas. Confirma que os pagamentos para 2 empresas gráficas indicadas por Walace ocorreram em torno de 20 dias depois da assinatura do contrato com as gráficas. Ele confirma que os serviços não foram prestados, pois é impossível produzir os serviços atestar as notas e fazer os pagamentos em 16 dias após a assinatura dos contratos. Ele acredita que talvez uma pequena parcela dos serviços tenham sido prestadas. 

15h10 -Zílio é substituído por Pedro Elias na função de receber propinas da Consignum. O ex-secretário revela que em agosto de 2013 ele foi procurado pelo empresário Willians Mischur que lhe disse que passaria a pagar a propina mensal ao então secretário-adjunto da SAD, Pedro Elias. Ele garante que tentou conversar com o então governador Silval Barbosa, mas não foi recebido. Decidiu então falar com Silvio Corrêa que o mandou "ficar fora daquilo e não se meter mais". 

15h - O protetor da organização - "Se tudo viesse à tona eu comprometeria meu nome e também a organização", revela Zílio ao dizer que de certo modo também era tido como uma espécie de "protetor" da quadrilha e tinha a extrema confiança de Silval Barbosa. Justifica que isso ficou selado quando ele assinou esses contratos e passou a administrar o recebimento de propina paga pelo empresário Willians Mischur. A propina era paga em dinheiro, cheques e até transferência bancária. 

14h55 - Zílio recebeu propina mesmo depois que deixou a SAD. Zílio esclarece que ficou como secretário na SAD até 11 de janeiro de 2013 quando saiu e foi para a MT-PAR. Na autarquia ele continuou recebendo propinas até agosto daquele ano. Explica para a promotora Ana Cristina Bardusco que isso foi combinado por Silval Barbosa. Ou seja, que Zílio seria retirado da SAD para abrir espaço da secretaria para outra sigla de apoio do grupo político, mas ele continuaria cuidando do contrato de Willians Paulo Mischur e sendo responsável por receber a propina. “O próprio governador combinou isso comigo”, garante Zílio.

Ele detalha que entregava os cheques ao então governador Silval sempre dentro de envelopes, em valores na casa de R$ 30 mil para facilitar as operações, pois segundo ele, cheques de valores altos dificultava a distribuição entre os demais membros da quadrilha e as operações financeiras.

14h42 - Agora César Zílio responde aos questionamentos do Ministério Público e confessa que tratou de propinas em várias conversas com Silvio Corrêa. "Sempre que o Silvio falava em propina eraa em nome do governador", atesta enfatizando que Silvio era o homem de confiança de Silval e tinha poder total para conversar com os demais membros da organização criminosa sobre qualquer assunto envolvendo propinas e demais interesses da quadrilha.

Banheiro com guarda-roupas secreto. O réu e relator César Zílio também revelou que no gabinete de Silval Barbosa existia um banheiro com um guarda-roupas oculto, local onde era utilizado por ele por Silval para guardar documentos sobre o contrato da empresa Consignum do empresário Willians Paulo Mischur, o maior pagar de propina no esquema. Alguns valores de propina também eram depositados no local temporariamente.

14h30 - Ressarcimento do erário. Zílio Revela que no acordo de delação premiada se comprometeu em ressarcir o erário estadual. Confirma que o terreno adquirido com dinheiro de propina já está em poder do Estado. Também concordou em devolver em dinheiro o valor de R$ 1,340 milhão divido em 5 parcelas de R$ 270 mil. Revela que já pagou a primeira parcela de R$ 270 mil. 


César Zílio detalha todo funcionamento da quadrilha e pede perdão para a sociedade

14h20 - Propina na gestão anterior. César Zílio também revela que quando assumiu a Secretaria Estadual de Administração (SAD), em foi 2011 foi procurado insistentemente pelo empresário Júlio Minori Tisuji, dono da empresa Web Tech Softwares e Serviços Ltda. Foram várias tentativas de contato por parte de Minori até que Zílio o recebeu. O empresário revelou que tinha um contrato com o Estado para compensação previdenciária e gostaria de continuar prestando os serviços apesar de saber que tinham outras empresas interessadas. “Eu quero te dizer que já ajudo essas pessoas dessa secretaria”, disse Júlio Minori para Zílio confessando que já participava de um esquema de pagamento de propina com uma compensação financeira de 15% no governo anterior. E sugeriu que poderia passar a pagar R$ 20% de retorno.

“Ele pagou as propinas em cheques e em dinheiro sempre pra mim, nunca fez pagamentos em nome de terceiros”, revela Zílio.
 

14h15 - Zílio detalha funções de cada um dos membros da quadrilha. Ele explica que o procurar Chico Lima emitia pareceres nos processos de interesse da organização. Marcel de Cursi é qualificado por Zílio "como mentor intelectual, o homem que tinha expertise em finanças e que produzi e elaborava leis, decretos, portarias e resoluções para dar arcabouço legal, carenagem legal e todos os interesses da organização para captar valores para pagar despesas políticas e despesas pessoais".

O Silvio Cézar Corrêa, segundo Zílio, obedecia o governador incondicionalmente, em todos os setores, fazia qualquer coisa que Silval Barbosa determinasse. Pedro Nadaf cuidava das questões técnicas administrativas junto ao demais secretários e às vezes cuidava de alguns coisas de interesse da quadrilha.
O coronel  da Polícia Militar, José Jesus Cordeiro, seguia as ordens do Silval Borbosa envolvendo licitações, ele não tinha ramificações com outros secretários, não obedecia aos demais secretários.

"Nunca entreguei propina para essas pessoas, nem para o Sílvio. A propina do Silvio e do Silval era um rolo só, um balaio só. Ele que administrava. Ele revela que não participava da divisão da propina entre os demais envolvidos ele ouvia dizer, mas não sabe confirmar Zílio conta para a juíza que repassava em cheques e em dinheiro sempre no gabinete do então governador Silval, no final do expediente, no período noturno. Ele repassou todos os meses entre fevereiro de 2011 e agosto de 2013. Repassava em torno de R$ 300 mil e R$ 350 mil. "Eram vários cheques de terceiros em valores menores para facilitar as operações", conta.

Com poucos detalhes, ele diz não saber qual era a participação da ex-assessora de Pedro Nadaf, Karla Cecília Cintra Oliveira, de Bruno Sampaio Saldanha, Tiago Vieira de Souza Dorileo e do ex-deputado estadual José Riva nas fraudes. "Depois que saí, fiquei sabendo que o Riva recebia uns cheques. Mas eu já não estava mais lá", contou Zílio. 

14h10 - Silval ficava com 70% da propina - O ex-secretário César Zílio revela para a juíza Selma Rosane que falsificou a assinatura do próprio pai que já havia falecido para efetuar a compra do terreno de R$ 13 milhões. Também revela como era dividido o dinheiro da propina. "A propina era de R$ 500 mil, às vezes mais, mas nunca poderia ser mais e 70% ficava para o governador e outros 30% era dividido para os demais integrantes", revela Zílio. Às vezes o valor dos demais integrantes chegava a 40%.

14h05 - "A cobrança de propina começou em fevereiro de 2011 e sob o meu gerenciamento perdurou até agosto de 2013", revela Zílio ao explicar que . A administração sempre exigia propina em valores maiores e a empresa reclamava que ela não conseguia pagar tanta propina pois não estava tendo lucro.

Lembra de uma reunião com o Silvio Corrêa, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa pra tratar do assunto e o empresário mostrando planilhas o convenceu que os valores da propina não poderiam ser reajustados.
"As propinas foram pagas, ora em cheques e ora em dinheiro. Esses cheques foram usados pra pagar contas e um terreno adquiridos na Avenida Beira Rio".

14h - Zílio confessa crimes e pede perdão à sociedade - César Zílio começa a depor lembrando de sua prisão efetuada no dia 13 de março e diz que de forma voluntária e seus advogados procuraram a Polícia e ao invés de negar os fatos já começou a colaborar para ajudar a elucidar os crimes. “Estou ressarcindo o erário, colaborando com a Justiça. Cometi erros graves que me envergonharam, envergonharam minha família, me trazem dor. Devo um pedido de desculpa a este juízo, às autoridades policiais, aos advogados que aqui estão. Quero pedir desculpas também para meus amigos, minha família e para toda a sociedade. Tenho certeza que esse processo doloroso que estou enfrentando é o pior da minha vida, com consequências graves”, confessou o ex-gestor

Ele disse acreditar que a operação Sodoma vai promover mudanças cultural e trazer profunda reflexão aos agentes públicos de todas as esferas, executivo, legislativo e judiciário. "Essa roda não foi criada agora, mas chegou a hora dessa roda ter um fim e é por isso que estou aqui. Na decisão que busquei de tomar o perdão, o perdão da minha família, é este o caminho que estou tomando”, diz ele em referência à corrupção que envolve gestores públicos, empresários e integrantes de todos os poderes constituídos. 
 

13h50 - Advogado pede afastamento de juíza . Ela rejeita o pedido e segue à frente do processo da Sodoma.  Aberta a audiência, o advogado Victor Borges que defende o réu Sívio Cézar Corrêa, pediu a suspeição da juíza Selma Rosane para que ela não julgue o processo contra seu cliente. Isso porque Silvio também é réu na ação penal contra a ex-primeira dama do Estado, Roseli Barbosa, na qual a juíza foi afastada do caso nesta semana por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O Ministério Público se posicionou contra e ressaltou tratar-se de processos e fatos diferentes sendo que a suspeiçao de Selma Rosane se deu em funão de ter ouvido um delator que relatou fatos investigados nas Operações Arqueiro e Ouro de Tolo. Selma Rosane negou sua suspeição e reafirmou tratar-se de uma questão isolada no outro processo e que não interfere na ação penal da Sodoma. 

 

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