'A morte virou comemoração' 15.05.2026 | 13h25

maria.klara@gazetadigital.com.br
Alair Ribeiro/TJMT
O Ministério Público de Mato Grosso já recorreu da sentença que condenou o policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrida em abril de 2023, em uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá. O recurso foi confirmado pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins após a decisão do Tribunal do Júri, que desclassificou o crime para homicídio culposo.
Mário Wilson foi condenado a dois anos de detenção, em regime inicialmente aberto, com a pena substituída por duas medidas restritivas de direitos. A sentença também retirou as medidas cautelares que ele vinha cumprindo, como o uso de tornozeleira eletrônica. O réu ainda foi condenado ao pagamento das custas processuais. A decisão foi lida por volta das 22h20 de quinta-feira (14), após três dias de julgamento.
Mesmo com a condenação mais branda, o Ministério Público interpôs recurso de apelação com base no artigo 593, inciso III, alínea “d”, do Código de Processo Penal, sustentando que a decisão dos jurados foi contrária às provas apresentadas nos autos.
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A sentença provocou revolta entre familiares do cabo Thiago Ruiz. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a ex-convivente da vítima, Walkíria Filipaldi Corrêa, criticou o resultado do julgamento e o comportamento da defesa durante o júri.
“E é só o Mário que tem família? O Mário saiu pela porta da frente ontem, do fórum, comemorando. A vida virou o quê? A morte de alguém virou uma comemoração”, afirmou.
Walkíria também acusou a defesa de tentar desqualificar a imagem da vítima durante os debates em plenário. “A defesa a todo momento atacava a vítima. A vítima era isso, era aquilo. Eram os níveis mais baixos que eu já vi na minha vida”, disse.
Em outro trecho, ela criticou a tese apresentada pelos advogados de defesa. “Em nenhuma página do processo há menção a homicídio culposo por negligência. Até o boletim de ocorrência é homicídio qualificado”, declarou.
A ex-convivente ainda afirmou que Thiago foi atingido por 7 disparos dentro da conveniência. “A vítima levou 7 tiros em uma conveniência, onde o réu não teve sequer nenhum temor de que lá tinham várias câmeras”, pontuou.
Walkíria também questionou a conduta atribuída ao réu no dia do crime. “A abordagem não foi legítima, até porque o estatuto da Polícia Civil diz que nenhum policial civil pode se apresentar em público sob estado de embriaguez, ainda mais portando arma de fogo”, afirmou.
Ao final do vídeo, ela pediu a anulação do julgamento e disse confiar no recurso apresentado pelo Ministério Público. “Eu rogo e clamo ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao meu assistente de acusação que anulem esse júri. Isso é justiça. O resto será impunidade.”
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