desespero 01.09.2021 | 09h08
Foto: Getty Images
Multidões ansiosas para fugir do Afeganistão correram para as fronteiras do país enquanto filas longas se formavam nos bancos nesta quarta-feira (1º), e o vácuo administrativo existente desde que o Talibã assumiu o poder deixou doadores estrangeiros incertos sobre como reagir a uma crise humanitária iminente.
A milícia islâmica se concentrou em manter bancos, hospitais e o aparato governamental funcionando depois que a retirada final das forças dos Estados Unidos na segunda-feira (30) encerrou uma ponte aérea maciça para a retirada de afegãos que ajudaram países ocidentais durante a guerra de 20 anos.
Como o aeroporto de Cabul está inoperante, esforços particulares para ajudar afegãos temerosos de represálias do Talibã se concentraram em obter passagem livres através das fronteiras com Irã, Paquistão e países do centro da Ásia.
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Em Torkham, uma grande passagem de fronteira com o Paquistão pouco a leste da Passagem de Khyber, uma autoridade paquistanesa disse: "Um número grande de pessoas está aguardando a abertura do portão do lado do Afeganistão".
Milhares também se reuniram no posto de Islam Qala, na divisa com o Irã, disseram testemunhas.
"Senti que estar entre as forças de segurança iranianas trouxe um tipo de relaxamento para os afegãos ao entrarem no Irã, na comparação com o passado", disse um afegão de um grupo de oito que cruzavam.
Só a Alemanha estima que entre 10 mil e 40 mil funcionários afegãos ainda trabalhando para organizações de desenvolvimento do Afeganistão têm direito de ser levados para seu solo caso se sintam ameaçados.
O Talibã está conversando com o Catar e a Turquia sobre como administrar o aeroporto de Cabul, de acordo com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, mas pode levar dias ou semanas para que estas negociações sejam finalizadas.
A fronteira terrestre do Uzbequistão com o Afeganistão permanecia fechada, mas seu governo disse que auxiliará afegãos em trânsito para a Alemanha pelo ar assim que os voos forem retomados.
Em uma resolução aprovada na segunda-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu ao Talibã que dê passagem livre àqueles que desejam partir, mas não mencionou a criação de uma zona segura, uma medida apoiada pela França e outros.
O Taliban ainda não instaurou um governo novo, nem revelou como pretende governar — à diferença de 1996, quando um conselho de líderes foi formado horas após a tomada da capital.
Mais de 123 mil pessoas foram retiradas de Cabul durante a ponte aérea liderada pelos EUA depois que o Taliban dominou a cidade, em meados de agosto, mas dezenas de milhares de afegãos em risco ficaram para trás.
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