Medo de atentado 10.06.2026 | 10h25
Reprodução/Vyacheslav Prokofyev/TASS via R7
O avanço da inteligência artificial teria levado o Kremlin a adotar medidas extras para reforçar a segurança do presidente russo, Vladimir Putin.
Segundo informações do jornal Financial Times, partes do sistema especial de câmeras de vigilância usado para proteger o presidente russo e seus principais aliados foram temporariamente desligadas após preocupações de que a rede pudesse ser explorada por adversários em uma eventual tentativa de assassinato.
De acordo com a publicação, o receio surgiu após a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em uma operação que, segundo relatos citados pela imprensa internacional, envolveu o uso de inteligência artificial para analisar grandes volumes de imagens captadas por câmeras de segurança e de trânsito.
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Fontes ouvidas pelo Financial Times afirmam que o sistema de vigilância destinado à proteção de Putin foi temporariamente desativado e só voltou a operar após uma revisão técnica destinada a reduzir possíveis vulnerabilidades e isolar o sistema da internet.
Ainda segundo o jornal, autoridades passaram a enxergar as próprias redes de vigilância como potenciais pontos de vulnerabilidade diante da capacidade cada vez maior da inteligência artificial de analisar milhões de horas de vídeo em busca de comportamentos, deslocamentos e padrões específicos.
Reforço na segurança de Putin
As preocupações também coincidem com um reforço das medidas de segurança ao redor do líder russo. A imprensa internacional indica que o complexo presidencial de Valdai, uma das residências mais protegidas de Putin, recebeu novos sistemas de defesa aérea nos últimos anos, ampliando ainda mais a proteção do local.
Segundo informações divulgadas pela CNN, pelo Financial Times e pelo site investigativo russo Important Stories, o endurecimento das medidas de segurança estaria ligado, além de atentados, a temores de golpes de Estado e até mesmo de tentativas de desestabilização vindas de dentro da própria elite política russa.
Um relatório atribuído a um serviço de inteligência europeu aponta o atual secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguei Shoigu, como um possível fator de instabilidade no cenário político do país. Ex-ministro da Defesa e antigo aliado de Putin, Shoigu perdeu espaço dentro do governo após deixar o comando da pasta em 2024, em meio a críticas relacionadas ao desempenho militar russo na guerra da Ucrânia.
Para Roman Anin, fundador do Important Stories, Shoigu ainda poderia representar uma ameaça ao poder de Putin, apesar de ter perdido parte da influência que exercia anteriormente. Ainda de acordo com essa avaliação, o país atravessa um período de “crescentes tensões entre os órgãos de segurança”, enquanto o papel do presidente russo como mediador entre as elites enfraqueceu.
De acordo com o serviço de inteligência europeu responsável pelo relatório, Putin também teme a possibilidade de um atentado com drones articulado por integrantes da própria elite política russa.
Em abril, o canal russo no Telegram VChK-OGPU já havia informado que o Kremlin demonstrava preocupação com ameaças ligadas a acontecimentos internos. Entre os cenários avaliados estariam possíveis ataques com drones organizados diretamente em Moscou, e não coordenados a partir do exterior.
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