Publicidade

Cuiabá, Quarta-feira 13/05/2026

Mundo - A | + A

'carta estratégica' 13.05.2026 | 16h11

Reunião; Brasil pode ajudar a estabilizar relação entre China e Estados Unidos

Facebook Print google plus

Wilson Dias / Agência Brasil

Wilson Dias / Agência Brasil

O Brasil pode desempenhar um papel relevante na estabilização das relações entre Estados Unidos e China e servir como uma “carta estratégica” do presidente Donald Trump nas negociações com Xi Jinping.

 

A avaliação é de Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil, durante entrevista concedida nesta quarta-feira (13), em Nova York, após participação em um painel no “Summit Valor Brazil-USA 2026”.

 

Leia também - Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

 

Shannon reconheceu a importância da reunião entre os presidentes Lula (PT) e Trump, na semana passada.

“Para o presidente Trump entrar em suas reuniões com o presidente Xi mostrando que consertou a relação entre os EUA e o Brasil, e que agora ela está fortemente focada em minerais críticos e terras raras, isso será uma carta importante para ele usar”, afirmou quando questionado pelo blog.

 

A declaração ocorre horas após Trump desembarcar em Pequim para uma visita de Estado com Xi Jinping. Entre os principais temas da agenda estão os minerais de terras raras, fundamentais para a fabricação de chips, baterias de carros elétricos e equipamentos militares.

 

Hoje, a China concentra cerca de 90% da extração e do processamento global desses minerais, enquanto os Estados Unidos buscam alternativas para reduzir a dependência do mercado chinês. Nesse cenário, o Brasil surge como peça estratégica. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e já sinalizou interesse em ampliar a cooperação com os americanos, desde que parte relevante do processamento industrial seja realizada em território brasileiro.

 

Para Shannon, a estratégia diplomática brasileira de preservar autonomia estratégica pode favorecer esse papel de equilíbrio entre as duas potências.

“O Brasil sempre buscou manter independência em sua política externa enquanto defende seus próprios interesses. Nesse sentido, não vai se inclinar excessivamente nem para a China nem para os Estados Unidos”, disse.

 

Segundo o diplomata, Washington precisa aprofundar sua presença no país para fortalecer essa posição intermediária do Brasil.

“Os Estados Unidos precisam estar mais presentes na relação com o Brasil para garantir que o país possa seguir pelo meio do caminho, aproveitando os benefícios das duas relações e atuando como uma espécie de elo de ligação entre EUA e China”, afirmou.

 

Tarifas e negociação comercial
As terras raras também devem entrar nas negociações entre Brasil e Estados Unidos para destravar o impasse tarifário entre os dois países, segundo Shannon. Atualmente, o Brasil é alvo de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apuram possíveis práticas comerciais consideradas desleais por Washington.

 

O tema esteve na pauta da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump na semana passada.

 

Após o encontro, os governos decidiram abrir um prazo de 30 dias para buscar um consenso sobre as relações comerciais bilaterais. Para Shannon, um eventual acordo dependerá não apenas dos números da balança comercial, mas também de compromissos estratégicos envolvendo minerais críticos.

 

“Não será suficiente apenas apresentar os números do superávit comercial dos Estados Unidos. Haverá algum tipo de compromisso relacionado a minerais críticos e terras raras. É isso que o presidente Trump quer poder mostrar”, afirmou.

 

Veto europeu à carne brasileira
Shannon também criticou as restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira. Para ele, as medidas atendem a interesses específicos e vão na contramão da necessidade de cooperação internacional diante da crescente disputa comercial entre Washington e Pequim.

 

“Os europeus terão que aprender, talvez de forma dolorosa, que esse tipo de restrição pode até atender a objetivos políticos imediatos, mas enfraquece uma visão estratégica mais ampla”, afirmou. “Brasil e União Europeia deveriam estar buscando formas melhores de cooperação neste momento. Esse tipo de restrição não contribui para isso.”

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Publicidade

Edição digital

Quarta-feira, 13/05/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.